08 de julho de 2026
Geral

Hipotireoidismo

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Estudo revela diagnóstico tardio do hipotireoidismo

Estudo revela diagnóstico tardio do hipotireoidismo

Marília - Um estudo coordenado pelo docente da disciplina de Endocrinologia da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), José Augosto Sgarbi, revela que clínicos gerais levam, em média, onze consultas, cerca de 16 meses para diagnosticar o hipotireoidismo, desde a primeira queixa do paciente.

Detectada através de um simples exame de sangue, a doença

é causada pela disfunção da glândula tireóide, responsável pela produção dos hormônios TSH, T3 e T4 livres, fundamentais para o bom funcionamento, no organismo, das células e do metabolismo.

A pesquisa foi baseada na análise de prontuários de 126 pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da Famema. Um dos pacientes levou 11 anos para ter a doença diagnosticada. "Levando-se em conta que estamos em um hospital escola onde, teoricamente, há uma maior integração entre as especialidades e há um maior número de informações circulando, pode se supor que, em outros centros, o tempo para se acertar o diagnóstico desta doença pode ser bem maior", diz Sgarbi.

Como o hipotireoidismo pode se manifestar através de vários sintomas como cansaço, desânimo, sonolência, depressão, dores no corpo e articulações, a doença pode confundir os médicos fazendo com que muitos pacientes acabem tomando remédios sem necessidade.

"Em uma consulta, o paciente se queixa de um sintoma, na outra consulta se queixa de outro sintoma e o médico não os associa a esta doença , não pensa em uma disfunção da tireóide".

Ele acrescenta que entre as principais consequências do atraso no diagnóstico é o aspecto social. Estados de depressão e a irritabilidade prolongada provocadas pela doença levam a conflitos na família e no trabalho.

"Sem o diagnóstico correto da doença, o paciente acaba sendo um transtorno para a família". Mas, o médico alerta que a demora do diagnóstico pode levar inclusive à morte. "A grande alteração do metabolismo do organismo da pessoa pode levar ao acúmulo de colesterol podendo provocar um enfarto ou derrame cerebral no prazo de cinco anos, em média. Em casos mais graves, a doença não tratada pode evoluir para o coma, onde o óbito representa 99% dos casos".

Sgarbi explica que os hormônios são essenciais para o funcionamento biológico das células. Com a redução dos hormônios, as células começam a funcionar lentamente. "É como se você tirasse o pé do acelerador de um carro", compara.

Outro fator detectado na pesquina, é que as solicitações, quando feitas pelos médicos, acontecem de maneira irregular.

"Os médicos pedem níveis de T3 e T4 que não são suficientes para medir alterações nos hormônios já que eles podem estar ligados a proteínas e mascarar os resultados". Outro erro comum verificado nos prontuários é a solicitação de exames em mulheres grávidas ou que estão tomando anticoncepcionais. Segundo os médicos, nestes casos, os hormônios ficam alterados ficam alterados e os exames não retratam a situação real do funcionamento da tireóide.

O estudo revelou também que o diagnóstico tardio do hipotireoidismo pode também ter uma consequência econômica. Cada paciente mal diagnosticado pode custar até R$ 35 mil por ano, em remédios e exames. Ele aconselha que o ideal é que os médicos consigam fazer o histórico do paciente, da família, e com um raciocínio adequado, incluir o hipotireoidismo entre as hipóteses.