Em busca doa mar azul
Em busca do mar azul
Texto: Roberta Mathias
Uma tribo de pescadores um pouco diferentes dos convencionais vai invadir o mar aberto em busca dos mais cobiçados troféus da pesca esportiva: os peixes de bico. Neste ano, porém, no Yacht Club Ilhabela, os troféus ficarão registrados apenas nas fitas de vídeo, pois a regra será marque e solte. Só poderão embarcar os peixes que tiverem a possibilidade de quebrar o recorde de Ilhabela. Para isso, é preciso fisgar um marlim azul, por exemplo, com mais de 352 Kg, o que não é muito fácil, porém, não impossível.
A filmadora será a grande aliada do pescador, que deverá registrar o momento da captura, a marcação e a liberação do bico. A equipe ganha 1.500 pontos a cada marlim azul liberado; para marlim branco, 1.000 pontos; e para sailfish, 500 pontos.
Uma comissão julgadora será responsável pela avaliação das gravações e posterior pontuação das equipes, que se preparam com muita antecedência para essa grande aventura oceânica. Cada etapa é um novo desafio aos pescadores, que aprenderam a respeitar todos os sinais enviados pelo mar. E é ele que determina se o dia será ideal para a pescaria, ou não.
Já os peixes oceânicos, como o dourado e atum, deverão ser embarcados, observando um limite de 30 Kg por espécie. Pelo menos 50% dos peixes capturados serão doados a entidades assistenciais de Ilhabela.
Neste ano, uma novidade para os freqüentadores do Yacht Club Ilhabela é o novo pier, que convida para a pescaria. Para a Temporada de Pesca Oceânica 1999/2000, o YCI optou por tercerizar totalmente o evento. Fernando Luigi é o "comandante" da W60 Marketing, que assumiu a responsabilidade da organização. O Campeonato terá o patrocínio da Globalstar e da Cia. Brasileira de Comércio Exterior.
Mulheres e Crianças na pesca
Após o coquetel de abertura, programado para 6 de outubro, a pescaria será da garotada, que promete mostrar sua habilidade no II Torneio Infanto-Juvenil de Pesca, no dia 12, Dia da Criança. As mulheres também conquistaram seu espaço na pesca oceânica. Este é o terceiro ano consecutivo em que as garotas desafiam os pescadores e demonstram que têm firmeza e garra, quando se trata de fisgar e retirar o peixe da água. Sem perder o charme, as mulheres - é claro que com o apoio dos homens - vão enfrentar o mar azul em janeiro.
Com direito a torcida de toda a família, o Torneio Belas e Feras promete agitar bastante o Yacht Club Ilhabela. Além,
é claro, da busca pelos maiores peixes do oceano. Por que não?
Serviço
W60 Marketing
Fone/Fax: (0xx11) 5084-2636 ou 570-4081
e-mail:
w60luigi@uol.com.br
w60silvia@sti.com.br
Calendário da Temporada de Pesca Oceânica 1999/2000
6 Outubro
Coquetel de Abertura da Temporada em São Paulo
12 de Outubro
II Torneio Infanto-Juvenil de Pesca
16 de Outubro
Torneio de Abertura
30 de Outubro
X Torneio de Marlim Azul e VI Desafio Rio-São Paulo
1.ª Etapa
01 de Novembro
X Torneio de Marlim Azul e V Desafio Rio-São Paulo
2.ª Etapa
13 de Novembro
X Torneio de Marlim Azul - 3.ª Etapa
8 de Janeiro
III Torneio Belas & Feras
15 de Janeiro
XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano - 1.ª Etapa
22 de Janeiro
XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano - 2.ª Etapa
24 de Janeiro
XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano - 3.ª Etapa
12 de Fevereiro
Torneio de Encerramento
14 de Março
Coquetel de Entrega de Troféus aos Campeões dos Torneios
************ História de pescador***************
À procura da "dita"
Turma de pescaria, é na minha opinião, uma verdadeira reunião da ONU. Não acredita? Pois vejamos:
Já tive oportunidade de pescar com descendentes de italianos, alemães, russos, peruanos, holandeses, portugueses, bolivianos,
índios, e etc., e etc. O nosso Brasil é uma verdadeira ONU.
Porém como conviver e passar alguns dias de pescaria, fazendo de tudo para não rir, não chorar, e não gozar o companheiro, que por uma herança genética, possui aquela vasta região capilar completamente lisa. Sem um só fio de cabelo? Complicado não? Ainda mais em uma pescaria, e se, ainda por cima, o nobre companheiro procurar escondê-la com aquela sua inseparável "peruca".
Complicou ainda mais não? Pois bem, a história que vou contar-lhes hoje, trata-se justamente de um grande companheiro de pescaria, descendente de árabe, que não vou dizer o nome, por motivos óbvios, o qual aqui vou tratá-lo apenas e carinhosamente de "Gordinho".
Partimos para o Pantanal, meados de setembro, aquele calor infernal, camionete sem ar-condicionado, tudo bem que era ainda 5 horas da manhã, mas o que dizer por volta das 3 horas da tarde, quando já estivéssemos próximos de Miranda
- MS. Já imaginou o calor? E como você, leitor, acha que "ele", deveria estar se sentindo?
Suor descendo pelos quatro cantos, desodorante totalmente vencido, boléia cheia de "peludos". Olha, só de pensar, fico com dó. Dó de verdade do nosso amigo
"Gordinho".
Durante toda a viagem, o que não faltou foram tentativas de incentivo para que o nosso companheiro retirasse a vasta cabeleira, pois ali entre nós, que diferença iria fazer se ele tinha ou não cabelo.
Sabíamos que debaixo daquela peruca (vale a pena ressaltar, que não se tratava de nenhuma "prótese" importada não, foi feita sei lá por quem, mas não era nada de muito "granfina"), não existia nada a não ser uma vasta região, sem um só fio de cabelo para contar a história.
Sem dizer que aquilo estava se tornando, já no início da viagem, um bom motivo para chacotas e piadas, como sempre por sinal. É pelo clima da pescaria e pelo andar da carruagem, o "Gordinho" dessa vez não iria sair ileso.
Pescaria já pelo terceiro dia, as tentativas de animar o companheiro em deixar por definitivo o uso da peruca começavam a surtir o efeito desejado. Porém alguma coisa ainda o deixava preocupado. Pois o que as pessoas que o conhecem, ou que apenas "desconfiam" (se bem que olhar "aquilo" e apenas "desconfiar", é hilário), achariam da novidade. Sei lá, alguma coisa ainda o preocupava.
No quarto dia, calor de 45 graus, à sombra. É mole? Olhei para o "Gordinho", que sentado, só de calção, olhava atentamente para dentro do rio, onde todos nós tomávamos banho, na tentativa de aliviar o forte calor. Alguma coisa me chamava a atenção, pois ele estava muito pensativo, tinha o olhar fixo em algo muito importante que estaria por acontecer. Suando por todo que era lado, imaginem como deveria estar sua cabeça debaixo daquela "maldita" peruca. O que haveria ele de fazer?
Quando numa fração de segundo, ele, com toda a vitalidade de um garotão na flor da idade, saiu em disparada, e como uma flecha, num mergulho olímpico, atirou-se para dentro do rio, buscando alívio para aquele calor insuportável, que, para ele, era o pior de todos, por força das circunstâncias,
é evidente. Pois não é fácil para quem tem vontade de dar um mergulho e não pode por algum motivo... O dele era mais do que particular.
Alguns segundos se passaram, todos atentos, aguardavam seu retorno. Quando ele surge bem à nossa frente, a apenas alguns metros de onde estávamos. Ele todo alegre e aliviado do calor, e por incrível que possa parecer, sem que ainda soubesse, sem a sua "inseparável" peruca.
Sim a peruca. Não tinha como não rir. Rir de gargalhar, pois sua lustrosa careca, enfim, aparecia, para que todos pudessem, pela primeira vez, olhar, branca como uma vela, brilhante como tal.
Ao perceber que todos estavam rindo à sua volta, como que num gesto automático, ele passou as mãos pela "careca" e, percebendo que ali lhe faltava algo, mergulhou novamente na tentativa de localizar a já perdida peruca. Estava selado, naquele momento, o fim da tão falada, comentada e sofrida
"prótese capilar" do Gordinho.
Daquele momento em diante, palavras de conforto e de solidariedade não lhe faltavam, pois após horas e horas de busca na tentativa de localizar a "dita", as diligências foram suspensas. Não havia mais nada o que fazer, era enfrentar e agüentar.
Pescarias têm dessas coisas, mas o que despertou a atenção de todos, ao chegarmos de volta, não foram os peixes que trouxemos, mas sim a forma de como teríamos agido para conseguir fazer com que o "Gordinho" deixasse de usar algo que, não sabemos por quantos e quantos anos, foi sua companheira inseparável.
Pudemos comprovar, dias, semanas e meses depois que, saber todos sabiam, apenas faltava coragem ao nobre colega.
São assim esses bons momentos de pesca! Que bom!!!
Antonio Carlos Pavanato
É corretor de seguros, pescador nas horas vagas e contador de "causos"