07 de julho de 2026
Geral

Carro zero

Luciano Augusto
| Tempo de leitura: 6 min

Fim do acordo dos carros provoca corrida às concessionárias

Fim do acordo dos carros provoca corrida às concessionárias

Texto: Luciano Augusto

Com o fim do acordo emergencial firmado entre as montadoras de veículos, Governo do Estado e sindicato dos trabalhadores, que termina nesta quinta-feira, os veículos 0 km terão seus preços reajustados. Com isso, no

último final de semana, algumas concessionárias da cidade registraram aumentos nas vendas de mais de 300% em comparação com os finais de semana anteriores.

Como todas as concessionárias têm unidades em estoque, os preços devem permanecer iguais por mais alguns dias, mesmo depois do fim do acordo. Os carros faturados após o dia 23 de setembro, segundo os concessionários, poderão ser reajustados em até 22%.

A medida reduziu a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros populares para 7% (deve voltar para 10%). Já a alíquota do IPI para os demais modelos, que hoje está em 20%, deverá variar entre 25% e 30% (dependendo do modelo do veículo). O acordo também havia diminuído a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços

(ICMS) de 12% para 9,5%, mas um mandado de segurança impetrado pelo Governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), proibiu a cobrança de alíquotas diferenciadas do imposto entre os 26 estados da Federação, e a alíquota do imposto voltou ao seu antigo percentual.

A assessoria de imprensa da Ford, em São Paulo, informou que a empresa estava estudando a situação e que não havia, ainda, nenhum pronunciamento oficial sobre os índices de reajuste. Segundo a Ford, deve haver aumento de preços e "alguma correção de custos" por parte da montadora.

Job Terrin Júnior, gerente de vendas de veículos novos da Disbauto Ford, 34 anos, afirma que está sendo estimado um reajuste de até 22%, formados por 15% das montadoras mais 7% de IPI. Isso porque, segundo ele, as montadoras estariam com essa defasagem nos preços dos componentes desde o primeiro acordo (formalizado em abril deste ano).

Pensando em economizar alguns reais antes do término do acordo, os consumidores compareceram às lojas nos últimos dias e provocaram um certo agito no mês de setembro que, segundo as concessionárias, vinha mostrando queda nas vendas.

De acordo com Terrin Júnior, da Disbauto, no último final de semana, a concessionária comercializou 37 veículos. Em outros finais de semana, o normal era vender pouco mais de 10 unidades. "Foi um crescimento de mais de 300%", comemora o gerente de vendas. Os modelos mais requisitados pelos clientes novamente foram os populares, com motor de mil cilindradas.

Na Fiat, a assessoria de imprensa argumentou que esse era um acordo setorial, feito pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), e que todas as informações seriam dadas pela associação após o término do acordo. Mas que, "provavelmente", ocorrerão reajustes.

As revendas, por seu lado, esperam um período mais complicado com o fim do acordo. Mesmo com esta previsão de mercado ruim, poucos acreditam na renovação da medida.

O gerente geral da concessionária Fiat, Meta Veículos, Aldemar Deângelo, 37 anos, é um dos que não demonstram grandes esperanças na renovação ou, até mesmo, na prorrogação do acordo. "Não existe a menor alternativa para isso", lamenta Deângelo. Ele diz que "o aumento é certo", justamente porque não houve reajuste desde o acordo inicial e não é mais possível segurar os preços neste patamar.

De acordo com ele, o mês de setembro, foi o segundo pior mês do ano, devendo fechar em 30% a menos em vendas em comparação com agosto. "Só não foi pior do que fevereiro", lembra.

Mais confiante, Nilson Simão, sócio-proprietário da concessionária Simão Ford, "espera" que o acordo seja reativado. Caso contrário, diz, os preços irão ficar até 12% mais salgados. Simão comenta que, pelas montadoras, o acordo seria mantido mas que, se o Governo repassar o aumento do IPI (que também incide sobre o ICMS),

"o reflexo deverá ser ainda maior".

Ele confirma as boas vendas dos meses de julho e agosto, quando viu sua quota ser ultrapassada em 20% do total inicialmente previsto. Por outro lado, Simão também confirma "o fraco desempenho" deste mês. Notou, porém, um aquecimento nas vendas da última semana,

"pressionado pela expectativa da alta", que deve se prolongar até o final do estoque, provavelmente na segunda-feira.

No escritório regional da General Motors em Bauru (fabricante da marca Chevrolet), o gerente de operações, Paulo Ortiz, afirma que o aumento no faturamento bateu os 70% no último final de semana em comparação com os outros finais de semana de setembro. "Para esse final de semana esperamos um movimento maior ainda", adianta Ortiz.

Pela sua análise, encerrado o acordo emergencial, o preço final dos veículos novos deve subir entre 10% e 12%. "O aumento é certo porque não vai haver renovação". Além disso, resíduos das perdas acumuladas desde abril também irão ser repassados.

Carlos Rocha, 52 anos, gerente regional do escritório da Volkswagen em Bauru comentou que "com a volta da alíquota do IPI, sem dúvida, terá aumento automático", talvez entre 11% e 12%. Rocha afirma que o adiamento do acordo já foi feito com a decisão de que ele vigoraria somente até o final de setembro.

Ele aposta, entretanto, numa redução do número de impostos por parte do Governo, que poderia minimizar os efeitos da alta para as montadoras e concessionárias.

Sobre os bons resultados em vendas do último final de semana, Rocha disse que as vendas foram bem elevadas.

"Nos últimos dias deverão se elevar ainda mais", concluiu. Queima de estoque

O gerente da Disbauto Ford, Job Terrin Júnior, garante que os estoques da revenda agüentam até segunda-feira. Isso significa que quem quiser fechar negócio com os preços antigos deve se apressar. Mas se os preços são os antigos, os modelos já fazem parte da linha 2000 da montadora. Os modelos 1.0, como o Fiesta por exemplo, chegam com um motor mais robusto, de 65 hps, que melhora o desempenho.

Também na Meta Veículos, concessionária Fiat, os modelos já são todos 2000, "há 90 dias". O estoque de mais de 90 carros, com os preços velhos, deve durar até a segunda semana de outubro.

Na Simão Ford (com os modelos da parte da linha 2000 da Ford). Nilson Simão avisa que as unidades

à venda, baseadas na tabela antiga, deverão durar até o início da próxima semana.

O escritório regional da VW também confirma que irão restar algumas unidades de modelos 2000 com preço velho até o início da próxima semana nas concessionárias que trabalham com a marca em Bauru.

A mesma situação foi divulgada pelo escritório regional da GM. Segundo informaram, os modelos 2000, faturados sem o aumento, poderão ser adquiridos por mais alguns dias após terminado o acordo emergencial.