Estado vai pesquisar cães com leishmaniose
Estado vai pesquisar cães com leishmaniose
Texto: Ieda Rodrigues
Bauru é um dos 216 municípios do Estado de São Paulo que, a partir da segunda quinzena de outubro, vai responder o Inquérito Sorológico em Cães Amostral, uma pesquisa por amostragem para descobrir o índice de contaminação dos cães com leishmaniose. A pesquisa será feita nos municípios num raio de 200 quilômetros a partir de Araçatuba, onde, neste ano, surgiu o primeiro caso de leishmaniose.
Mais de 260 pessoas estão sob suspeita de ter contraído a doença em Araçatuba, sendo que duas já morreram. Os cães contaminados já passam de 2.800, o que configura uma epidemia. Em Bauru, a situação
é menos alarmante, mas já preocupa: existem cinco cães sob suspeita da doença e nenhum caso suspeito em humanos.
A decisão de fazer o inquérito por amostragem é da Secretaria Estadual de Saúde, para conhecer o percentual de contaminação de cães e redefinir a forma de combate à doença. Conforme explicou a diretora da Vigilância Epidemiológica da Direção Regional de Saúde (DIR-10), Márcia Montti, o número de amostras colhidas em cada cidade varia de acordo com o número de habitantes.
Em Bauru, serão coletadas amostras de sangue de cerca de 2.500 cães - a cidade será dividida em setores e de cada setor serão sorteados quadras para a coleta de material. As amostras serão analisadas pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo. A diretora da Vigilância Epidemiológica ressaltou que paralelamente à realização do inquérito, o trabalho de busca em torno de casos suspeitos continua sendo feito.
A pesquisa será realizada por funcionários do Estado e dos municípios envolvidos, que serão devidamente treinados para o trabalho. Na área da DIR-10, 26 municípios serão pesquisados, sendo que Bauru deverá ser um dos primeiros. A previsão é de que o relatório com os dados do inquérito seja concluído em cinco meses.
Sintomas no cão
* O animal contaminado fica apático e emagrece
* Apresenta dificuldades em pisar no chão porque suas unhas crescem exageradamente
* Apresenta dificuldades para se locomover nos membros posteriores
* Apresenta lesões, úlceras que não cicatrizam, nas extremidades do corpo, patas e rabo
Sintomas no homem
* Forma cutânea: úlceras semelhantes as do cão, que crescem rapidamente e de evolução crônica. Esta forma, sozinha, não é dolorosa. As úlceras podem atacar as mucosas da boca e no nariz chega a corroer o osso.
* Forma visceral: é mais grave e pode levar à morte, caso não seja diagnosticada e tratada adequadamente. Tem evolução crônica e provoca aparecimento de gânglios pelo corpo, emagrecimento, anemia, debilidade física progressiva, além do aumento do fígado e baço.