07 de julho de 2026
Geral

Fuga

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Cinco reeducandos abandonam IPA

Cinco reeducandos abandonam IPA

Texto: Ieda Rodrigues

Dois reeducandos do Instituto Penal Agrícola (IPA) abandonaram o presídio na madrugada de quarta-feira e outros três na quarta-feira à noite, após um tumulto entre os reeducando que deixou oito deles com ferimentos generalizados. Nas duas ocasiões, agentes penitenciários foram ameaçados com estiletes e arma de fogo e presenciaram a evasão.

O primeiro abandono ocorreu por volta da 1 hora de quarta-feira. Dois agentes penitenciários, afirmaram, em boletim de ocorrência registrado no 1.º Distrito Policial, que o reeducando Ismaildo José Lopes, 31 anos, na madrugada de quarta-feira, foi avistado por um agente fora do seu alojamento. Indagado, Lopes teria informado que saiu do alojamento para evadir-se do instituto.

Então, o agente penitenciário, para acionar os seus colagas e tentar evitar a evasão, apitou. Lopes teria corrido em direção ao agente, sacado uma arma de fogo e dito que lhe mataria. O agente, devido as ameaças, teria saído correndo em busca de socorro, quando caiu e sofreu uma torção na perna direita.

Em seguida, o reeducando Lopes teria se encontrado com um colega, Leonaldo Monteiro da Silva, 43 anos, que também iria abandonar o IPA. Nesse meio tempo, outro agente penitenciário em serviço que ouviu o apito de alarme foi averiguar o que estava ocorrendo. Esse agente teria se deparado com os dois reeducandos

- Lopes e Silva - no pátio pegando bolsas com seus pertences.

Indagado pelo agente, Lopes teria sacado o revólver novamente, o ameaçado, e dito que só queria ir embora. Ambos os reeducandos teriam seguido em direção ao alambrado, fato presenciado pelos agentes penitenciário, e deixado o instituto, tomando rumo ignorado.

Em outro boletim de ocorrência, registrado na madrugada de ontem no Plantão Policial, agentes penitenciários informaram que na última terça-feira, às 19h30, cerca de oito reeducandos, encapuzados, mantiveram um agente sob mira de estiletes, sem contudo lhe ferir, para que outros reeducandos pudessem cortar o alambrado que cerca o IPA e sair em busca de drogas, retornando em seguida.

Foram identificados pelos agentes, entre os oito encapuzados, Edson Lohat, Júlio César S. Souza e Airton de Souza Silva. De acordo com os agentes, em represália ao episódio, a direção do IPA retirou algumas regalias de todos os reeducandos, tal como o direito de jogar futebol na rua. Esse atitude teria gerado uma revolta em toda a população carcerária que, na quarta feira, por volta das 22h15, teria passado a agredir fisicamente os oito reeducandos que ameaçaram o agente penitenciário no dia anterior.

Os oito reeducandos, segundo consta em boletim de ocorrência, foram agredidos por cerca de 300 de seus colegas com pedaços de pau e teriam sido jogados de uma altura de cinco metros (do alojamento superior para o pátio). A agressão teria deixado os oito reeducandos com ferimentos generalizados.

Três deles - Rosendo Cristiano de Aguiar, 22 anos, Marcos Dias Gamas, 23 anos, e Arnaldo Tomazeti, 28 anos - provavelmente feridos, anbandonaram o IPA. Outros quatro foram conduzidos ao Pronto-Socorro Municipal, onde foram medicados e liberados. O oitavo reeducando envolvido na confusão não teria sido identificado.

O JC tentou falar com o diretor do IPA, Edilson Vallin, para saber quais as providências serão tomadas após as cinco evasões, as ameaças e as agressões. Ele não foi encontrado e até o fechamento desta edição não retornou a ligação. O delegado titular do 1.º DP, Marcelo Hadadd, instaurou inquéritos policial para apurar os fatos narrados nos dois boletins de ocorrência.