08 de julho de 2026
Geral

Aliança política

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 4 min

Nilson pode fazer aliança com PPB

Nilson pode fazer aliança com PPB

Texto: Nélson Gonçalves

Grupo do deputado Carlos Braga pode costurar uma aliança que evitaria duas candidaturas nas próximas eleições

O prefeito Nilson Costa (PPS), candidatíssimo a reeleição até que se prove o contrário ou haja algum obstáculo da legislação, pode tentar viabilizar sua participação com uma aliança que também passaria pelo PPB. As chances não são remotas e algumas indicações já estão presentes no relacionamento do Executivo com o grupo do PPB na Câmara Municipal. A possibilidade do acordo contemplaria uma candidatura para fazer frente ao grupo da família Tobias, agora com a notícia de que Tuga Angerami está fora do páreo como candidato.

O prefeito Nilson Costa não esconde nem que está pavimentando a formação de um bloco político visando às próximas eleições, nem seu bom relacionamento com o PPB. No mesmo instante em que já estuda transformações em seu secretariado - que abrigariam novas composições políticas -, o prefeito também reconhece que a bancada do PPB é a que mais tem colaborado com o Executivo na Câmara.

Ao falar sobre seu relacionamento com o PPB, liderado no Legislativo pelo presidente Paulo Madureira, Nilson Costa sintetiza: "não escondo que o PPB com seus cinco vereadores tem dado boa contribuição aos projetos de interesse da comunidade. Temos tido afinidade em projetos". O prefeito não está dissimulando quando fala do relacionamento com o PPB. Outra indicação

é que o partido seria um dos que mais estariam próximos das conversações políticas que visam algumas mudanças no secretariado, ou no primeiro escalão do governo municipal. E essa convergência política, por sinal, já aconteceu quando o PPB, através de seus líderes, tiveram boa participação na escolha de Pedro Macéa para a Secretaria Municipal de Esportes, por exemplo.

Pensar em uma aliança de Nilson Costa com o PPB significa imaginar que o casamento seja bom para "os dois lados",

é claro. E aqui também existem convergências. De um lado, Nilson ganharia o apoio de um grupo político forte, que tem além da maior bancada na Câmara Municipal a expressão emergente do deputado estadual Carlos Braga. De outro, o PPB também teria na aproximação com o prefeito uma oportunidade de optar por não expor o deputado recém eleito a uma eleição (o mesmo drama eleitoral vivido por Pedro Tobias). Mesmo porque, desta forma, o atual presidente da Câmara Municipal, Paulo Madureira, também não passaria pela experiência de arriscar a reeleição à vereança em troca de ter que puxar a fila do grupo político da qual pertence, como eventual candidato a prefeito.

Outro ponto que colabora para uma possível aliança de Nilson Costa com o PPB é que se formaria uma coligação na eleição proporcional, fazendo valer o mesmo coeficiente para os dois partidos. O PPS, de outro lado, também poderia continuar ficando sem nenhum vereador entre os que hoje atuam no Legislativo. Mais não é só isso. Como em política conjuntura eleitoral tem peso relevante, a desistência de Tuga Angerami de participar da eleição municipal coloca mais combustível nessa possibilidade.

Hoje, além do grupo liderado pela família Tobias, no PDT, não há nenhum outro previamente definido para a disputa à principal cadeira do Executivo. A saída de Tuga abriria um dos vácuos que Nilson Costa estaria esperando. Isso levando-se em conta que muitos não apostam numa candidatura de Caio Coube. Os mais experientes consideram que o caminho natural de Caio Coube é acabar apoiando um dos Tobias.

E aqui pode estar outro elemento a ser considerado. Pela conjuntura atual (é bom pontuar tudo em matéria de política) se desenha a formação de dois grupos mais fortes.

De um lado, o PDT de Pedro Tobias com previsões de aglutinar uma espécie de frente. Seja o deputado ou seu irmão Moussa como candidato a prefeito (como Pedro disse querer ontem, após retornar da Assembléia), o nome Tobias vai puxar uma frente. E tem a torcida até do ex-chefe de Gabinete de Tidei de Lima, Daltayr Vallim (atual presidente da Cohab). Na outra frente, agora sem Tuga, pode se formar um grupo que abraçaria a aliança do PPB com o prefeito. Entre um apoio e outro pode até surgir a vereadora Majô Jandreice (PC do B). Como na eleição anterior, Majô precisa de um bom candidato a prefeito para viabilizar sua permanência na Câmara.

A formação das alianças e das frentes aumenta com o anúncio de Tuga fora do páreo. Até porque, muitos partidos chegam a admitir que se isso não acontecer Pedro Tobias ficará à frente como um dos francos favoritos à vencer a eleição. Nesta dança, entre os partidos que precisam achar o compasso da música, curiosamente, está o PSDB. Assim como o PT, os tucanos ainda terão que resolver o racha interno para depois viabilizar uma participação nas próximas eleições em condições de vencer. E todas as especulações vão esquentar ao longo das próximas semanas, com o estopim sendo aceso a partir do início de outubro, quando se encerram as trocas de legendas com vistas à candidaturas, conforme a legislação eleitoral.