17 de março de 2026
Geral

Educação

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Pais pedemmais espaço para os filhos em escola pública

Pais pedem mais espaço para os filhos em escola pública

Texto: Patrícia Zamboni

Um problema territorial que envolve a escola Ivan Engler de Almeida

- pertencente à Prefeitura Municipal de Bauru - e o Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (CIPS) chegou

à Secretaria de Educação. A escola e a entidade dividem o mesmo prédio, e pais de alunos da escola reclamam que o espaço ocupado pelo CIPS abrange quase a totalidade do local. Como consequência disso, os alunos estão fazendo aula de educação física nas salas de aula ou em uma quadra próximo à escola, localizada na avenida Nuno de Assis.

De acordo com a diretora da escola Ivan Engler de Almeida, Denise Martins Pereira, 32 anos, "o prédio foi cedido ao CIPS pela prefeitura em sistema de comodato, esse contrato de comodato já venceu e as instalações do CIPS continuam aqui. O grande problema é que o espaço pertencente à escola se resumiu a um corredor. Quando precisamos usar o refeitório para alguma solenidade temos que pedir autorização para o pessoal do CIPS, embora nunca tenha sido negada. Os alunos maiores, de quinta a oitava série, têm feito educação física na quadra da Nuno de Assis, e os pequenos fazem na classe ou até mesmo na rua, em frente ao prédio", explica a diretora.

"Não estamos reivindicando outro prédio, só queremos que o espaço seja dividido de forma mais justa", conclui. Segundo ela, atualmente a escola Ivan Engler de Almeida possui cerca de 207 alunos de 1ª a 8ª série.

"Estamos solicitando uma resolução da Prefeitura desde o início do ano", afirma a diretora da escola.

"O número de alunos da escola cresceu muito, e o número de crianças atendidas pelo CIPS diminuiu, por isso, a divisão do espaço está nos prejudicando".

Para Renê Gardin, pai de um aluno da escola, a divisão do espaço do prédio está errada. "A solicitação para que esse problema seja resolvido já foi feita há muito tempo, e o problema está aumentando. Pelo fato do CIPS estar atendendo um número bem menor de crianças do que no início de suas atividades, grande parte do prédio está ociosa. Além disso, o período de utilização do prédio pelo CIPS já acabou há anos", argumenta Gardin.

Virgínia Maria Carvalho Vargas, 37 anos, que tem dois filhos estudando na escola, diz que muitas pessoas nem conhecem a escola por causa do espaço físico reduzido que ela ocupa.

"A escola é ótima e muitas mães que procuram por vagas para seus filhos nem sabem da existência da Ivan Engler, porque ela fica escondida. Quando o CIPS começou tinha bastante crianças, e o tamanho do prédio era ideal para as atividades. Mas agora o número de crianças diminuiu e cresceu muito o número de alunos da escola", argumenta.

"A diretora dividiu duas turmas para não tumultuar na hora do lanche. Mas aí, os que comem primeiro e voltam para a classe são prejudicados pelo barulho dos outros, porque a segunda turma toma o lanche no próprio corredor quando o CIPS está usando o refeitório para alguma solenidade", observa Virgínia.

O outro lado

A coordenadora do CIPS, Rosângela Ap. Cerigatto Issa, conta uma história diferente. Segundo ela, os alunos da escola sempre tomam lanche no refeitório, que fica na parte do prédio que pertence ao CIPS. "Só uma vez, há pouco tempo, eles não puderam comer no refeitório porque estávamos usando o local para uma solenidade de entrega de diplomas da turma que terminou o curso de computação", argumenta Rosângela. "Faz 27 anos que eu trabalho aqui e as crianças do CIPS sempre fizeram educação física na quadra da Nuno de Assis, que também está num terreno que pertence à prefeitura", dispara.

Segundo a coordenadora do CIPS, algumas salas foram cedidas à escola depois que começou a aumentar o número de alunos. "Já doamos para a escola várias salas que eram ocupadas pelo CIPS. Hoje nós atendemos 330 crianças e o nosso espaço também é pequeno", afirma Rosângela.

O diretor do CIPS, José Carlos Fernandes, concorda com Rosângela, e vai além. Segundo ele, o contrato para a utilização do prédio pelo CIPS foi renovado por mais dez anos em 1995. "A renovação do nosso contrato com a prefeitura é automática. Podemos continuar utilizando o prédio até 2005", afirma Fernandes.

Assim como Rosângela, o diretor do CIPS diz que várias salas já foram doadas à escola e que não estava a par de nenhuma das reclamações que estão sendo feitas pelos pais de alunos e pela diretora da escola Ivan Engler de Almeida. "Nós temos interesse em atender a escola e acredito que a escola também tenha interesse em colaborar. A diretoria da entidade atende a tudo o que a escola pleiteia. Nós queremos uma convivência em harmonia para que ninguém seja prejudicado", afirma José Carlos Fernandes.

Quanto ao fato das aulas de educação física serem feitas na quadra da avenida Nuno de Assis, o diretor diz que "a educação física dos meninos do CIPS sempre foi feita naquela quadra porque o CIPS nunca teve quadra esportiva", conclui o diretor da entidade.

De acordo com a secretária de Educação da Prefeitura, Isabel Algodoal, a Secretaria de Educação ainda não tem como se manifestar e agir efetivamente nesse caso porque não foi feita nenhuma reclamação formal na Prefeitura, nem por parte dos pais, nem da diretoria da escola. Além disso, ainda não foi analisado o termo de permissão de uso do prédio.

Até a conclusão dessa reportagem, o departamento jurídico da Prefeitura não tinha feito a análise sobre a validade e renovação do contrato de uso do prédio feito entre Prefeitura e CIPS.