08 de julho de 2026
Geral

Animal de estimação

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 5 min

Animais fazem bem para as crianças

Animais fazem bem para as crianças

Texto: Gustavo Cândido

Alguns pais dizem que eles fazem sujeira demais, que são barulhentos e vão ser largados pelas crianças quando estas crescerem, por isso simplesmente não arrumam um bicho de estimação quando os filhos são pequenos. Estes são os que geralmente não cresceram com um cachorro ou um gato por perto, portanto, não sabem o que perderam e o que os filhos estão perdendo.

De acordo com Maria Regina Vanin, desde que sejam bem tratados e limpos, é ótimo para as crianças terem contato com animais de estimação desde cedo. Este tipo de relacionamento faz com que a criança se sinta importante e tenha a sua auto-estima reforçada. "O animal demonstra a sua afetividade e dedicação ao dono e essa troca afetiva é extremamente importante para a criança, já que ela passa a se identificar com o animalzinho nas suas carências", afirma. Segundo ela o animal, por ser vulnerável e dependente do dono, desperta sentimentos de compaixão e se a criança for estimulada a cuidar do seu bichinho, vai criar um senso de responsabilidade.

Foi pensando nisso que a jornalista Rosane Coutinho Bender fez questão que os filhos tivessem, desde cedo, contato com animais de estimação, "para eles aprenderem a ter amor e responsabilidade por outra vida", diz. Rosane, que tem dois filhos, César e Gabriel e em casa cria 3 gatos e uma cachorra em perfeita harmonia, acredita que os animais são importantes para a vida dos filhos: "quem não ama bicho, não pode amar ninguém. Amar começa das pequenas coisas", explica.

A dona de casa Miriam Evangelista Whitaker, que como Rosane também sempre foi criada com animais de estimação, também fez questão de ensinar às filhas que amar um bichinho

é importante desde pequena. "Isso deixa as crianças menos egoístas, menos agressivas", explica. Miriam, mãe de Melina e Mariana, tem em casa um poodle de cinco anos, Willy. Ela salienta que é importante que os animais em casa tenham limites e sejam bem cuidados, o que também acaba sendo uma lição para as crianças, que devem saber como tratar de uma outra criaturinha e o que podem e o que não podem fazer com ela.

Maria Regina Vanin afirma que as crianças melhoram muito o comportamento quando entram em contato com animais, principalmente quando são filhos únicos ou têm poucos amiguinhos.

"O convívio com animais traz mais vantagens do que desvantagens para as crianças", diz.

E quem tem medo ?

Pavor de cães e gatos inofensivos pode ser reflexo de emoções reprimidas, mas diminui com a convivência com bichos

Qual a sua reação ao ver um cachorro qualquer andamento na calçada na sua direção? Há cerca de três anos, a funcionária pública Elaine Crescente, 51, atravessaria a rua ou daria uma volta no quarteirão para evitar esse encontro.

Mas, depois que o lhasa apso Rick, 3, chegou a sua casa, trazido pela filha, esbarrar em um cachorro tornou-se inevitável e o medo teve de ser dominado. "Ele me escolheu, quem diria. Somos grudadíssimos, mas ainda tenho certo receio em colocar a coleira quando ele não quer ou tirar uma media de sua boca", conta Elaine.

Independentemente do tamanho, raça e ameaça que cães e gatos possam representar, há quem fuja deles como o diabo, da cruz. A aposentada Aída Abrahão, 73, fechava a porta do quarto para que a gata Ginger, 2, então filhote, não entrasse. "Era pequenininha, mas a achava esquisita. Tinha medo, não sei do quê, mas agora somos muito apegadas", diz. Aída perdeu o medo de gatos, mas ainda tem pavor de cachorros. "Mesmo se estiveram presos, até atravesso a rua; vai que estou passando e eles dão o bote", afirma.

Segundo psicólogos e psicanalistas, o medo irracional de animais inofensivos pode ser desencadeado por vários motivos: experiência no passado com ataque de cães ou gatos, histórias impressionantes contadas ou vivenciadas por outras pessoas ou o fato de projetar no bicho emoções reprimidas.

"Os animais são intermediários da relação da pessoa com o mundo. Nessa intermediação pode haver amor ou um medo muito grande, que nada mais são do que faces da mesma moeda", afirma a psicanalista Suely Gevertz. Segundo ela, para lidar com o medo, o primeiro passo é tentar identificar o que o cachorro (ou o gato) representaria para essa pessoa. "Por exemplo, há quem tenha medo de gato porque pensa que não vai conseguir controlar sua impulsividade, ou tem pavor de cachorro, pois não sabe trabalhar sua própria agressividade", diz Gevertz.

Para a psicóloga Denise Ramos, professora de pós-graduação da Faculdade de Psicologia Clínica da PUC, que está escrevendo o livro. "Os Animais e a Psique" (Editora Palas Athenas), o ideal é a aproximação gradual e sucessiva do animal. "Não há outro jeito de perder o medo que não seja o contato com ele", diz.

Existe a crença de que o animal seria capaz de perceber quando alguém está sentindo medo, tornando-se mais propenso a atacar. Mas, de acordo com o veterinário Francisco Abrahão, o bicho tem apenas a percepção de mudança de comportamento do homem, que não indica necessariamente medo. Ramos orienta quem tem medo de cachorros e se portar com "superioridade" em relação a eles. "Os cães vivem em grupo e obedecem a uma hierarquia. Se você se mostrar superior, em geral, eles respeitarão", diz Denise.

Outra alternativa aplicada nos casos de medo de cachorro é a técnica da dessensibilização, na qual são utilizados bichos de pelúcia e figuras, até que se chegue ao contato com o animal de verdade, sempre associando o bicho a idéias agradáveis.

"Quando o medo se torna intolerável e impede que uma pessoa saia de casa ou visite outra porque ela tem o animal, é a hora de procurar um profissional", diz a psicóloga.

Para os medrosos supersticiosos que querem evitar o "perigo de cães", a tarólogo Heide Kamello ensina algumas simpatias. "Quando um cão se aproximar fale: São Tomé que em gruta se escondeu da mesma maneira passe pelo animal que não me percebeu. Ou use alguma peça de roupa no avesso ou simplesmente diga São Roque três vezes". "Automaticamente, ele irá parar de prestar a atenção em você e começará a se coçar", garante. (D.G. AF)