Unesp e Prefeitura discutem revitalização
Unesp e Prefeitura discutem revitalização do Centro
Texto: Adriana Rota
Professores dos departamentos de Arquitetura, Artes e Comunicação da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp), pesquisadores de outras localidades, representantes da Prefeitura de Bauru, dos comerciantes da cidade e de diversos outros segmentos estarão debatendo sobre a revitalização da área central no Automóvel Clube, na próxima quarta e quinta-feiras. O público em geral está convidando a participar e opinar sobre a utilização do espaço do centro da cidade.
O objetivo do ciclo de debates é abrir a discussão sobre melhorias no Centro à comunidade em geral, conhecendo também as experiências de outras cidades como Rio de Janeiro, Curitiba e Ribeirão Preto, e a partir daí, elaborar um documento com as propostas apresentadas, que poderão ser efetivadas a pequeno, médio e longo prazos com a participação da Prefeitura, da Unesp e dos comerciantes do local. Grupos de estudo também deverão originar novos projetos e propostas de melhorias.
A escolha do Automóvel Clube como sede do evento foi proposital: um prédio histórico que merece ser valorizado e preservado, atualmente em processo de retomada de seu antigo estatus na sociedade bauruense. O local, que num primeiro momento representa um obstáculo para os portadores de deficiência - também convidados a opinar sobre a revitalização
- por não possuir elevadores, foi encarado como um mote para que ocorram mudanças efetivas. "Será uma oportunidade de mostrarmos nossa dificuldade de acesso aos prédios públicos", disse a psicóloga Graziela Nishiyama, 27 anos, presidente do Centro de Apoio ao d/Eficiente de Bauru
(CAd/E), para um dos organizadores do evento.
A Comissão de Revitalização da Área Central de Bauru, presidida por Wallace Sampaio, existe desde o final da gestão Izzo Filho, mas só agora se conseguiu unir forças entre os diversos segmentos para tentar viabilizar mudanças positivas para comerciantes, consumidores e moradores da região. A princípio, a preocupação era melhorar o visual. Agora, a idéia é uma revitalização total. O fato de a secretária de Planejamento Maria Helena Rigitano, 41 anos, ser, também, professora de Edificações na Unesp, facilitou o contato.
Extensão à comunidade
O professor de Urbanismo Adalberto da Silva Retto Junior, 35 anos, destaca a importância de a universidade estar expondo à comunidade e, se possível, colocando em prática, os estudos aprofundados que são realizados do primeiro ao último ano do curso. "O papel social da universidade
é apontar a problemática e propor melhorias", afirmou. "Essa é uma forma diferente de entender os problemas da cidade, chamando vários setores para opinar. Não é um projeto de gabinete. Além disso,
é uma possibilidade de os alunos irem além do que
é visto na sala de aula", completou.
A diretora da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação
(Faac), Cleide Biancardi, segue a mesma linha de raciocínio.
"Sabemos que nosso papel é devolver à comunidade o que se constrói na universidade pública. Por muito tempo houve uma angústia grande, por falta de acesso a parcerias. Para a Faac é uma honra mostrar seu trabalho através da competência de seus alunos e professores", afirmou.
Calçadão
Rigitano disse que a política de implantação de calçadões é da década de 70. Em Bauru, ocorreram discussões por anos seguidos, até que em 1990, 1991 finalmente foi colocado em prática. Ela explicou que a maior parte dos comerciantes se opunham porque achavam que a não circulação de carros e
ônibus no local prejudicaria as vendas. Também um problema com os arcos, que impediriam a entrada de caminhões do Corpo de Bombeiros em caso de emergência causou polêmica, obrigando uma restruturação. Mais tarde, os próprios lojistas organizaram uma associação, que arrecada fundos para a manutenção da área, sem ônus para o poder público municipal.