Telefonica deve dispensar 1400 em terceirização
Telefonica deve dispensar 1400 em terceirização
Texto: Luciano Augusto
A Telefonica, empresa de telefonia fixa que atua no Estado, irá dispensar, a partir de 1.º de outubro perto de 850 funcionários, da área de manutenção de telefones públicos. Outros 600 trabalhadores das áreas de logística e mais 50 do centro de reparos de aparelhos, em São Paulo, também deverão ser dispensados numa segunda etapa. As demissões fazem parte de um processo de terceirização destes serviços.
Em Bauru, aproximadamente 70 funcionários devem perder seus empregos.
O diretor de comunicação corporativa da Telefonica, Carlos Eduardo Jardim, afirmou que estes trabalhadores "farão parte de um novo modelo de gestão, onde serão acionistas de sua própria empresa". Essa nova empresa, a Toptel, irá prestar os mesmos serviços à Telefonica e também a outras empresas de telefonia.
Jardim argumentou que a medida faz parte de uma estratégia para procurar melhorar a qualidade da prestação do serviço e o desempenho da empresa espanhola, ampliando o atendimento da telefonia fixa. "Há, inclusive, uma adesão muito grande dos funcionários, motivados pela oportunidade de abrir o próprio negócio", complementou.
De acordo com o executivo da Telefonica, após a privatização da Telesp (ex-empresa estatal que respondia pela telefonia fixa no Estado), anunciada em setembro do ano passado, já foram demitidos quatro mil funcionários. No mesmo período foram contratados mil novos trabalhadores.
A reestuturação interna, coordenada pela empresa de consultoria francesa BPI, depende da aprovação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Sindicato
Contrariando a afirmação de Carlos Eduardo Joaquim, o diretor regional do Sindicato dos Empregados em Empresas de Telecomunicações e Operadores de Mesas Telefônicas no Estado de São Paulo (Sintetel), José Carlos Guicho, disse que "o sindicato é totalmente contrário a essa terceirização mas, como é uma tendência do processo de globalização, não há como barrar. Ou você alia-se a ele, para que seja menos traumático, ou então eles simplesmente demitem".
De acordo com Guicho, o sindicato acordou com a Telefonica que os trabalhadores que estão saindo não teriam perdas salariais e deverão ir para a cooperativa com os mesmos vencimentos.
Todos os mais de 1400 funcionários demitidos terão direito a todos os ganhos rescisórios e ao plano de demissão incentivada. Terão ainda seis meses de cesta básica e assistência médica e mais 33% do tempo trabalhado, para quem tem menos de 10 anos na empresa. Para aqueles com mais de 10 anos o percentual sobe para 50%, de acordo com o salário-base. A indenização está limitada em oito salários.
Com a cooperativa, os trabalhadores passam a ser autônomos, descaracterizando o vínculo empregatício com a Telefonica, e terão que arcar com o recolhimento dos impostos e encargos sociais. "Esta é uma outra preocupação do sindicato, porque nós não temos uma cultura de recolhimento de INSS como autônomo e será preciso orientar o trabalhador para ele não ser sobretaxado no final do ano", finalizou o diretor regional do Sintetel.
Os demitidos ganham cerca de R$ 750,00 mensais. Segundo cálculo do presidente do Sintetel, Almir Munhoz, seria necessário uma retirada mensal de R$ 1.200,00 para que o trabalhador pudesse arcar com os encargos sem perdas.