Preço antigo causa corrida às concessionárias de carro
Preço antigo causa corrida às lojas de veículos novos
Texto: Luciano Augusto
O bom movimento esperado pelas revendas de veículos novos para o último final de semana se confirmou. Como os veículos zero quilômetro continuaram com a cotação da tabela antiga, mesmo com o fim do acordo emergencial, o consumidor aproveitou a oportunidade e procurou as concessionárias, que acusaram aumentos de até 400% nas vendas.
Pelo acordo, encerrado na última quinta-feira, o Governo Estadual reduziu a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados
(IPI). Também na última quinta-feira, foram anunciadas as novas alíquotas do imposto, que acabaram privilegiando os consumidores com melhores condições financeiras.
O IPI dos veículos da linha popular passou de 7% para 10%. Já em relação aos modelos médios,
à gasolina, o imposto incidente subiu de 20% para 25%. Por último, os modelos luxos e os modelos à álcool tiveram as alíquotas do IPI reduzidas de 35% para 30%.
Os clientes, em busca das últimas oportunidades de bons negócios (enquanto as revendas ainda possuem estoques de veículos zero quilômetro faturados seguindo a tabela antiga das montadoras), lotaram as revendas neste final de semana.
O gerente de vendas, Fernando Vieira de Mello, da revenda Chevrolet Amantini Veículos, confirmou a expectativa dos concessionários. Segundo ele, a procura durante o final de semana aumentou cerca de quatro vezes, ou seja, perto de 400%. Até o final de semana, a revenda ainda deve trabalhar baseada na tabela antiga.
De acordo com Mello, o reajuste médio anunciado pela General Motors (GM) foi de 13%. Com isso, acredita-se que o preço dos veículos seja reajustado entre 8% e 10%.
Na Baurucar, revenda Volkswagen (VW), o vendedor Oneir Caçador afirmou que "durante o sábado, o movimento foi três vezes maior" em comparação com os dias normais. Conforme esclareceu Caçador, o reajuste da VW ainda não foi anunciado oficialmente.
A tática na Baurucar, para continuar atraindo os clientes, está sendo o estudo individualizado de cada caso e uma taxa de juros convidativa, de 2,35%. Além disso, a revenda também oferece uma garantia de três anos. "Enquanto as campanhas nacionais não chegam, nós resolvemos fazer nossas próprias promoções", argumenta Caçador.
Claudionor Luongo, sócio-proprietário da revenda
Átrio Veículos VW, confirmou que a marca ainda não havia divulgado até a tarde de ontem a sua nova tabela de preços. Mas, a expectativa é que os veículos novos sofram uma correção média entre 12% e 13%.
"Durante o final de semana passado, tivemos um bom contingente de consumidores nos procurando", avaliou o supervisor de vendas da Meta Veículos, vinculada à Fiat Automóveis, Ruy Karg. O movimento de clientes na loja, durante o final de semana, foi 30% maior que em outros dias. A Meta trabalha oferecendo uma entrada de 10% e o restante pode ser pago em até 36 vezes.
A revenda também tem disponível modelos cotados segundo a tabela anterior ao reajuste. Na Fiat, o aumento anunciado foi de aproximadamente 13%, mas a empresa ainda não "soltou" a tabela com os novos preços.
Karg diz acreditar que o repasse não deve ser total, pelo menos neste primeiro momento, e as revendas devem absorver alguns pontos deste percentual. Uma saída é valorizar um pouco mais o carro usado, na troca pelo zero quilômetro.
Ratificando os bons números do final de semana, o gerente de vendas da Disbauto Ford, Job Terrin Júnior, afirmou que "vendeu-se muito carro", com um crescimento de cerca de 300%. Na Ford, os carros zero foram reajustados, na média, entre 9% e 14%.
Tentando manter as vendas em alta, a Disbauto também trabalha seguindo a tabela antiga. Mesmo porque, segundo a previsão de Terrin Júnior, "com o fim do estoque, deve vir uma fase de mercado ruim".
Continuando a falar sobre a marca Ford, Nilson Simão, da concessionária Simão Ford, contabilizou no último sábado e domingo a venda de 21 carros zero. O plantão rendeu tanto, que Simão já adianta que abrirá novamente no próximo fim de semana.
Os atrativos são: preços de acordo com a tabela antiga, taxas de juros que podem chegar até a 1% e bonificação de 5%, para a linha Escort, por exemplo.
Já na análise do gerente de vendas da Martins Veículos, Nivaldo Christianini Júnior, o movimento do final de semana não aumentou, mas apenas se manteve estável. De acordo com sua análise, a revenda já vinha registrando bons negócios desde o final do mês de setembro. "Foi um movimento continuado", diz.
De acordo com Christianini Júnior, os carros da Chevrolet sofreram um reajuste médio de 10,5% a 13%. Por sua vez, a revenda ainda garante por mais alguns dias a manutenção dos preços anteriores ao fim do acordo emergencial.