08 de julho de 2026
Geral

Seminário de Agudos

Redação
| Tempo de leitura: 8 min

Seminário comemora cinquentenário

Seminário comemora cinqüentenário

Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns abre, sábado, as comemorações dos 50 anos do Seminário Santo Antonio de Agudos

Agudos - O Seminário Santo Antônio de Agudos prepara-se para o início das comemorações de seu cinqüentenário. São 50 anos de atividades voltadas para a educação e formação dos jovens que buscam a vida religiosa franciscana. A abertura das comemorações iniciam-se no dia 11 de setembro com a celebração da Eucaristia a partir das 10 horas na Igreja do Seminário, presidida pelo ministro provincial Frei Caetano Ferrari. A homilia será proferida pelo cardeal Emérito de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, que foi professor no seminário, nos anos de 1953 a 1956.

Um coral com mais de 100 vozes dará mais vida à celebração, cantando a "Missa Brevis Saneti Joannis de Deo" de Franz Joseph Haydn e o tradicional "Aleluia" do Oratório. "O Messias" de G.F. Händel.

No mesmo dia, à noite, às 20 horas haverá uma sessão comemorativa no salão nobre do seminário com discursos, poesia e concerto do Coral e da Orquestra do Seminário Santo Antônio.

As comemorações do Cinqüentenário do Seminário se estenderão até o mês de setembro do ano 2000. Cada evento será divulgado e aberto ao público agudense e da região que esteja interessado em participar desta festa jubilar.

Comemoração jubilar vai até 2000

Até setembro do ano que vem, os franciscanos estarão promovendo eventos que em sua maioria serão abertos à comunidade

Agudos - Depois de comemorar a beatificação de Frei Galvão, a tricentenária Província Franciscana da Imaculada Conceição está diante de outro momento histórico e festivo: o Cinqüentenário do Seminário Santo Antônio de Agudos. Para a Província, a data é muito especial. Uma Comissão está programando as festividades que começam agora e se estenderão por um ano para comemorar esses heróicos 50 anos. Para a Província, o Seminário de Agudos é um marco e um ponto de referência. É nele que se fazem os grandes encontros e capítulos. Além disso, ele cumpre sua missão para o qual foi erguido: formar ministros do altar e religiosos entusiasmados pelo ideal de São Francisco de Assis...

Os 70 primeiros jovens chegaram ao seminário no dia 1 de fevereiro de 1950, às 10 horas da noite, desembarcando na estação de trem da cidade de Agudos. Além dos seminaristas, vieram também quatro frades vindos do velho Seminário de Rio Negro-PR, que se juntaram a outros confrades e alguns estudantes completando a equipe que seriam dos pioneiros da nova casa de formação da Província Franciscana. Em meio às obras que não chegavam a 50% do prédio atual, iniciaram-se as aulas em 22 de fevereiro do Ano Santo de 1950. E já no ano de 1955 entrava em funcionamento o seminário completo.

Após 50 anos de atividades formativas, o Seminário consta hoje de uma majestosa construção de 24 mil metros quadrados, em estilo neocolonial; privilegia-se de uma esplendorosa natureza, rica em bosques e jardins, e é abençoada por um clima ameno.

Hoje funciona para os seminaristas a Escola Médio tendo a finalidade de preparar, científica, moral e religiosamente, os jovens que demonstram inclinação e vontade firme de abraçar a Vida Franciscana e/ou Sacerdotal, na Ordem dos Frades Menores. O seminário proporciona aos seminaristas a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades, como elemento de auto-realização, preparando-os ao trabalho e exercício da cidadania; oferecendo-lhes recursos ambientais a fim de alicerçar as qualidades humanas e cristãs, possibilitando assim, o ingresso na Vida Religiosa Franciscana.

A vida do Seminário se movimenta em torno de valores como a oração, o trabalho: intelectual, manual, artesanal; a fraternidade, o lazer, o esporte. Incentiva-se e cultiva-se a música com seu próprio Conservatório Musical: aulas teóricas e práticas de piano, harmônio, violão, violino, flauta e outros instrumentos.

O seminário mantém um coral polifônico, uma orquestra de cordas, realiza festivais, recitais de música, para exercitar os seminaristas a descobrirem e desenvolverem seus talentos.

Em seu programa de Língua Portuguesa, conforme o MEC, mantém um curso de Retórica, em aulas teóricas e práticas, para exercitar os seminaristas na arte da oratória, através de um Grêmio Literário, com sessões semanais.

O Seminário oferece ainda um Teatro de vários recursos, onde os seminaristas e pessoas da região, eventualmente, realizam apresentações artísticas; o espaço ainda é usado para eventos culturais, políticos e religiosos de diversos segmentos da sociedade.

Há um Museu didático, organizado dentro da linha da Teoria da Evolução, conduzindo o visitante, desde os primórdios da origem da matéria, através de bilhões de anos, até a nossa época.

Lindas quadras esportivas e piscina são oferecidas aos seminaristas, buscando fortalecer o caráter dos jovens, por meio de competições e jogos de integração.

O local privilegia-se ainda de uma grande biblioteca, com mais de 40 mil volumes; enriquece-se também de um laboratório de Física e outro de Química, que ao longo destes 50 anos, foi estruturado pelo esforço, sobretudo, de confrades alemães.

A direção do seminário ressalta que o primeiro objetivo, desde o dia 17 de agosto de 1943 quando decidiu-se construir um novo seminário, "é cultivar a semente da Vocação Franciscana, no coração de seus alunos-seminaristas, para fazer medrar frutos para o Reino de Deus, a modo de Francisco de Assis e de seu fidelíssimo filho, Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa, nosso Padroeiro!"

Histórico

O Seminário de Rio Negro, no Paraná, estava ficando pequeno para o crescimento das vocações nos anos 40. No Definitório da Província Franciscana de 1943, aprovou-se a construção de um novo seminário. As obras já tinham começando em Piraí do Sul, também Paraná, mas o Capítulo Providencial de 1945 decidiu por sua paralisação por considerar terreno impróprio. O novo local foi escolhido, uma fazenda adquirida de dona Maria Ornellas de Barros, proprietária da Fazenda Santo Antônio, na cidade paulista de Agudos, próxima da promissora Bauru. E, com este nome "Santo Antônio", começou a ser erguido o novo prédio. Na madrugada de 31 de Janeiro de 1950, sairam de Rio Negro dois vagões de passageiros a mais que o normal. Transportava estes dois vagões quatro padres e 70 jovens seminaristas em mudanças para Agudos. No dia 1 de fevereiro às 10 horas da noite, apareceu a primeira luz de Agudos. O povo aglomerado na estação, soltava foguetes. O Prefeito da cidade Pe. João Batista de Aquino fez inflamado discurso de boas-vindas.

É a partir daquela noite que se inicia uma nova história para a Província e para a cidade de Agudos. Como mostra o belíssimo relato de Frei Onésimo Dreyer. "A gente foi se ajeitando na nova casa. Cozinha, copa, refeitório, algumas oficinas e um dormitório já estavam mais ou menos prontos. Como Capela servia a atual sala de recreio da Primeira Alas, aliás a única que estava em pé. Como não havia bancos, as caixas em que vinham os ladrilhos de São Paulo serviam de genuflexório individual. As mesmas caixas, colocadas em pé e encostadas na parede do corredor, serviam de biblioteca no primeiro ano. Não existia nem uma dúzia de chuveiros. Alicerce se estavam abrindo por toda a parte, betoneiras estavam roncando debaixo das janelas, preás de dia, gambás de noite passeavam pelos corredores. A samambaia começava logo pra lá das salas de aula, infestadas de moscas e vespas. Mas uma pitada de orgulho enchia os moradores, uma grande vontade de fazer desta obra de nossa Província um sucesso". Logo em 51 foram abertos os alicerces para a Segunda Ala e, em 53, o Seminário já tinha 210 alunos. Em 54 era erguida a terceira ala e, no dia 11 de setembro de 55, os frades abençoavam a igreja, construída com mármores da Itália. Ela foi dedicada à Imaculada Conceição. Neste ano, o Seminário funcionava completo: com 4 séries ginasiais e 3 colegiais. Uma década depois, em 1966, um recorde marcou esta casa ao ingressarem 355 seminaristas na abertura das aulas no mês de fevereiro. Como o Seminário tinha capacidade para 300 alunos, os frades foram obrigados a criarem soluções de emergências nos dormitórios, na igreja e nas salas de aula. Com a criação de outros seminários para vocações adultas, como Guaratinguetá e Lages, o número de seminaristas foi reduzido pela metade e tem se mantido, como neste ano que se inicia o cinqüentenário. Agudos é atualmente um dos poucos seminários menores em funcionamento no Brasil. O maior problema para mantê-lo

é econômico, devido à maioria dos alunos terem origem em famílias simples. Com sucessivas crises econômicas, a Província tenta manter essa obra funcionando. Segundo Frei Marino Prim, autor do livro dos 25 anos, "uma obra como Agudos, incluídos Seminário e Fazenda, se não progride, regride. Conseguimos mantê-la. E seja uma das provações, ou provocações, mais angustiantes da pobreza o ser rico na aparência e pobre na realidade. Quem nos visita considera-nos ricos. Quem paga as dívidas, recebe as entradas e cuida da caixa sabe que o sacrifício

é o pão-nosso de cada dia. Talvez o lugar mais indicado para agradecer aos nossos benfeitores não seja aqui, mas junto ao altar do Senhor".

Programação do dia 11

10 horas: solene celebração eucarística, presidida pelo ministro provincial frei Caetano Ferrari, OFM. A Homilia será proferida pelo cardeal emérito de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns

12h30: almoço

16 horas: Inauguração da Sala Memorial

20 horas: sessão comemorativa no salão nobre.

Programação para o ano

11-09-99: Missa solene de abertura, inauguração da Sala Memorial e grande sessão comemorativa

20 a 28-05-2000: Encontro dos ex-seminaristas

01 a 13-06-2000: Trezena de Santo Antônio, no seminário. Pregadores: cada dia um frade

12 a 20-09-2000: Capítulo Provincial (a confirmar)

21 e 22-09-2000: Capítulo das Esteiras e encerramento

(a confirmar)