08 de julho de 2026
Geral

Patrimônio

Andréia A. Ascari
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru perde uma Maria Fumaça

Bauru perde uma Maria Fumaça

Texto: Andréia Alevato Ascari

Uma das locomotivas a vapor - Maria Fumaça -, que estavam em Bauru foi embora para Campinas, no último sábado. Lá, ela será restaurada e colocada em funcionamento, para turismo, no trecho Campinas-Jaguariúna (23 km), no prazo de um ano. Foi o que informou o diretor financeiro da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), Hélio Gazetta.

Segundo ele, a Maria Fumaça será restaurada pela ABPF, que mantém um convênio com a Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Bauru tinha, até sábado, três locomotivas à vapor: uma no Bosque Comunitário, outra que fica no pátio do Museu Ferroviário de Bauru (e que está se deteriorando junto com os vagões) e uma terceira, que ficava perto das oficinas da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), e que foi levada para Campinas. A Associação garante que se a segunda Maria Fumaça que está em Bauru não for conservada, essa também será levada.

"Se ninguém tomar providência e a Maria Fumaça e os vagões continuarem estragando, a ABPF vai intervir e trazer essa máquina também, porque não se pode perder ela não", disse Gazetta.

Em Campinas, três carros, com as cores originais, que eram da Noroeste de Bauru (NOB) estão funcionando. A idéia da Associação é usar a locomotiva e os carros que eram da cidade nos passeios turísticos em Campinas.

Apesar de ter sido levada pela ABPF, a locomotiva continua sendo da Rede Ferroviária Federal. José Ricardo Noronha de Carvalho, engenheiro e assistente no escritório da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) em Bauru, disse que a Maria Fumaça foi transferida para a Associação, onde será recuperada, mas, nada garante que ela ficará lá para sempre.

"A locomotiva continua sendo da Rede. Ela simplesmente foi transferida para lá, para ser recuperada, vai ficar lá por prazo indefinido, mas nada impede que ela retorne para Bauru no futuro, ou vá para outras cidades que queiram manter um patrimônio histórico da ferrovia. Ou ainda, fique em Campinas para sempre", completou Carvalho.

O engenheiro afirmou que a idéia da RFFSA é manter a Maria Fumaça e os vagões do Museu Ferroviário em Bauru, mas, se não houver conservação, a cidade pode ficar sem essa composição também.

"Nós temos todo interesse em preservar esses bens ferroviários em Bauru, assim como o Museu Ferroviário e a Associação dos Amigos dos Museus de Bauru também têm, só que, infelizmente, eles não têm recurso e nem apoio necessário para preservar isso. Tudo que a gente purder fazer para ajudar, será feito, mas nós não podemos deixar que os bens estraguem na nossa frente. Nosso objetivo é preservar isso e se possível, em Bauru", afirmou Carvalho.

Fábio Paride Palota, presidente da Associação dos Amigos dos Museus de Bauru disse saber do risco da cidade perder a outra Maria Fumaça e os vagões. Vale lembrar que um desses vagões foi construído especialmente para as viagens do ex-presidente Getúlio Vargas.

"Nós corremos o risco de perder até essa composição que ficou", disse.

Para que isso não aconteça, Palota faz um apêlo para a toda comunidade.

"Eu sei que a situação não está fácil para ninguém, mas se todos se juntarem, preservar o que é nosso é possível. Se a Associação dos Amigos dos Museus de Bauru, e até o próprio Museu Ferroviário, não conseguir apoio da Prefeitura e Câmara, população e empresários, nós perderemos a Maria Fumaça e os vagões, que não aguentarão o próximo verão e as chuvas", afirmou Palota.

O diretor técnico do Museu Ferroviário de Bauru, Gilson Miguel Aude, disse que a instituição quer preservar o patrimônio ferroviário e até se interessou em se apropriar da Maria Fumaça que foi para Campinas, mas que sem parceiros isso não é possível.

"Contatamos várias empresas, indústrias e entidades representativas, mas ninguém encampou o projeto. A ABPF conta com esses tipos de apoio, nós não. Estamos em via de perder o resto de material histórico que sobrou para Campinas", concluiu Aude.