08 de julho de 2026
Geral

Cordas vocais

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Timbre muda conforme a faixa etária

Timbre muda conforme a faixa etária

Texto: Sabrina Magalhães

A mudança mais marcante para os homens acontece por volta dos 14 a 16 anos. Nas mulheres, é depois da menopausa

"Nem sempre a alteração vocal indica disfunção ou patologia. Existem fases na nossa vida em que a voz muda naturalmente,

é fisiológico, destaca a fonoaudióloga Alcione Brasoletto. Segundo ela, é comum a voz ir mudando com o passar dos anos, mas são alterações lentas e quase imperceptíveis.

No entanto, na adolescência, na época da puberdade, a voz apresenta uma mudança mais nítida, principalmente para os meninos. Eles passam por um período de instabilidade, em que a voz se manifesta ora aguda, ora grave. Geralmente, em poucos meses a voz se estabiliza, ganhando uma característica mais grave, mais adulta. Nas garotas também há uma alteração no timbre vocal, porém é uma mudança muito sutil, a voz agrava bem menos que nos meninos.

"Esta mudança não é preocupante, a não ser que o próprio adolescente ou a família perceba que a instabilidade está durando muito tempo, mais do que seis meses, ou se o adolescente já chegou aos 16-17 anos e essa muda ainda não de completou, a voz não se tornou totalmente grave. Nesses casos deve-se procurar o especialista, porque pode estar havendo algum problema. Mas excluída essa fase tão importante de mudança na voz, em geral, a gente não tem nenhuma outra fase em que a voz muda muito significativamente."

Exceções

A professora salienta, no entanto, que outros problemas orgânicos que podem influenciar diretamente na qualidade vocal e merecem atenção. Um deles são os problemas alérgicos: algumas pessoas podem apresentar rouquidão ou outras alterações na voz por causa de contato com algum componente alérgico. Se esse contato é constante, a alteração vocal pode torna-se crônica. Então, é preciso que o indivíduo se afaste do agente alergênico e, algumas vezes, faça um tratamento medicamentoso para recuperar a saúde vocal.

"E outra situação são as alterações hormonais. Alguma mulheres no período pré-menstrual, durante a gravidez ou até na menopausa sentem modificações na voz. Em geral não são modificações prejudiciais, mas podem causar certo desconforto, fadiga para falar, principalmente para quem usa muito a voz, mas cessado o período de alteração hormonal, a voz se estabiliza naturalmente. Apenas em casos muito raros existe um problema vocal associado."

Idosos ficam cada vez mais exigentes

Brasoletto chama atenção para o fato de que, nos

últimos anos, a expectativa de vida aumentou muito. Paralelamente a isso, tem aumentado consideravelmente também a procura de idosos por terapias fonoaudiológicas. Segundo ela, é comum, em alguns casos, o aparecimento de algumas dificuldades vocais em função da idade avançada, principalmente tremor da voz, enfraquecimento, fadiga. "Nesta época, a voz dos homens tende a ficar mais aguda do que era na juventude e a voz das mulheres costuma ficar mais grave do que quando jovem.

É interessante ressaltar que isso é um processo natural, mas tem incomodado algumas pessoas."

Ela observa que a saúde vocal funciona exatamente igual

à saúde integral: da mesma forma que as pessoas que praticam atividade física regularmente e mantêm uma alimentação equilibrada vivem mais e melhor, as pessoas que fazem um uso vocal saudável durante a vida inteira têm uma tendência de ter menos alterações vocais na terceira idade. E as pessoas que não treinam a voz adequadamente têm conseqüências desastrosas mais tarde.

"Existem técnicas que ajudam a melhoras a qualidade da voz para os idosos, para manter a estabilidade, dar mais força, basta fazer alguns exercícios sob orientação profissional. É interessante que muitas vezes os idosos não nos procuram para tratar uma patologia, mas para amenizar os efeitos senis na voz. Os idosos hoje querem manter a saúde global, eles estão tão atentos a sua saúde, que observam até a voz."

Problemas também aparecem na infância

As especialistas salientam que problemas vocais não são exclusividade de adultos. Estudos mostram que entre 6% e 20% da população infantil apresenta disfunções vocais. Por isso, aconselha-se que pais e professores estejam sempre atentos à voz das crianças e dêem a devida importância às eventuais reclamações de dor ou desconforto. Criança que têm alterações anatômicas congênitas podem apresentar um choro rouco logo nos primeiros dias de vida. Mas se a anomalia for pequena ou se a criança for quieta, a diferença vocal só vai se apresentar quando a criança pronunciar as primeiras palavras, ou às vezes, só quando estiver já em convívio social. Não identificar o problema e não tratá-lo logo pode gerar dificuldades de fala para ela, tornando o aprendizado de fonemas e da linguagem bem mais complicado.

E mesmo que não haja uma alteração congênita, vale continuar observando, porque crianças costumam ser bastante ativas e podem abusar do uso da voz para se expressar no dia-a-dia. "Ao perceber que a criança está gritando por um tempo muito prolongado, cabe aos pais e professores, sutilmente, sugerir uma nova brincadeira, tão interessante quanto aquela em que ela estava gritando, mas que não use tanto a voz, de forma a proporcionar alternância entre atividades barulhentas e atividades que permitam descanso vocal. Isso vai ajudar que ela tenha um risco menor de adquirir problemas vocais", conclui Brasoletto.