Saúde negocia espaço para transferência de animais do canil
Saúde negocia espaço para transferência de animais do canil
Texto: Adriana Rota
A Secretaria da Saúde está empenhada em conseguir junto à Prefeitura uma área e a mão-de-obra necessárias para a construção de um abrigo para os cães e gatos que atualmente ocupam a área do canil e gatil municipais, cedida por alguns anos para a União Internacional Protetora dos Animais (Uipa). A retomada deve-se
à não existência de espaço físico para a colocação dos animais suspeitos de leishmaniose. O prazo da entidade esgota-se na próxima segunda-feira, mas uma reunião na Câmara Municipal, hoje, deve definir o critério da desocupação.
De acordo com a secretária municipal da Saúde, Eliane Fetter Nunes, a administração da área onde estão instalados o canil e o gatil foi cedida para a Uipa na gestão do ex-prefeito Tidei de Lima, entre 1995 e 1996. Na época, segundo ela, a responsabilidade era da Secretaria Municipal do Meio-Ambiente (Semma), que não tinha profissionais para tomarem conta do local.
Nunes informou que, em janeiro deste ano, o responsável pelo Departamento de Saúde Coletiva pediu ao jurídico da Prefeitura a retomada da área. "Quando retomamos a secretaria, em fevereiro, já havia um parecer favorável nesse sentido. Como eu sabia que esse assunto seria polêmico e não havia a eminência de uma epidemia, preferi
'deixar quieto' e tentar ver se conseguiria outra solução", afirmou.
Segundo a secretária essa solução não foi obtida e nem pode ser vislumbrada, porque não existe previsão orçamentária para a construção de outro canil. A idéia é tentar conseguir junto ao prefeito Nilson Costa a doação de uma área e mão-de-obra para a construção de um abrigo, numa zona periférica da cidade. O material teria de ser obtido com a mobilização da própria entidade.
A secretária contou que há um mês o processo jurídico foi retomado e foi dado um prazo de 30 dias para que a Uipa encontrasse uma solução. A data-limite
é a próxima segunda-feira. "Com a municipalização, Bauru assumiu uma série de ações de vigilância sanitária, epidemiológica e de controle de zoonoses que requerem uma área física para isolamento dos cães, especialmente agora que existe a eminência de uma epidemia de leishmaniose", justificou. "Para se ter uma idéia, foram mais de 2.800 cães em Araçatuba, mais de 200 em Embu e mais de 100 em Cafelândia. Pela explicação dos técnicos, nós estamos na rota da doença".
Além da falta de espaço para a colocação de animais eventualmente contaminados, outro problema é que o Centro de Zoonoses é uma casa dividida ao meio, onde atuam 16 agentes, faz-se autopsias, reuniões e recepção da população. "Nós fomos cedendo espaço para a Uipa e ficando sem área física. No canil e no gatil existem três salas, duas ocupadas pelos membros da Uipa e uma por nós. Eles têm uma função muito importante de proteção animal, mas coexistir no mesmo ambiente fica difícil. Então, vamos ter de separar".
A instituição fica responsável pela manutenção do prédio, feita com dinheiro próprio. Para a secretária, essa atitude faz parte da entidade que escolheram participar.
"É um trabalho voluntário, é assim que funciona", opinou.
O destino dos 80 cachorros e 300 gatos (cálculos da Secretaria)
é incerto, mas a possibilidade de os animais serem sacrificados não foi cogitada até o momento. Uma proposta que será colocada na reunião de hoje na Câmara Municipal, coordenada pela Comissão de Saúde e Meio-Ambiente da casa, presidida pela vereadora Majô Jandreice, é a criação de uma comissão de proteção animal, na qual cinco pessoas ficariam responsáveis pela elaboração de uma política de proteção ao animal. Ações de posse do responsável e controle de população animal da cidade também serão abordadas.
Concluída a reunião, a secretária pretende já ter uma definição sobre as responsabilidades de cada um dos envolvidos na questão. Ela admite que o ideal seria ter tratado a questão há mais tempo, antes da ameaça de uma epidemia, mas diz que os problemas são antigos. "Foi descaso deixar chegar no ponto em que chegou? Foi. Mas não adiante continuar com ações paliativas". Questionada sobre a existência de omissão de administrações anteriores que acabaram deixando a função de cuidar dos animais a cargo da Uipa, Nunes disse que esse é um comportamento que às vezes alguns governos adotam. "O fato teria de estar resolvido antes de haver risco de saúde pública. Acha que eu queria mexer com isso? Eu adoro bicho! Não estamos querendo tomar o espaço por tomar, é que existe necessidade. Não é minha intenção desmerecer o trabalho da Uipa, provocar polêmica, fazer guerra de forças. Não estamos querendo expulsá-las, deixá-las ao relento com os cães e os gatos. É simplesmente um problema de saúde pública. Não vamos fazer cumprir a ferro e fogo esse prazo, porque por enquanto estamos apenas com cinco casos positivos. Agora, se uma epidemia for desencadeada, teremos de fazer alguma coisa. Por isso queremos sentar, conversar e acabar com ese impasse", finalizou.