07 de julho de 2026
Geral

Exportação de café

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Brasil regulará mercado de café

Brasil regulará mercado de café

Texto: Paulo Toledo

O comportamento do Brasil em relação às exportações de café, nos próximos meses, vai balizar o mercado internacional em relação aos preços, que atingiram o valor mais baixo dos últimos anos em dólar, chegando a aproximadamente US$ 66,00 a saca de 60 quilos. Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) e membro do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira (CDPC), que retornou, nesta semana, da reunião da Associação dos Países Produtores de café (APPC), em Londres, na Inglaterra, destacou que o País deverá ser o responsável pela recuperação ou crescimento na queda dos preços.

Lima Verde disse que o mercado está extremamente cadente, em termos de preços, já que a saca de 60 quilos está sendo comercializada por R$ 125,00 (cerca de US$ 66,00). Ele destaca que, no papel, a APPC representa 70% do mercado e poderia fazer com que o mercado estivesse funcionando, como fazia a Organização Internacional do Café (OIC), há alguns anos, quando tinha controle dos parâmetros de preços e controle da oferta no mercado internacional.

O problema da APPC é que o Brasil, nos últimos 12 meses, rompeu o acordo e exportou cerca de 6 milhões de sacas além de sua cota, que era de 12 milhões de sacas. O vice-presidente da Faesp disse que esse aspecto foi uma das dificuldades, pois os países produtores e consumidores já não mais acreditam na postura do Brasil.

Um dos propósitos tirados na reunião de Londres

é a retomada da credibilidade da Associação. Mas, o Brasil tem a perspectiva de uma grande safra, em torno de 32 milhões de sacas (os especuladores internacionais falam em 40 milhões para tentar derrubar ainda mais os preços). Para evitar isso, o CDPC, em conjunto com a Embrapa, vai fazer uma pesquisa de colheita, a partir de novembro, para que se tenha um número mais confiável. "A finalidade da Associação vai se definir agora, dependendo do comportamento que os países participantes vão ter para cumprir o acordo", destacou.

A Costa Rica e a Costa do Marfim propuseram um grupo de fiscalização. Mas, o grande problema é que não há mecanismos de punição, caso o Brasil volte a quebrar o acordo. Mesmo porque, se o Brasil, o maior produtor mundial, resolver sair da Associação ela acaba.

Para vice-presidente da Faesp, a única forma de evitar o excesso de exportação é se o País fechar o registro assim que atingir a cota mensal. Lima Verde disse que, se o Brasil respeitar sua cota, haverá um equilíbrio entre oferta e procura de café no mercado, fazendo com que ocorra uma recuperação nos preços, voltando ao nível de US$ 180,00 a saca.

O Brasil tem um consumo interno de 11 milhões de sacas, somadas às 12 milhões que devem ser exportadas (se cumprir as cotas) e mais 4 milhões para produção de solúveis. Então, deverá contar com um excedente de 5 milhões de sacas, o que Lima Verde considera normal. "É uma situação estatística muito boa. É só questão de estatística.

É questão de política", destaca, defendendo que é necessário somente criar mecanismos de defesa dos produtores nacionais.

O vice-presidente da Faesp destaca que a mudança do controle da política cafeeira do Ministério da Indústria e Comércio para o Ministério da Agricultura foi prejudicial, pois os novos negociadores ainda não tem a experiência necessária para lidar com os negociadores internacionais, que têm muita experiência.

Produtores

O líder ruralista destacou que o custo médio de produção no Brasil varia entre US$ 90,00 e R$ 100,00, ou seja, algo em trono de R$ 180,00 por saca. A venda a R$ 125,00 faz a atividade ficar completamente inviável. Então

é necessário recuperar os preços.

Lima Verde destaca que é ilusão achar que a queda do preço para ao produtor possa chagar ao consumidor. Quem ganha são os especuladores. Em Londres, por exemplo, uma xícara de café é vendida a R$ 6,00. Ele destacou que se o governo se fixar no que assinou com a APPC, fechando o registro de exportação quando atingir a cota, a situação pode melhorar.

Atualmente, o presidente da APPC é o embaixador em Londres, Sérgio Amaral (ex-porta-voz do presidente Fernando Henrique Cardoso), que substituiu o embaixador Rubens Barbosa, que está em Washington, nos Estados Unidos. Lima Verde disse que a principal meta do setor é recuperar a credibilidade internacional. Hoje em dia, os países consumidores tratam o Brasil com ironia, pois sabem que podem comprar a quantidade que desejar ao preço que quiser. Por outro lado, os outros produtores não tem instrumentos de punição e têm que acreditar na palavra dos brasileiros, que alegam que o estouro das cotas foi em razão da crise econômica. "Se passar por outra crise econômica, não há garantias que o Brasil não volte a estourar suas cotas. É uma situação muito intranqüila para todos nós", afirmou.

Dívidas

Em razão dessa conjuntura, os cafeicultores brasileiros passam por um momento de dificuldade, já que há cerca de R$ 600 milhões em dívidas, principalmente junto ao Funcafé, vencendo no dia 30. Ontem, havia uma negociação em Brasília para que o prazo fosse prorrogado. O Ministério da Fazenda era contra a negociação. Os produtores querem pagar uma parte e escalonar o restante da dívida. A solução tem que sair nesta semana.