08 de julho de 2026
Geral

Incendiário

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Maníaco ataca Marília há 8 meses

Maníaco ataca Marília há 8 meses

Texto: Marcos Zibordi

Investigações emperram na aparente falta de "lógica" dos ataques incendiários

Marília - Quando quatro carros foram incendiados criminosamente na madrugada do dia 14 de janeiro, no início deste ano, ninguém em Marília imaginou que o número de ataques, oito meses depois, somaria 47 veículos destruídos até este fim da semana, entre carros velhos, novos e semi-novos, alguns caminhões e utilitários. Agindo há 37 semanas e com todo o corpo policial da cidade mobilizado em sua captura, o responsável pelos ataques não deixa pistas e nenhuma lógica aparente nos crimes permite traçar um caminho até seu autor ou autores.

Os indícios recolhidos até agora não passam de deduções básicas sobre os atos do maníaco.

É muito provável que utilize motocicleta por ser o meio mais rápido e versátil na fuga. Alguns ataques na mesma madrugada, em pontos distintos e distantes da cidade e com um intervalo de tempo muito pequeno entre eles, leva os responsáveis pela investigação a trabalharem com a hipótese dos incêndios serem obra de um grupo.

O intervalo entre os ataques, o tipo de veículo e as ruas em que as ações acontecem também variam muito. Apesar de se concentrarem nos bairros Alto Cafezal, São Miguel, Palmital e Castelo Branco, ninguém até agora conseguiu uma pista certa sobre a autoria dos crimes, mesmo com a instituição de uma recompensa de R$ 5 mil por parte da Prefeitura de Marília para quem passar informação sobre ele.

A média é de um ataque em cada cinco dias, mas com intervalos bem maiores em alguns meses. Em março, por exemplo, ele não agiu. Em 21 de julho queimou seis carros seqüencialmente na mesma madrugada. Na semana passada, quando queimou o 47 º veículo, estava há quase um mês sem agir. A variação é seu método.

A única certeza quanto à linha de ação do piromaníaco é que os ataques ocorrem sempre de madrugada, com álcool sendo despejado no respirador do veículo e ateado fogo. Outra característica dos incêndios é a maioria dos carros queimados estarem estacionados na via pública, o que faz pensar que ele procura pelo descuido de alguém ao invés de ter uma vítima marcada.

Diante do quadro, a investigação pouco rendeu até agora, apesar dos esforços. Um retrato falado foi divulgado em Abril sobre um homem de 40 anos que usava uma bicicleta azul. Ninguém com estas características foi detido. Em maio, um homem que carregava um frasco de gasolina foi detido pela polícia por ter jogado o produto fora ao ver a viatura. Alegou que usava a gasolina para limpeza de peças, prestou depoimento e foi liberado. Em junho, a Polícia Militar divulgou que três homens carregando garrafas com álcool foram detidos. O delegado Cláudio Anunciato considerou-os indigentes e eles foram liberados. Em julho, um adolescente foi preso por ter colocado fogo num caminhão no jardim Marambaia. Ficou 20 dias sob custódia, alegou estar dormindo na hora do incêndio e foi liberado por falta de provas.

Para complicar ainda mais a situação, alguns casos de incêndio em carro ocorridos no período atribuído ao suposto piromaníaco, não passaram de vinganças pessoais e, alguns, até de explosão espontânea do motor do veículo. Até agora, portanto, não se sabe exatamente quantos veículos foram queimados por uma pessoa ou grupo, entre os 47 contabilizados até agora.

Dificuldade numérica

Sob pena de "atrapalhar a investigação", a polícia não divulga o número de agentes envolvidos na caça ao incendiário. Sabe-se que uma grande investigação está sendo feita entre as polícias Civil e Militar e que até funcionários administrativos estão fazendo um turno noturno extra para reforçar o trabalho.

Mesmo sem saber o número de policiais mobilizados, um raciocínio matemático é o suficiente para demonstrar o quanto

é difícil surpreender o incendiário em suas ações, que não devem demorar mais do que 30 segundos cada uma.

Marília tem uma população de 210 mil habitantes, espalhados por 223 bairros na cidade. Numa área urbana de mais de 42 mil metros quadrados, fica muito difícil cobrir uma extensão que possa garantir a segurança dos mais de 90 mil veículos cadastrados em Marília.

Com um ou vários loucos agindo na cidade, polícia e bandido contam com o acaso e a sorte em suas ações. O incendiário pode ser surpreendido por um dos vários destacamentos envolvidos na prevenção e investigação e ser detido. Da mesma forma, a sorte pode continuar favorecendo o incendiário, ao ponto dele tomar atitudes ousadas como a de queimar um carro nas imediações do Corpo de Bombeiros.