O sol nas peles morenas e negras
O sol nas peles morenas e negras
Quem tem pele escura, ou seja, uma grande porcentagem da população brasileira, tem mais proteção contra os raios solares do que quem tem a pele mais clara. Mas isso não significa que se pode abusar do tempo de exposição ao sol.
Vermelhidão, ardência, inchaço, manchas, ressecamento e marcas de expressão são alguns dos efeitos nocivos do sol, comuns às peles mais claras, e infinitamente minimizadas nas peles negras e morenas. Por quê? As peles brancas são muito mais sensíveis que as escuras. Pesquisas recentes comprovam que, graças a essa resistência, o câncer de pele é pouco freqüente na raça e sua incidência se torna menor quanto mais morena for a pele. Isso porque as peles negras têm na melanina um importante fator de proteção natural.
A melanina é uma substância que se encontra na camada mais profunda da epiderme e que, quando estimulada pela radiação solar, aparece na camada mais superficial, chamada córnea. Já o melanócito, onde se encontra a melanina, o pigmento natural das peles negras. Além da melanina, a resistência das peles negras e morenas também se deve à maior oleosidade natural, por isso possuem uma proteção permanente contra os raios solares. Existem várias diferenças da pele branca para a negra, dentre elas o extrato córneo. Os dos negros tende a ser mais espesso, porque as melanossomas, que fabricam a melanina, possuem uma distribuição irregular, proporcionando uma maior pigmentação.
Por causa desta pigmentação, o ressecamento, a oleosidade excessiva entre outros problemas são mais comuns nas peles escuras. Este tipo de pele pode ser oleosa, na face, e seca no restante do corpo, principalmente nos cotovelos e joelhos. Devido ao acúmulo de células mortas (que são brancas), a pele dos negros apresenta uma aparência "acinzentada", descascando e ficando visível.
Os homens negros possuem um problema mais incômodo e maior, a ocorrência dos pelos encravados e a inflamação que aparecem após o barbear. Evitando esta situação, alguns homens preferem não se barbear ou evitar o uso da lâmina.
Por possuir a maior parte da pele do corpo seca, é indicado aos negros o uso de um hidratante com a ação dos emolientes, pois a propriedade da retenção de umidade dos silanóis (regenera o sistema de autohidratação cutânea) combinados com as resinas hidrossolúveis, polyox e os polímeros especiais, compensa a perda de água, mantendo a pele macia, suave e aveludada, sem o aspecto oleoso.
Como a pele do rosto é mais oleosa, é indispensável uma boa higienização diária, pois a gordura natural eliminada pode ser contaminada por bactérias não patogênicas (não causam doenças), ocasionando o surgimento de acne e de odores desagradáveis. A esfoliação, realizada por peelings cosméticos, também é importante para remover as células mortas e evitar asperezas. A distribuição das glândulas sebáceas no corpo e na face é bastante desigual. Enquanto a face, região das orelhas, peito e costas contam com cerca de 400 a 800 glândulas sebáceas por centímetro quadrado, a média em todo o resto do corpo é de 80 a 100. Exatamente por isso, a hidratação facial deve ser realizada com produtos leve, sem gordura, em forma de gel ou creme gel, sempre com filtro solar.
Manchas de sol
O problema de manchas nas peles negras é relativamente menor, do ponto de vista estético, já que o contraste entre a pele normal e as partes hiperpigmentadas não é tão sensível. O mesmo não acontece quando se trata de cicatrização. As peles negras têm uma tendência maior à formação de quelóides, caracterizados pelo acúmulo de células mortas nas cicatrizes, e de xirodermia (ressecamento) em geral, como conseqüência do excesso de sebo e da falta de hidratação, características deste biotipo cutâneo. Assim as seqüelas dos problemas comuns, como acne, podem ter proporções maiores nas peles negras.
O tratamento de manchas e mesmo de quelóide pode ser realizado com o uso controlado de ácidos, que afinam a pele e diminuem as cicatrizes. Esses procedimentos, porém, devem ser muito bem orientados para que não acabem provocando problemas de hipercromia (excesso de pigmentação) ou hipocromia
(escassez de pigmentação).
É falsa a afirmação de que a pele negra não fica sensibilizada após a exposição ao sol. Apesar de possuir uma maior proteção natural, este tipo de pele também pode ficar inflamada, por isso deverá sempre estar protegida sob o sol, com um bom filtro solar.
A estrutura da pele negra é diferente da branca, pois a produção da melanina é diferente, pois está distribuída de maneira mais homogênea por toda a epiderme, ocorrendo o contrário nas pessoas claras. Mesmo com uma proteção natural mais intensa, quem tem pele negra não pode deixar de procurar um dermatologista e/ou um esteticista, para tratar corretamente os eventuais problemas da pele.
Prós e contras das morenas
Divididas em três grupos distintos de acordo com a sensibilidade em relação ao sol, pele as morenas (claras, médias e escuras) apresentam uma combinação do que há de melhor nas peles brancas e nas negras. Mais suaves ao toque e de textura delicada como as peles brancas, as morenas têm a vantagem de possuir maior oleosidade natural e mais resistência como as negras e, por isso, não envelhecem com facilidade. Em contrapartida, podem descascar em conseqüência da ação do sol, como as brancas.
Sob o sol, as peles morenas demoram mais tempo para ficar avermelhadas, não costumam inchar com facilidade e escurecem rapidamente. Mesmo as partes que dificilmente são expostas, como costas e barriga, passam da tonalidade clara à morena escura naturalmente, sem avermelhar nem proporcionar ardência. Os cuidados com a proteção solar devem seguir uma regra bem lógica: quanto mais clara for a pele morena, maior devem ser os cuidados e o FPS de bronzeadores e bloqueadores na praia ou piscina.
Recuperando a sua pele
Se você já estiver carregando manchas, "descascados" e ressecamento, é hora de tomar providências bem rápido.
Esfoliação e hidratação são as palavras de ordem para recuperar a beleza e maciez da pele.
"A desidratação da pele nessa época do ano é muito comum", observa o Dr. Marcelo Ariel Schulman, coordenador da Faculdade de Farmácia com Especialização em Cosmetologia Estética da Universidade Anhembi Morumbi.
"Como o organismo perde mais água do que repomos, a pele vai ressecando e as células da superfície vão descamando, provocando o ressecamento e a aspereza", completa Schulman.
O Processo de Bronzeamento
Pouca gente sabe, mas as manchas, além de provocadas por agentes químicos, também podem surgir em conseqüência do processo natural que estimula a melanina do organismo. "À medida em que é exposta ao sol, a pele fica mais morena devido ao processo que as radiações ultravioleta A e B desencadeiam no organismo. Estimulado pelos raios solares, o pigmento natural da pele (melanina), que até então estava adormecido, entra em ação e começa a escurecer a epiderme (camada superficial da pele)", explica o Dr. Schulman. Depois que a pele deixa de ser exposta ao sol, o organismo desencadeia um processo inverno e é nesse momento que as manchas podem aparecer. "Quando acabam as férias, a melanina que estava sendo estimulada começa a ser degradada pelo organismo gradativa e irregularmente. Como conseqüência, a pele poderá apresentar uma coloração irregular, dando origem às famosas manchas de sol", conclui. Para eliminar as manchas, homogeneizar e hidratar a pele, três passos são fundamentais: esfoliação, higienização e desidratação com proteção solar.
* Esfoliação: o ideal é aplicar uma gomage ou um peeling à base de microesferas de polietileno para eliminar as células mortas e as asperezas.
* Limpeza: para eliminar as toxinas e contaminantes que a pele hospeda, é fundamental limpá-la com uma emulsão não muito oleosa, à base de algas e extratos vegetais.
* Hidratação Profunda: deve ser realizada com cremes hidratantes à base de abacate, uréia, alphahidroxiácidos, algas marinhas, vitaminas A, C e E e filtro solar.
Se as manchas persistirem, é aconselhável evitar a exposição solar até que a pele volte à cor natural.