DIG/Garra desbarata quadrilha de estelionatários
DIG/Garra chega a acusados de falsificar documentos
Texto: Rita de Cássia Cornélio
A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) de Bauru chegou a nomes de quatro pessoas acusadas de formar uma quadrilha de estelionatários. Essa quadrilha já teria aplicado golpes em inúmeros comerciantes da cidade e em agências bancárias. O golpe, que ainda está sendo investigado, pode ter chegado a valores incalculáveis.
O trabalho teve início há cerca de um mês. Uma equipe de investigadores coordenada pelo delegado Abel Fernando Paez de Barros Cortez e supervisionada pelo delegado titular da DIG/Garra, José Jorge Cardia, conseguiu chegar aos supostos golpistas e já identificou algumas vítimas.
O golpe consistia na falsificação e confirmação de documentos. O escritório de contabilidade Organotec, estabelecido no 3.º andar do Edifício Pioneiro, sala 305, é apontado pela polícia como sendo a central dos estelionatários. Seria desse escritório que partiam as informações, falsificações e confirmações da dados cadastrais.
O escritório, pertencente a Geni Santana e seus filhos, Ricardson Santana e Robson Santana, tinha dois telefones - 234-5018 e 224-2727 - que seriam utilizados para passar informações falsas.
O golpe, de acordo com os delegados, consistia em falsificar Carteiras de Trabalho, RGs e holerites que serviam para a compra de mercadorias no comércio local. As carteiras eram emitidas com nomes
"frios" e o registro era feito em nome de empresas que já tinham encerrado suas atividades.
De acordo com a polícia, de posse das carteiras, os estelionatários iam até as lojas e faziam as mais diversas compras. Apresentavam a carteira como documento e forneciam os telefones do escritório para confirmação. Ao ligar, o funcionário do estabelecimento comercial era atendido por um dos golpistas, que confirmava que aquela pessoa era funcionária e o salário recebido por ela.
A investigação descobriu, ainda, que algumas compras foram realizadas com cheques em nome de Patrícia Elaine Anunciação, uma das acusadas. Também nestes casos os telefones do escritório teriam sidos fornecidos para confirmação dos dados cadastrais. As mercadorias compradas com o golpe seriam divididas entre os acusados, de acordo com a polícia.
Durante as investigações, a polícia descobriu, ainda, que as instalações do escritório da empresa Arizona Comércio de Plásticos ME também estaria atendendo telefonemas de estabelecimentos comerciais e confirmando dados cadastrais falsos. A DIG/Garra apreendeu vários bens adquiridos pelos acusados de formar a quadrilha: André Luis Pedroso Rodrigues Dias, Éter Alves Barbosa, Patrícia Elaine Anunciação e Antônio Donizete Freitas da Silva.
Apreensões
No escritório Organotec a DIG/Garra apreendeu farto material que seria usado nos golpes. Dentre eles, várias Carteiras de Trabalho; notas fiscais "frias" de empresas que já encerraram suas atividades; carimbos falsificados de cartório; carimbos falsificados da emissão de RG; talão de notas "frias", certidões e RGs "frios".
Além da documentação, foram apreendidos um fogão; uma geladeira, um televisor, impressora, computadores, roupas, dois fax-símile, jogo de sofá; ferramentas, violão, tapetes e inúmeras mercadorias de menor valor.
Investigações continuam
Segundos os delegados encarregados da investigação, o trabalho continua. "Existem outros escritórios e pessoas envolvidas, cujos nomes ainda não foram confirmados, mas que estão sendo objetos de investigação." Os delegados lembram que no último dia 30 de agosto a Polícia Federal autuou em flagrante uma pessoa de nome Rogério.
Ele estava tentando sacar os valores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) com documentos falsos. "O Robson Santana também foi detido e encaminhado à Polícia Federal. A partir daí, foi feita uma apuração conjunta para esclarecer os crimes", disse.