Mais uma CEI e iniciada em Agudos
Mais uma CEI é iniciada em Agudos
Texto: Marcos Zibordi
Desta vez, o legislativo quer saber custo de terraplanagem para Hospital
Agudos - Uma das três Comissões de Assuntos Relevantes (CAR) em andamento em Agudos resultou na instauração de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na sessão do dia 13. Trata-se da investigação sobre a terraplanagem feita num terreno onde seria construído um hospital pela Fundação Véritas, de Bauru. O projeto era da administração anterior, do prefeito Marco Antonio da Silva (PT).
Elias Ferreira de Barros (PTB), que era relator da CAR, diz que alguns documentos e dados recolhidos durante a investigação preliminar levaram ao pedido da CEI. Segundo o vereador, a construção de um hospital era uma promessa antiga. A Fundação Véritas assumiu o Pronto-Socorro Municipal e construiria um hospital na cidade (o que não estava firmado em contrato). A Prefeitura havia doado uma área que foi considerada pequena. O Seminário Santo Antonio fez outra doação de terra que seria suficiente para a construção.
Após o início dos trabalhos, com a terraplanagem ainda inacabada, a obra parou. O que os vereadores querem é justamente saber o quanto foi gasto no trabalho e quem pagou pelo serviço. "A abertura de uma CEI é exatamente para que se possa colocar o ex-prefeito, o pessoal da época e mesmo os atuais, para ver o que realmente foi feito, se foi aberto crédito suplementar, o que foi pago. Na realidade, se prometeu muita coisa e infelizmente não se realizou nada", analisa Barros.
Segundo o vereador, serão ouvidas a Fundação Véritas, o ex-secretário da saúde e o atual, o ex-secretário de obras e o atual e, ainda, os prefeitos Afonso Condi (PSDB) e Marco Antonio da Silva (PT), prefeito na administração anterior.
A CEI tem 90 dias para apresentar o relatório. A pedido do Relatório Final da CAR, que considerou o assunto de extrema relevância, esta CEI terá cinco componentes, ao invés de três, como nas anteriores.
Marcelo Delazari (PPS) é o presidente, João Carlos da Silva (PSDB) é o relator e os membros são Lauro Antonio (PSD), Tarciso Hellinger (PTB) e Evandro Rosso (PSB).
Fundação Véritas
Segundo o Secretário Executivo da Diretoria da Fundação Véritas, Luiz Carlos Duarte de Souza, a Fundação assumiu o serviço de atendimento médico de urgência na cidade em 94. Eles teriam prestado o serviço até 98 e ainda não teriam recebido o pagamento que, segundo Souza, gerou uma dívida de R$ 800 mil.
O secretário diz que não havia um contrato formal prevendo a construção de nenhum hospital, mas sim a intenção de fazê-lo com o dinheiro recebido da prestação dos serviços no pronto-socorro. Como nada foi pago, o construção não ocorreu. Eles teriam, inclusive, devolvido formalmente a primeira área doada pela prefeitura. "A construção dependia então de obter os recursos".
Souza informou ainda que nem os funcionários e o suporte técnico prometidos então pela Prefeitura foram cedidos.
"Nós acabamos colocando por nossa conta. Lógico que o contrato aumentou de valor, porque agregou mais serviços". Ele informou que nenhuma terraplanagem foi executada no terreno. Teria ocorrido uma retirada de terra do lote pela Prefeitura que precisava da terra para fazer um aterro em outro bairro. Souza não soube informar se o trabalho foi executado pela prefeitura ou por empresa contratada.
O ex-prefeito de Agudos, Marcos Antonio da Silva, foi procurado por telefone e pessoalmente pela equipe de reportagem nos últimos dois dias da semana e não foi encontrado.