04 de março de 2026
Geral

Greve

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Servidores de Pirajui entram em greve

Servidores de Pirajuí entram em greve

Sem salários até ontem, funcionários reclamam também de clima de terrorismo com as constantes trocas de prefeito

Pirajuí - Alegando atraso no pagamento de salários, não depósito do Fundo de Garantia e perseguição política, servidores municipais de Pirajuí iniciaram ontem de manhã uma greve por tempo indeterminado ou até que suas reivindicações sejam atendidas. A adesão

à paralisação não foi total ontem e, apesar da mobilização ter representantes de praticamente todos os departamentos, nenhum setor deixou de funcionar por causa da greve. A Prefeitura tem cerca de 300 servidores e aproximadamente 50 pararam ontem.

Assessorados pelo Sindicato dos Servidores Municipais de Bauru e Região (Sinserm), os servidores de Pirajuí reivindicam, além do pagamento de salários integrais, que seja elaborado um calendário do montante que seria devido ao funcionalismo e ainda que os grevistas não sejam penalizados, com demissões ou transferências.

A decisão pela greve foi tomada anteontem à noite durante assembléia realizada na Câmara Municipal. Segundo Idelma Corral, diretora do Sindicato, cerca de 150 servidores participaram da assembléia que decidiu pela greve.

No final da tarde os grevistas, em nova assembléia, decidiram pela continuidade da greve hoje e distribuíram panfletos

à população explicando os motivos do movimento e pedindo apoio na luta.

De acordo com a diretora do Sinserm, Idelma Corral, o descontentamento dos servidores de Pirajuí não é apenas com a administração do prefeito José Carlos Ortega

(sem partido). "O Ortega acumulou isso. Mas os problemas ocorreram em épocas variadas" disse Idelma acrescentando servidores se sentem ameaçados a cada troca de prefeito, já que desde janeiro de 97 Ortega já tomou posse quatro vezes, se alternado com o vice Dino Rinaldi. O entra e sai de prefeito, segundo a sindicalista acabou gerando um certo clima de terrorismo entre os funcionários.

Greve

A greve foi definida na quarta-feira à noite e uma concentração foi marcada para a manhã de ontem, antes do início do expediente, em frente à Prefeitura. Antes, porém, o prefeito José Carlos Ortega percorreu alguns setores, como a garagem, centro de saúde e Parquinho tentando demover os servidores da idéia da greve, dizendo que os salários referente ao mês de setembro já estavam depositados. Essa iniciativa do prefeito foi tomada pelos servidores como uma maneira de tentar intimidar a categoria. "Sabemos que é complicado para o servidor discutir individualmente as reivindicações diretamente com o chefe do Executivo. Por isso uma comissão está sendo montada", disse um dos funcionários que prefere não ser identificado, alegando medo de represálias.

Mesmo assim, os servidores passaram o dia concentrados em frente

à Prefeitura. Por volta das 10 horas, portando faixas e gritando palavras de ordem, saíram para uma passeata pelas ruas da cidade.

Ortega diz que greve é ilegal

Na opinião do prefeito José Carlos Ortega, o movimento dos servidores municipais é ilegal uma vez que o pagamento já estava depositado desde segunda-feira e a Prefeitura não havia sido comunicada oficialmente sobre nenhuma outra reivindicação dos trabalhadores.

Admitindo que o Fundo de Garantia não vem sendo depositado e descartando perseguições políticas, o prefeito afirmou que está aberto às negociações. Informou ainda que a ausência dos servidores que não trabalharam ontem não acarretaram em prejuízos à administração.

Sobre o pagamento dos salários, Ortega disse que atraso deve-se ao fato do Fundo de Participação dos Municípios

(FPM) depositado no Banco do Brasil e do Imposto sobre mercadorias e Serviços (ICMS) depositado no Banespa terem ficado retidos nas agências e não encaminhados para a Caixa, por causa do feriado .

Perseguições políticas, segundo o prefeito, nunca ocorreram. O que há segundo Ortega, é a troca de pessoal de confiança a cada mudança de prefeito, mas nada que afete os servidores concursados. Já quanto as horas-extras reclamadas pelos servidores, através do Sinserm, Ortega garante que, estas, quando feitas, são pagas".

O Fundo de Garantia que não vem sendo depositado, segundo o prefeito, não tem acarretado maiores empecilhos já que segundo ele, quando alguém é demitido, o Fundo

é depositado imediatamente. O não depósito de acordo com Ortega, "vem de outras administrações. Fizemos até um parcelamento e estamos tentando cumprir".