07 de julho de 2026
Geral

Chuvas

Adriana Amorim
| Tempo de leitura: 7 min

Chuva pega Bauru despreparada

Chuva pega Bauru despreparada

Texto: Adriana Amorim

A tempestade que atingiu o distrito de Tibiriçá anteontem fez voltar à tona o questionamento sobre um antigo problema de Bauru: a falta de estrutura para enfrentar as chuvas de verão. Defesa Civil, Secretaria de Obras e Secretaria das Administrações Regionais (Sear) confirmam que a cidade deve voltar a enfrentar transtornos na próxima temporada de chuvas porque os órgãos não conseguiram se adequar completamente.

Na avaliação da Secretaria de Obras, 40% dos locais que tradicionalmente sofrem problemas com o excesso de água continuam na mesma situação do verão passado. Isso quer dizer que moradores da Ferradura Mirim, Parque Roosevelt, Vila Ipiranga, Jardim Nova Paulista, Jardim Chapadão, Jardim Nicéia, Parque Jaraguá e dos arredores da avenida Getúlio Vargas e da avenida Alfredo Maia podem novamente ser vítimas da falta de estrutura adequada para suportar a força da água.

Um dos lugares mais problemáticos é a avenida Alfredo Maia. O desassoreamento do córrego Água do Sobrado ainda não foi concluído e por isso alguns trechos vão continuar sofrendo com os estragos da chuva. É o caso dos moradores e donos de estabelecimentos comerciais que ficam nas quadras 1 e 2.

A expectativa do secretário de Obras, Leandro Dias Joaquim,

é de que Bauru chegue na época mais crítica das chuvas com 70% das obras necessárias concluídas.

"É difícil chegar a 100% diante das dificuldades da Prefeitura", alega.

Mesmo assim, ele garante que a cidade está mais preparada este ano que em 98, com equipe mais bem estruturada e maquinário em melhores condições. Além disso, ele acrescenta que a Prefeitura investiu em obras que devem amenizar os problemas nessa época do ano. "Nós seguimos um mapeamento das prioridades e fizemos obras que vão suportar os imprevistos deste ano".

Na prática, a Secretaria de Obras passou este ano reparando os estragos causados pelas chuvas do início do ano, embora tenha apostado em um tipo de conserto que tenta ser difinitivo. Leandro Joaquim não concorda com a afirmação e diz que a Secretaria fez o contrário, ou seja, investiu em obras preventivas.

Dentre elas, as da avenidas Elias Miguel Maluf, Comendador José da Silva Martha e parte da Alfredo Maia, rua Mara Lúcia, erosões do Núcleo Pernambuco e Parque dos Sabiás.

Maquinário

"Realmente nós não conseguimos corrigir todos os problemas, que na verdade são heranças de outras administrações", argumenta o secretário das Administrações Regionais, Celso Donizetti. Ele diz que um dos maiores problemas de sua pasta é o maquinário. Atualmente, existem apenas dois caminhões basculantes e uma pá-carregadeira. Por isso, o secretário diz que devem ser encontradas dificuldades para recuperação da cidade também neste verão.

Como medida preventiva, a Sear conclui a limpeza dos bueiros da cidade até o mês que vem e posteriormente reinicia o trabalho. Está prevista para o início de dezembro uma campanha para conscientizar a população a não jogar lixo na rua.

Além disso, cada uma das sete regionais já está equipada com 200 sacos que são usados para contenção de água. A Secretaria também tenta aumentar a quantidade de funcionários. Segundo Donizete, a pasta solicitou a contratação de 100 ajudantes gerais à Secretaria das Administrações, trinta a mais que o quadro atual.

Defesa Civil não tem condições adequadas

Se por um lado a infra-estrutura da cidade não está suficientemente adequada para enfrentar o período de chuvas, um outro ponto mostra que Bauru não está preparado também para socorrer as possíveis vítimas de enchentes, desabamentos ou destelhamentos. A Defesa Civil municipal está sem os equipamentos necessários para prestar assistência e vive uma falta de estrutura que já se tornou crônica.

Embora tenha sido implantada na cidade há 20 anos, a Defesa Civil começou a ser estruturada há cerca de 7 anos. De lá para cá, pouco foi feito. Como ainda consta como uma comissão, está vinculada diretamente ao gabinete do prefeito. Por isso, não tem orçamento e nem funcionários próprios. Até o motorista que dirige o veículo do órgão é cedido por outros setores da administração municipal.

Toda compra de material precisa passar pelo crivo do prefeito e enfrentar a burocracia que chega a uma semana. "Para que as coisas realmente mudassem, seria necessário que a Defesa Civil se tornasse uma coordenadoria e assim ganhasse autonomia", diz o coordenador do órgão, Álvaro de Brito. Segundo ele, a mudança depende exclusivamente de boa vontade política.

Enquanto a modificação não é feita, a Defesa Civil enfrenta dificuldades com a falta de estrutura. Pouco material estava disposição antes do socorro prestado ao distrito de Tibiriçá e agora o estoque está praticamente zerado. A falta de equipamentos pessoais básicos, como capa de chuva, bota e luvas, chegou a afastar os voluntários, que já chegaram a somar mais de 400.

"Nós estamos improvisando e andando para trás enquanto cidades menores já estão se firmando", lamenta Brito. "Não estamos preparados para enfrentar as chuvas, justamente uma cidade como a nossa que todo ano enfrenta problemas casa vez maiores".

Ele diz que a falta de estrutura da Defesa Civil municipal impede que sejam conseguidos recursos do órgão estadual.

"Estamos deixando de pleitear por esse motivo".

Brito já tem uma proposta de estruturação, apresentada novamente no início da gestão do prefeito Nilson Costa. Segundo ele, o projeto consumiria de R$ 15 mil a R$ 20 mil iniciais e um orçamento anual da mesma quantia. O dinheiro seria usado para a compra de produtos básicos, como botas, capas de chuva, colchonetes, cobertores e lona. Seria empregado ainda na compra de aparelhos de comunicação

(rádios que substituiriam o aparelho celular) e na instalação de uma central integrada de emergência onde todas as solicitações seriam recebidas e encaminhadas aos setores responsáveis da administração municipal.

A idéia também é comprar computadores através dos quais o órgão pudesse ter acesso às previsões do tempo em todo o Estado e tivesse à disposição um banco de dados. Por enquanto, as idéias continuam só no papel.

O coordenador da Defesa Civil também ressalta a importância de que o Município invista em projetos a curto ou médio prazo para implantação de captação de águas pluviais. "Se isso não for feito, a Prefeitura não terá arrecadação no futuro para arcar com as consequências", afirma.

(AA)

Chove cinco vezes mais que no verão

As chuvas durante os meses de verão chegam a ser cinco vez mais intensas do que as que atingem Bauru durante o inverno. Segundo o Instituto de Pesquisa Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), a média de precipitação no Município é de 230 milímetros de chuva acumulados durante a estação do calor, enquanto a média no inverno é de 50 milímetros.

Os números mostram bem o volume de água que tradicionalmente cai na cidade e provoca estragos, principalmente de dezembro a março. Embora as chuvas se tornem mais corriqueiras também na primavera, é no verão que a precipitação

é maior. Segundo o IPMet, a média acumulada nos meses de primavera é de 130 milímetros de chuva.

O meteorologista Luiz Fernando Nachtigall explica que, tanto na primavera como no verão, as trovoadas e pancadas de chuva no final da tarde se tornam mais comuns. As famosas chuvas de verão, com durante curta, podem se estender dependendo do sistema que estiver predominando na região. Uma frente fria sobre o oceano, por exemplo, pode tornar uma chuva mais longa.

Nesse mesmo período do ano ocorrem também as tempestades, como a que atingiu anteontem o distrito de Tibiriçá. O meteorologista ressalta, no entanto, que esse fenômeno

é ocasional e dificilmente se repete em um mesmo local na mesma estação do ano. (AA)

Pontos que ainda são problemáticos na cidade

- falta de galerias de águas pluviais no Ferradura Mirim

- erosão do Parque Roosevelt

- 80 barracos próximos à erosão do Parque Jaraguá

- erosão e falta de galerias pluviais na Vila Ipiranga

- erosão e falta de galerias pluviais no Jardim Nova Paulista

- falta de galerias pluviais no Jardim Chapadão

- falta de galerias pluviais no Jardim Nicéia

- areião da avenida Getúlio Vargas

- inundação na avenida Alfredo Maia

Fonte: Secretaria de Obras

Outras melhorias só com novo orçamento

O prefeito Nilson Costa disse ontem que a infra-estrutura do Município só poderá ser melhorada no ano que vem, com o novo orçamento municipal. "Teremos o ideal só quando tivermos o nosso orçamento", afirmou. Ele acredita que terá a possibilidade de dimensionar a aplicação dos recursos, diferente do que aconteceu este ano, quando assumiu a Prefeitura e encontrou as verbas direcionadas conforme a gestão do prefeito Antonio Izzo Filho.

Nilson Costa diz que a Prefeitura vem providenciando obras de prevenção à temporada das chuvas "dentro das possibilidades". Quanto aos locais que tradicionalmente apresentam problemas que ainda não foram solucionados, ele diz: "Me dê uma fórmula mágica para encontrar dinheiro que eu faço".

Para este ano, ele garante que a Defesa Civil receberá auxílio para que possa prestar atendimento de forma mais adequada. "Vamos deixar o órgão mais preparado", disse. Ele se refere a equipamentos e solicitações feitas pela Defesa Civil, como a da central de emergência.

(AA)