08 de julho de 2026
Geral

Água mineral

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Galões retornáveis exigem atenção especial

Galões retornáveis exigem atenção especial

Texto: Sabrina Magalhães

O vasilhame que apresenta algas em seu interior ou qualquer cheiro é automaticamente inutilizado

Os galões de 20 e 10 litros, que são retornáveis, exigem cuidado especial dos funcionários na hora do envase. Além dos riscos de contaminação por microorganismos, eles podem chegar à empresa sujos com outros produtos, que não água. Por isso, assim que um caminhão com vasilhames é descarregado, os funcionários inicial um processo de seleção dos garrafões.

Primeiro, funcionários vão inspecionar, um a um, todos os galões, observando se estão rachados ou com a boca quebrada, se há sujeira por dentro, se há formação de algas (um lodo esverdeado que propaga em água de mina) ou se há algum cheiro no vasilhame. Isso porque o usuário pode ter usado o galão para armazenar outras substâncias, às vezes tóxicas, que poderiam passar para a água num eventual envase. Para evitar isso, qualquer galão com características anormais é automaticamente inutilizado.

"Nós nem tentamos lavar ou limpar", explica a gerente administrativa da Miner, Cláudia Quadros, "porque de repente você lava, pensa que saiu o cheiro, mas depois que ele está envasado, o cheiro reaparece e passa para a água. Aí o cliente vai reclamar da qualidade do nosso produto. Então se há alguma alteração, eu recuso o vasilhame."

Os galões que passam por esta avaliação são encaminhados a outros funcionários, que têm a tarefa de lavar, com sabão neutro, a superfície externa dos vasilhames. Depois de enxaguados, eles chegam à outra equipe, que vai passá-los pela escovadeira, uma peça giratória, com cerdas, que lava os garrafões internamente, nesta etapa sem sabão. "Porque o garrafão tem muita facilidade em pegar gosto. Se você usa o sabão internamente, a água pode ficar com gosto de sabão.

É preciso ter muito cuidado."

Esterilização

Depois de devidamente lavados, os garrafões são colocados, com a boca para baixo, numa máquina especial, que solta jatos de água com ozônio, a 80 graus Celsius. A mistura de ozônio e alta temperatura vai esterilizar o vasilhame. Dali, eles saem já numa esteira e passam pelas mãos de mais um funcionário que, com a ajuda de uma luz branca (como as usadas em consultórios médicos para ver radiografias), vai verificar se não há qualquer resíduo dentro dos galões. Havendo, eles são retirados da esteira.

Os garrafões que ficam na esteira vão passar por um túnel com lâmpadas ultravioleta, que são germicidas, ou seja, que têm o poder de matar qualquer microorganismo que eventualmente tenha sobrevivido às altas temperaturas e ao ozônio. A partir deste ponto, os vasilhames chegam

à máquina de envase, já sem qualquer contato manual. A máquina os libera cheios e tampados.

Ainda na esteira, os garrafões são rotulados manualmente. Logo adianta, outros funcionários colocam sacos plásticos sobre a boca dos vasilhames, que passam por outra máquina, para então lacrar os garrafões. Então, depois de aproximadamente 45 minutos, todos os 600 garrafões voltam para o caminhão já prontos para a venda.

Descartáveis

O processo de envase dos vasilhames descartáveis, sejam copos ou garrafas, é quase o mesmo dos garrafões, a não ser pelo contato manual que é praticamente inexistente. No caso dos copos, um funcionário os coloca num tubo e, conforme eles caem na esteira, passam pela esterilização, são envasados, tampados e saem prontos para o encaixotamento.

Mas há variações. Na Miner, por exemplo, as garrafas de 500 ml são sopradas (termo técnico para a fabricação dos recipientes) na própria empresa e, através de tubos de sucção, ficam armazenadas num silo, acima do maquinário. Conforme a necessidade, eles caem numa peça posicionadora de garrafas, seguindo pela esteira através da esterilização, das lâmpadas ultravioleta, do envase, da colocação das tampas e rótulos (neste caso automáticos), saindo também prontas para o encaixotamento.

Água com gás tem diferentes origens

Algumas cidades do País, muitas no estado de Minas Gerais, foram privilegiadas pela natureza com fontes de água mineral gasosa. No entanto, com o passar do tempo, alguns empresários, vendo que a procura pela água gasosa era intensa, resolveram buscar alternativas para "fabricá-la". Hoje, existe no mercado a chamada água mineral gaseificada que, como os refrigerantes, é adicionada de CO2 para a formação das bolhas. Uma versão da água mineral que a Miner deve lançar no mercado já nos próximos dias: a Água Mineral Santa Bárbara gaseificada.

Rótulos

A gaseificação e a mineralização da

água têm causado certa polêmica entre empresários e associações de defesa do consumidor. Para interromper as discussões, o Governo usa como escudos os rótulos, que devem indicar qual é a composição físico-química da água. Uma garantia de quem compra o produto.

Em fevereiro deste ano, o Ministério da Saúde publicou uma portaria obrigando as empresas fabricantes das águas mineralizadas a adotarem, em seus rótulos, a expressão

"água comum adicionada de sais". Até então os rótulos indicavam "água adicionada de sais". Para a Associação Brasileira das Indústrias de Águas Adicionadas de Sais e Repositores Hidroeletrolíticos

(Abiaser), no entanto, a palavra "comum" dá uma conotação negativa ao produto. A entidade defende que, então, os rótulos devem adotar o termo "água mineralizada".

Esta mesma diferença deve ser observada pelo consumidor na hora de comprar a água gasosa. Tanto a gaseificada quanto a mineralizada são produtos de qualidade, que recebem tratamento adequado e passam por fiscalizações periódicas. No entanto, o Governo defende que o consumidor tem o direito de saber se o que está ingerindo é natural ou não.