08 de julho de 2026
Geral

Mutuários

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

AMN tem movimentação forte na 1ª semana de funcionamento

AMN tem movimento forte na 1ª semana de funcionamento em Bauru

Texto: Paulo Toledo

O posto de Bauru da Associação Nacional dos Mutuários

(ANM) teve uma grande movimentação em sua primeira semana de funcionamento, com o atendimento de mais de 50 mutuários e agendamento de várias reuniões em condomínios que os moradores estão com problemas nos financiamentos. Marcelo Donizete, 31 anos, diretor nacional da ANM, destaca que Bauru tem um dos maiores números de problemas do Interior de São Paulo, em razão de distorções legais nos financiamentos.

De acordo com levantamento realizado por Donizete, 46% dos problemas estão em contratos assinados entre os mutuários e as instituições financeiras após 1993. Ele informa que esses contratos foram celebrados segundo os critérios do Plano de Compensação Salarial, o qual, no início, já compromete 30% da renda do mutuário.

Donizete afirma que a inadimplência é gerada por culpa das instituições financeiras, principalmente a Caixa Econômica Federal (CEF), que aplicam algumas regras que provocam distorções, fazendo com que as prestações fujam da capacidade de pagamento dos mutuários. "Nosso intuito é que essa situação possa ser dirimida. Temos o caso de um condomínio que hoje (ontem) vamos fazer uma palestra, que segundo um morador quase metade dos condôminos estão sem pagar as prestações, porque os reajustes estão sendo abusivos, estão acima do pactuado na legislação", afirmou.

O diretor nacional da ANM destaca que o caminho mais saudável para o mutuário é procurar um advogado especialista na área, para que possa, se for o caso, ingressar com uma ação na Justiça com o objetivo de corrigir as falhas, para que haja uma revisão da prestação, dentro do que prevê a legislação.

"Babel"

Os números fornecidos pela ANM vão frontalmente contra os números de inadimplência da Caixa. Segundo Donizete, 60% dos mutuários da CEF em Bauru ou estão em atraso com suas prestações ou estão em vias de se tornar inadimplentes. "O número de inadimplência da Caixa Econômica Federal é surpreendentemente alto na região de Bauru. Esperamos que o mutuário possa colher informações antes de assinar qualquer tipo de contrato. E aqueles que já assinaram contratos financiados pela Caixa, possam pedir uma revisão administrativa ou, em última instância, procurar um advogado especializado, para que possa entrar com uma ação na Justiça e tentar regularizar a situação dele", afirmou.

Porém, a Caixa informou, ontem, que sua inadimplência

(atraso com mais de 60 dias) é um número bem mais baixo do que o apresentado pela ANM: no crédito imobiliário em geral, a inadimplência no Escritório de Negócios de Bauru chega a 13,8%, enquanto que, em nível nacional esse valor atinge 31,24%. Nos contratos mais novos, como a Carta de Crédito com recursos do FGTS a inadimplência de Bauru é de 8,34%, enquanto que em nível nacional

é de 11,32%. Na carta de crédito Caixa, o índice de não pagamento em Bauru é de 9,31%, enquanto que no País esse índice é de 10,02%.

De acordo com a Assessoria de Comunicação do escritório de Bauru, o índice de Bauru está abaixo do nacional. Além disso, ressaltou que níveis tão altos de inadimplência como anunciados pela ANM estão fora da realidade.

O levantamento da ANM de acordo com contato com os mutuários e não contempla levantamentos gerais junto aos bancos de dados das instituições financeiras.

Para quem quer buscar ajuda na Associação, a primeira consulta é gratuita. O mutuário deve apenas levar o contrato e os recibos. A partir disso, o mutuário que quiser a assessoria da ANM deverá pagar R$ 17,50 por mês, mais os custos em caso de processo judicial.