07 de julho de 2026
Geral

Fapesp

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 2 min

Sobra verba e falta procura por ciência

Sobra verba e falta procura por ciência

Texto: Adriana Amorim

A ciência ainda é vista pelo brasileiro como uma prática de malucos e que pouca importância desempenha no conjunto da sociedade. Prova disso é que a demanda de projetos científicos desenvolvidos dentro ou fora das universidades apresentam qualidade insuficiente para conseguir financiamento de algumas entidades de apoio à pesquisa no País. A constatação foi feita ontem pelo membro do Conselho Supremo da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Jobson de Andrade Arruda, que esteve em Bauru para participar do 6º Fórum de Iniciação Científica, na Universidade do Sagrado Coração (USC).

A qualidade é um item básico para a aprovação dos projetos apresentados para a Fapesp. A falta dela faz com que os recursos disponibilizados pela Fundação acabem sendo superiores à demanda. Este ano, por exemplo, a entidade oferecerá R$ 380 milhões para os interessados em desenvolver pesquisas e mais cerca de R$ 40 milhões que sobraram no caixa do ano passado. "Não há restrição de bolsas, não temos problemas de recursos, mas de demanda qualificada", reforça Arruda.

A dificuldade em conseguir aplicar os recursos levou a Fapesp a deixar de desempenhar o trabalho que era basicamente de aguardar a solicitação de bolsas para aliar a ele o serviço de busca de interessados. "Pode até ser que a demanda exista, mas só existe se você induzir", acrescenta.

Existe espaço para inúmeros ramos de pesquisa, que começam na iniciação científica realizada no período de graduação até áreas destinadas a doutores que realizaram cursos no Exterior. Segundo Arruda, uma pessoa pode permanecer a vida inteira desenvolvendo projetos com apoio da Fapesp, o que depende basicamente da qualidade do trabalho realizado pelo interessado.

Mudança

Ele acredita que o brasileiro ainda não sabe explorar esse filão por uma questão cultural. Para mudar a situação, ele defende o investimento em educação de base, o que significa não deixar as crianças fora das salas de aula. "A partir do momento em que a educação for vista como um valor e um direito, a ciência pode ser vista de outra forma", explica.

Arruda define a ciência como uma condição fundamental para o desenvolvimento econômico de um País e requisito essencial em busca da qualidade de vida. Tanto que a Fapesp vem apostando também em pessoas que não têm currículo totalmente acadêmico. É o caso das bolsas destinadas a jornalistas que pretendem se especializar no jornalismo científico. A entidade encara os meios de comunicação como um caminho importante na tentativa de tornar a ciência menos estranha à sociedade.

A idéia é incentivar o ingresso na pesquisa científica o mais cedo possível, ou seja, durante o período de graduação. Pesquisa feita pela Fapesp constatou que todos os grandes pesquisadores do Estado de São Paulo desenvolveram projetos de iniciação científica.

"Isso prova que a iniciação feita mais cedo pode segurar a pessoa dentro da pesquisa", conclui Arruda.