07 de julho de 2026
Geral

Preço do álcool

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 4 min

Postos divergem sobre motivo do aumento do álcool

Postos divergem sobre motivo do aumento do álcool

Texto: Luciano Augusto

O aumento do preço do litro do álcool combustível em Bauru, na semana passada, de R$ 0,49 para R$ 0,59, continua um ponto de interrogação. Percorrendo diversos postos da cidade ( cinco postos de bandeiras diferentes), ontem, cada um apresentou uma explicação diferente para justificar o aumento de mais de 20% no preço. O litro da gasolina permanece em R$ 1,25, para os pagamentos à vista.

Num posto da avenida Nuno de Assis, o gerente disse que a justificativa da distribuidora foi o surgimento de um atravessador, a Bolsa Brasileira do Álcool (BBA). A bolsa teria aumentado entre R$ 0,10 e R$ 0,12 o preço de custo do combustível, que teve que ser repassado para o consumidor.

Já em outro posto, desta vez na Avenida Nações Unidas, a alegação do gerente foi de que o preço do litro do álcool foi reajustado porque houve aumento no custo da matéria-prima. A substância Nitro, segundo o gerente, o mais caro componente químico usado na fabricação do álcool, sofreu um aumento praticamente igual ao do reajuste.

Na mesma avenida, o gerente de um outro posto informou que o reajuste veio direto da rede proprietária do posto e que não houve maiores explicações. Simplesmente, a matriz informou o novo preço, de R$ 0,59 para o álcool, que está sendo praticado desde terça-feira.

O gerente de um outro posto, na avenida Octávio Pinheiro Brizola, explicou que o custo do combustível já havia sofrido reajuste há algum tempo, mas que, um acordo entre os postos manteve o preço final em R$ 0,49. Agora, na semana passada, a distribuidora anunciou o novo preço, R$ 0,599, sem dar outras explicações.

"Aumentou porque (o preço) é livre. Cada um põe o preço conforme a sua planilha de custos", afirmou o gerente de um posto na avenida Getúlio Vargas. Considerando essa explicação, supõe-se que todos os postos de Bauru têm planilhas de custos bastante similares.

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (que também abrange o álcool combustível), Davilço Graminha, afirmou que "preço

é uma questão delicada", que segue a planilha de custos da empresa e cada revendedor tem a sua explicação para aumenta-lo.

O presidente do sindicato informou que a única medida do sindicato é fornecer ao associado uma planilha para cálculo destes custos.

Adulteração de combustível

Sobre a qualidade do combustível comercializado pelos diversos postos em Bauru, Davilço Graminha, afirmou que a cidade não está livre da possibilidade de estar consumindo combustível adulterado, principalmente em relação

à gasolina. "Nós em Bauru não deixamos de correr o risco (de estar utilizando combustível adulterado)", complementou.

Ele lembra que existem 174 distribuidoras no País e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) exige unicamente que a empresa fornecedora do combustível esteja legalizada junto ao órgão. A compra do combustível é liberada para os postos que não têm contrato com nenhuma companhia. Segundo o presidente dos donos de postos de combustível na região, são vários os casos de adulteração de combustível registrados.

Por outro lado, Graminha explicou que como o combustível consumido na cidade é quase que totalmente proveniente de Paulínia, região de Campinas, comprado de grandes redes distribuidoras o risco de serem detectadas algum tipo de mistura no combustível diminui.

"Já estivemos, inclusive, realizando uma caravana para Brasília denunciando esta prática escandalosa que, infelizmente, é uma realidade", argumentou Graminha.

O conselho de Davilço Graminha para o consumidor é fazer o abastecimento em um posto de confiança e "não acreditar em milagres".

Os milagres, destaca o presidente do sindicato dos postos, são os preços muito baixos. De acordo com Graminha, há duas situações possíveis que explicam os preços baixos: a primeira é quando a concorrência entre os postos está acirrada, forçando a queda dos preços; e a segunda situação é a redução dos custos por sonegação de impostos (principalmente do ICMS) ou a mistura de solventes ao combustível. "Certamente um preço absurdamente baixo é um indicativo de que pode estar ocorrendo alguma mistura".

Vale lembrar que a sonegação, com as mudanças na tributação, ficou dificultada. Como disse Graminha, os impostos passam a ser recolhidos diretamente nas empresas produtoras, no caso a Petrobrás e as usinas, que repassam para o Estado.