04 de março de 2026
Geral

Bicho de estimação

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Amigo bicho

Amigo bicho

Texto: Gustavo Cândido

Eles podem ser extremamente carinhosos, companheiros e fiéis. Quem ainda tem alguma desculpa para não ter um cachorro ou um gato em casa deve começar a repensar o assunto. Ter estes animais de estimação pode ser bom para espantar a solidão e também para manter o bom-humor e a forma física.

Todos os dias, religiosamente, de manhã e no final da tarde, a secretária Simone Olmo leva o seu boxer Brutus, de oito anos para passear. Ela "herdou" o cão quando o antigo dono do animal se mudou para os Estados Unidos e não pôde lavá-lo junto. Há um ano e 4 meses com Brutus, Simone, que também tem mais dois cachorros pequenos, diz que não se incomoda nem um pouco e em ter que passear com o animal todos os dias (até quando chove) e agüentar as suas brincadeiras ( e não é fácil brincar com um boxer de oito anos!). Criada com animais em casa desde pequena, a secretária só tem elogios aos "bichinhos" atuais: "eles são tão companheiros, tão carinhosos, como uma criança, é muito bom tê-los por perto sempre", diz.

Simone Olmo, que também já teve gatos na infância, mas hoje é alérgica aos bichanos, é apenas uma entre as milhares de pessoas que descobriram o quanto cães e gatos podem fazer bem dentro de casa.

"Existem pesquisas que afirmam que o contato com animais de estimação são bons para a saúde e por isso eles são aconselhados para idosos, pessoas com problemas de saúde e para crianças que têm algum tipo de deficiência ou limitação, mas eu acredito o contato animal faz bem para todos", diz a psicóloga e psicodramatista Maria Regina Corrêa Lopes Vanin.

Ela lembra que o ato de passear com os cachorros também

é uma forma de se exercitar: "em uma recente reportagem na revista Veja, sobre idade biológica e idade cronológica, foi mostrado um teste em que ter um animal de estimação em casa contava pontos a favor da idade biológica sobre a cronológica. Ou seja, os donos de animais se exercitam mais e isso é revertido em benefícios para a saúde", explica.

Menos stress

Não é só o cachorro que faz bem para o seu dono. Estudos americanos comprovaram que ficar acariciando um gato reduz o número de batimentos cardíacos e, conseqüentemente, acalma. "Geralmente, os animaizinhos também são brincalhões e engraçados e com isso criam uma relação lúdica com o seu dono que descontrai e faz baixar os níveis de stress", diz Maria Regina Vanin. Ela lembra que a conhecida psicoterapeuta jungiana Nise da Silveira acredita que animais de estimação são "auxiliares terapêuticos".

A dona de casa Anita Pereira confirma: "sempre me acalmo e melhoro meu humor quando converso com os meus filhinhos". A prole em questão são três gatos, sem raça definida, que Anita cria desde que nasceram. "Converso com eles com outra voz, como se fosse uma linguagem particular entre a gente e acho que eles me entendem", diz. Na casa de Anita todos gostam de bichos, o que tornou o "diálogo" da dona com os "filhinhos" mais fácil, "minhas filhas também 'conversam' com eles, os gatos são parte da família", afirma.

Falando em família, o relacionamento familiar também muda com a presença de um animal. "Quando existe um bichinho em casa, as pessoas riem mais, se divertem com suas gracinhas e isso ajuda a relaxar as tensões do dia-a-dia e contribuindo para que o ambiente seja mais descontraído e agradável", diz Maria Regina Vanin.

Histórias de amor

É um erro considerar que apenas os cachorros demonstram a sua afetividade em relação aos donos. Os gatos, apesar de mais independentes, precisam de estar sempre com seus donos a quem, segundo alguns especialistas, consideram como uma mãe. "Tenho gatos e cachorros em casa e sinto que cada um mostra o seu amor de uma maneira, mas mostra. O cachorro

é mais óbvio, fica pulando de alegria quando me vê. O gato é mais discreto, mas não sai do meu lado quando chego em casa. Se sento, senta na minha perna, se vou ao banheiro, quer ir junto. É o meu companheiro de todos os lugares e eu sinto que ele me ama", diz o estudante César Augusto Araújo.

A engenheira civil Flávia Figueiredo comprou a beagle Gipsy, pela Internet. O objetivo era encontrar uma companhia para os momentos em que ficava sozinha em casa. Com a mudança de emprego, Flávia foi obrigada a deixar Gipsy sozinha no apartamento e, depois de alguns meses nessa situação, decidiu dar a cadelinha para uma pessoa que pudesse se dedicar mais a ela. Foram apenas dez dias de separação.

"Foi o tempo suficiente para perceber que ela já tinha preenchido um lugar aqui em casa", diz a engenheira, que sempre teve animais quando criança. "A Gipsy é uma terapia, ela me entende, não vou ficar mais longe dela de jeito algum", diz.

Pessoas melhores

Maria Regina Vanin alerta para os casos de pessoas extremamente carentes, que por terem dificuldade de se relacionarem, canalizam toda a sua afetividade para os bichos, afastando-se das pessoas,

"isso não é positivo e precisa ser trabalhado, mas são casos extremos", diz. Nos casos normais, a afetividade dos cachorros e gatos desperta em seus donos uma maior compaixão, senso de humor e facilidade de expressar seus sentimentos, afirma Maria Regina Vanin, ou seja, torna as pessoas melhores.