14 de março de 2026
Geral

Rodeios

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Câmara aprova liberação dos rodeios

Câmara aprova liberação dos rodeios

Texto: Josefa Cunha

A Câmara Municipal aprovou ontem, por unanimidade, um projeto de lei que volta a autorizar o uso do sedém em rodeios e a realização de provas do laço e derrubada de animais. A proibição legal de tais práticas no município vinha vigorando há 30 dias e provocando polêmica e insatisfação por parte da Associação dos Profissionais de Rodeio de Bauru e Região (Aprobar).

A lei municipal que proibiu, "na prática", a realização de rodeios foi apresentada pelo vereador Antonio Carlos Garmes (PSDB). O texto legal não censurou os eventos, mas vetou o uso do sedém, espécie de laço que envolve a parte traseira do animal. O vereador tucano, bem como as entidades que lutam em favor dos animais, acreditam que o equipamento machuca o boi, pois aperta a região próxima aos testículos, causando dor e provocando os pulos que garantem o espetáculo. Para Garmes, o correto seria a utilização de animais não domesticados para dispensar o polêmico acessório.

A Aprobar e os grupos defensores dos rodeios, por sua vez, garantem que o sedém não machuca os animais, embora admitam que sem ele não há como provocar os pulos que desafiam os peões a se manterem no lombo do boi. A não-utilização do sedém, aliás, inviabiliza os rodeios. O vereador José Carlos Batata (PT), autor do projeto que propôs a revogação do dispositivo, também é da mesma opinião. Segundo ele, os animais custam caro e seus proprietários não aceitariam práticas que pudessem comprometer o "investimento". Também garantiu que 60% dos animais usados em rodeio são fêmeas", o que não justificaria o desconforto dos animais com a parafernália.

A votação do projeto do vereador petista na noite de ontem reuniu membros da Aprobar e vários defensores dos rodeios. A postura dos parlamentares mantinha-se indefinida até Garmes apresentar uma emenda flexibilizando a questão. O tucano, em reunião fechada com os demais colegas, propôs a supressão do artigo 1.º do projeto colocado por Batata, garantindo, assim, a "proibição de quaisquer espetáculos, concurso, competição, torneio, certame, disputa ou treinamento que inflijam maus-tratos aos animais envolvidos".

A emenda, entretanto, não interferiu na liberação do uso do sedém, que volta a ser permitido. O projeto de Batata também revogou a proibição das provas do laço e derrubada de animais. Na negociação política, Garmes abriu mão de vetar tais práticas em troca dos votos favoráveis à supressão do artigo 11.

Apesar dos discursos pró e contra alimentados ontem à noite, o "cavalo de batalha" criado em torno da questão não tinha mais finalidade. No início desta semana, o governador Mário Covas (PSDB) já havia sancionado uma lei autorizando o uso do sedém, desde que forrado com material macio (lã ou algodão) para não ferir o animal. A lei proíbe apenas duas práticas consideradas lesivas às condições de sanidade dos animais: privação de alimentos e uso, na condução ou domínio dos animais, de aparelhos que provoquem choques, esporas com rosetas perfurantes, sedém e barrigueiras fora das especificações. Por conta da lei estadual, o dispositivo contido na legislação municipal que vetava o sedém já estava revogado independentemente do resultado de ontem à noite.