15 de março de 2026
Geral

Aeroporto

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

Vizinhos do Aeroporto acionam vereadores contra o Fokker 100

Vizinhos do Aeroporto acionam vereadores contra o Fokker 100

Texto: Josefa Cunha

Moradores que residem nas imediações do Aeroclube de Bauru protocolaram ontem, na Câmara Municipal, um abaixo-assinado contra o início das operações do Fokker 100 da TAM, previsto pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) para este mês de outubro. Na realidade, o manifesto visa a rejeição de um projeto de lei que cria as condições exigidas para o pouso do jato.

O projeto, já em tramitação na Casa de Leis, propõe um convênio entre Prefeitura e Daesp. Na parceria, a administração municipal fica autorizada a contratar pessoal para uma base fixa do Corpo de Bombeiros no aeroporto e, o Daesp, responsável pelo pela doação de viatura, uniformes e equipamentos para a operacionalização da unidade de emergência. A implementação do posto de bombeiros no Aeroclube de Bauru - assim como em outros aeroportos do Interior - é uma exigência da TAM para o pouso e decolagem dos jatos.

O convênio com o Daesp foi acertado no início de setembro, quando de uma visita do superintendente do órgão, Dario Rais Lopes, ao prefeito Nilson Costa (PPS). Na ocasião, Lopes deixou claro que o não-atendimento da exigência feita pela TAM poderia cancelar o serviço de vôos em Bauru, uma vez que a empresa aérea está encerrando regionalmente as atividades do Fokker 50. O chefe do Executivo assumiu de pronto o compromisso de manter a atividade aérea na cidade, até porque o prazo dado pela TAM se esgota este mês.

Enquanto a exigência se viabiliza, a vizinhança do Aeroclube se movimenta em sentido oposto. Tomados por informações a respeito das condições técnicas do aeroporto, os moradores receiam os riscos que as atividades do Fokker 100 representam à redondeza. Além de argumentar sobre a localização da pista (cravada entre prédios e residências), a vizinhança lembra que a faixa de pouso e decolagem trabalha com "sérias restrições", principalmente em razão do comprimento (apenas 1.300 dos 1.500 metros são utilizados pelas aeronaves). "Este jato necessita de, no mínimo, 1.300 metros de pista. Logo,

é inegável que o Fokker 100 operará no limite técnico absoluto, sem nenhuma margem de segurança, o que importa em sérios e inafastáveis riscos a nós, moradores vizinhos da pista", alerta o abaixo-assinado.

Os subescreventes do documento deixam claro que o repúdio ao jato não representa qualquer postura contrária ao desenvolvimento da cidade. A alternativa que eles sugerem para o município não perder as atividades aéreas

é a utilização da pista do Aeroporto Estadual, cuja primeira fase de construção está prevista para dezembro próximo.

"Diante dos vultosos investimentos e das condições que o novo aeroporto oferecerá, entendemos que seria possível aguardar a conclusão da pista. Não podemos aceitar que a Prefeitura faça, neste momento, gastos desnecessários num local que não possui capacidade técnica e segura para operar jatos. Por tudo isso, requeremos que os vereadores não aprovem o convênio e, se aprovarem, o façam condicionando a transferência dos vôos ao Aeroporto Estadual imediatamente após a liberação da pista", solicita o abaixo-assinado.