Faturamento das pequenas empresas apresenta lenta recuperação
Faturamento das pequenas empresas apresenta lenta recuperação
A atividade econômica das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas está emitindo sinais discretos de reativação, apesar da taxa de desemprego da economia brasileira estar estacionada em patamar elevado. Em agosto de 1999, o faturamento das MPEs paulistas apresentou elevação de 4,5% em relação ao mês anterior, de acordo com a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada em conjunto pela Fundação Seade e pelo Sebrae.
Essa elevação foi puxada, principalmente, pelo setor de serviços, que registrou elevação de 10,5% em seu faturamento, seguido pela indústria (4,5%) e pelo comércio (2,0%). O economista e professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE), Reinaldo César Cafeo, 38 anos, destaca que é preciso estar atento que há uma queda se a comparação for com o mesmo mês de 98.
Porém, no acumulado do ano (janeiro-agosto/99), o faturamento médio das MPEs em São Paulo se encontra em um nível 6,7% inferior ao mesmo período do ano passado.
Esse desempenho se deu num cenário econômico um pouco menos turbulento que nos meses anteriores, inclusive no nível externo, uma vez que a taxa de juros básica da economia norte-americana tende a se manter em torno de 5,25% ao ano.
Para as MPEs, segundo análise da Pecompe, as perspectivas de crescimento para os próximos meses são mais limitadas do que para as grandes empresas. A corrosão do poder de compra dos salários, provocada pela inflação dos últimos meses, impede uma expansão mais vigorosa das vendas dos bens não-duráveis
(mais baratos e essenciais), produtos que normalmente são produzidos e comercializados pelas MPEs.
A lenta expansão das vendas das MPEs ocorre, ao mesmo tempo, em que as taxas de juros para capital de giro continuam ainda muito altas para as pequenas empresas tomadoras de empréstimo.
Pessoal ocupado e gastos com salários
O nível de ocupação de pessoal nas MPEs paulistas, aponta em agosto/99 uma elevação de 1,5% em relação ao mês anterior. Apesar do faturamento acumulado entre janeiro a agosto deste ano ter sido 6,7% inferior ao observado no mesmo período do ano passado, o nível de pessoal ocupado nas MPEs paulistas aumentou 2,2% no mesmo período, o que reforça o papel das MPEs como grandes absorvedoras de mão-de-obra, mesmo em períodos de crise.
Em relação as gastos com salários, a Pesquisa de Conjuntura das Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo apresenta variação positiva de 1,2% em relação a julho. Já a comparação janeiro-agosto/99, com mesmo período do ano passado, mostra redução de 4%.
Cafeo destaca que o nível de remuneração cresceu, mesmo que modestamente, apesar das oscilações ocorridas nos mercados de câmbio e juros.
No relatório, observa-se, ainda, que a recuperação da economia tende a prosseguir, porém, ainda, em ritmo muito lento, freada pela instabilidade econômica e política, pelo desemprego e pelos juros que continuam elevados para os tomadores de empréstimos.
Mesmo tendo constatado maiores pressões de custos nas empresas, via importação (desvalorização) e ainda em função do aumento do preço do petróleo, como a política econômica ainda
é contracionista, não abre espaço para volta da inflação de forma mais acirrada (segura a demanda).
Para Cafeo, o crédito, que poderia ser mais abundante para as MPEs, principalmente em função da diminuição do compulsório (depósito a vista e a prazo), refletindo inclusive menores taxas de juros, ainda se manteve escasso. Os bancos têm recursos mas não querem correr riscos, portanto, não expandem o crédito, preferindo aplicar em títulos públicos.
Para o professor, o ambiente em agosto foi de compasso de espera, aguardando as encomendas do comércio para o normal aumento de demanda no final de ano. "Muitas MPEs estavam com o nível de atividade abaixo do normal, mantendo forte controle sobre seu caixa a fim de manter a estrutura atual, fato que já se verificou em julho".
Setembro e outubro, lembra Cafeo, seriam meses de reação, de aumento de vendas, mas em sondagem no comércio local, continua-se com o mesmo nível de atividade de Julho e Agosto. Desta forma, alento maior somente com a injeção de recursos via décimo terceiro, cuja parcela inicial se dará em novembro. Algum aumento de venda se dará em função do dia das crianças em outubro.
O professor da ITE diz que "todos os fatos envolvendo a economia brasileira (câmbio, juros, política, etc) levaram a ter um ano de fraco desempenho, sendo que a tendência
é de melhora mês a mês (no comparativo deste ano), mas com desempenho sofrível se comparado ao ano passado, tendo maiores reflexos no setor industrial e comercial."