07 de julho de 2026
Geral

Queimadas

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Canavieiros querem manter queimadas

Canavieiros querem manter queimadas

Texto: Marcos Zibordi

Canavieiros de Jaú e região consideram precipitada a suspensão das queimadas na colheita

Jaú - Dois decretos suspendendo as queimadas neste período de estiagem, um estadual e outro federal, estão sendo considerados precipitados pelos produtores do setor sucroalcoleiro que, enquadrados nos decretos, não podem efetuar a tradicional queimada da cana para colheita.

A Secretaria Estadual do Meio-Ambiente decretou no último dia 3 de setembro a suspensão das queimadas até o dia 15 em todo Estado. O curto prazo de proibição estabelecido pelo decreto leva em conta a possibilidade de chuva nos próximos dias.

O que os produtores questionam é o Decreto Federal de 6 de setembro que proíbe as queimadas por um período de 60 dias pelo Ministério do Meio-Ambiente. Segundo eles, isso prejudicaria a safra e a produção de açúcar e álcool, além de poder desempregar cerca de 200 mil trabalhadores em todo o Estado. Segundo informações da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana), 60% da safra já foi colhida e a proibição cobre exatamente o período planejado para o final da colheita. "É totalmente inoportuno, fora de época. Não há como suspender esse trabalho por sessenta dias", avalia Paulo Brandão, 58 anos, presidente da entidade.

Ele argumenta ainda que não foi feita uma avaliação adequada sobre a situação e que a queimada na cana

"é um fogo controlado, muito bem feito". Ele diz que, mesmo com a estiagem enfrentada, a queimada poderia continuar sendo feita. Em Jaú, um acordo definiu que as queimadas só poderiam ser feitas após as 9 horas da noite para evitar a queda do "carvãozinho" resultante do fogo.

Não chove há três meses no interior de São Paulo e a baixa umidade do ar aliada às altas temperaturas deixa o clima com características de deserto. Com este clima, qualquer caco de vidro jogado no pasto pode refletir os raios do sol, gerar um faísca e causar mais um foco de incêndio.

Trabalhadores

Mesmo com a previsão de ter que demitir cerca de 70 mil trabalhadores na região de Ribeirão Preto, 50 mil na de Campinas e cerca de 25 mil na região de Jaú, nenhum rural perdeu seu emprego até agora. Os produtores da região de Ribeirão Preto estão se articulando para pedirem a suspensão da proibição das queimadas nos canaviais.

Segundo Brandão, nenhuma dispensa deve ser feita de imediato, inclusive porque existem contratos e despesas assumidas e os produtores têm mesmo interesse em terminarem a colheita. "Como

é que você pode deixar esse pessoal todo (trabalhadores) na rua da amargura? É uma complicação".

Hoje, representantes dos produtores devem ir até o Ministro levar seus argumentos contra a proibição. "A proibição iria perturbar totalmente a safra".

Polícia Florestal

A Polícia Florestal acredita que a queima da cana é prejudicial ao meio ambiente, principalmente no clima atual, mesmo que efetuada à noite.

Segundo o tenente Nilson, "a queima contribuiria para um aumento sim de poluentes no ar e causaria um aumento inevitável de poluição".

A Polícia também informou que alguns proprietários estão sendo investigados por estarem aproveitando o período de queimadas para incendiarem suas matas fazendo parecer que foi um acidente.

As investigações poderão resultar em autuações por crime doloso "porque eles estão provocando com a finalidade de queimar toda a mata e depois fazer a limpeza". O tenente disse que um dos investigados teria construído o acero (faixa de segurança) depois da queimada para parecer que havia sido feita antes.

Para a Polícia Florestal, seria necessária uma chuva moderada por dois ou três dias "para ter condições de penetração no solo, de umedecerem as vegetações, para amenizar o problema do fogo".

A pena por provocar incêndio em mata ou floresta é de 2 a 4 anos de reclusão e multa, que varia de R$ 343 até R$ 3,5 mil, além de processo civil.