07 de julho de 2026
Geral

Leasing

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 3 min

80% dos contratos de leasing são pré-fixados

80% dos contratos de leasing são pré-fixados

Texto: Márcia Buzalaf

A última pesquisa sobre mercado de leasing realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Leasing (Abel) detectou que a maioria dos contratos - 80% deles - são pré-fixados. Os dados têm como base o estoque em curso dos arrendamentos em julho deste ano. Como o prazo mínimo de contrato é de 24 meses, a pesquisa levou em conta o estoque que não sentiu a influência da desvalorização cambial. A pesquisa também revela que 46% dos contratos são de pessoa-física enquanto que o restante é divido entre os setores empresariais. Além disso, do total de contratos em curso, 80% são de veículos.

A pesquisa foi divulgada por Carlos Tafla, diretor executivo da Abel, em Bauru para uma palestra no Centro de Excelência Empresarial (CEE). Segundo ele, este dado mostra que grande parte dos clientes não sofreu tanto com a desvalorização cambial ocorrida em janeiro, já que ela teria influenciado diretamente 20% dos contratantes.

A pesquisa foi realizada para verificar como a imagem do leasing foi prejudicada na elevação das mensalidades depois da desvalorização. "A maioria das pessoas não

é desavisada, e muitas vezes prefere não arriscar no dólar", avalia Tafla.

Um dos problemas apontados no setor de leasing como causa de consumidores insatisfeitos é a falta de tempo por parte de quem comercializa os produtos para explicar ao consumidor final, afirma Tafla. Segundo ele, também é difícil falar o que é o leasing e como ele funciona. Com a pressa para vender seus produtos, o vendedor pode dar mais vantagem para o financiamento do que para o leasing, pela própria característica particular que ambos têm.

Mesmo assim, Tafla ressalta que foi dado muito destaque para quem saiu "perdendo" com a desvalorização, mas pouco se falou sobre quem ganhou durante os anos de valorização do real. "Quem quitou as prestações antes de dezembro de 98 ganhou muito dinheiro", afirma ele. Apesar da repercussão negativa do arrendamento mercantil depois da desvalorização, o setor movimenta uma média de R$ 1 bilhão por mês no Brasil.

Tafla afirma que de alguma forma o leasing ficou mais popularizado com o acontecimento do início do ano. Segundo ele, a grande vantagem de não ter a incidência do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) é a redução do valor das mensalidades. "Comparando a tabela pré com a indexada, a indexada é bem mais atrativa", afirma.

Com a popularidade mais em alta e as decisões judiciais dando espaço para a negociação entre empresas de leasing e consumidores, o setor promete investir em novos caminhos.

Entre as novidades, Tafla destaca o investimento em leasing para produtos de informática, de telecomunicações e de pequenas máquinas voltadas para a agropecuária.

Outro novo produto que deve ser colocado no mercado é o leasing operacional, que vai funcionar basicamente como uma locação, em que o consumidor devolve o bem arrendado. A previsão

é que o produto esteja sendo comercializado em novembro.

"Nos Estados Unidos, o leasing operacional é mais vendido do que próprio leasing convencional", afirma Tafla.