Negociação de dívidas alivia agricultores
Negociação de dívidas alivia agricultores
A elevação para R$ 50 mil o teto limite das dívidas agrícolas que terão desconto de 30%, decidido pelo governo na terça-feira. Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), presidente do Sindicato Rural de Bauru (SRB) destaca que outro ponto importante foi a prorrogação até 31 de dezembro dos pagamentos que deveriam ser feitos até 31 de outubro. Para ele, isso vai facilitar para que os produtores tenham acesso a novos financiamentos para a safra de verão.
Pela medida provisória 1.918, editada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em agosto, apenas os débitos de até R$ 10 mil tinham esse desconto. Agora, as dívidas entre R$ 50 mil e R$ 200 mil terão dedução de 15%.
Mais importante que isso, destaca Lima Verde, é a redução do desembolso neste momento difícil. A MP 1.918 previa o pagamento de 20% da parcela da dívida que vence neste ano e 30% da parcela que vence no próximo ano, com o saldo remanescente sendo jogado para o final do contrato. Pelo acordo de terça-feira, o governo aceitou reduzir o pagamento para 10% da parcela deste ano e 15% da parcela que vence no próximo ano.
O presidente do sindicato Rural disse que o acordo também beneficiará o governo, uma vez que havia o risco de muitos produtores não terem condições de buscar financiamentos para a nova safra, em razão da inadimplência que iriam adquirir em 31 de outubro. Com a nova fórmula, o governo vai poder desovar os cerca de R$ 8 bilhões que se propôs a liberar para a agricultura. "Será possível fazer muitos contratos, até 31 de dezembro, porque ninguém vai estar devendo nada. Isso vai facilitar a saída do dinheiro. A grande pressão é dos produtores do Sul do País", afirmou Lima Verde afirmando que, mais uma vez o governo `empurrou com a barriga' o problema das dívidas agrícolas.
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, considerou "excelente" a nova proposta e disse que com estas alterações o governo está conseguindo atender a um grande número de agricultores que não haviam sido contemplados na primeira proposta do governo.
A estimativa é de que cerca de 77% dos produtores que estão com dívidas securitizadas vão se beneficiar do desconto de 30% porque eles têm dívida de até R$ 50 mil.
Café
Em relação às dívidas do café, havia cerca de R$ 150 milhões, correspondentes a 84% de dívidas com o Funcafé renegociadas para um prazo de sete anos, que deveriam ser pagas agora foram novamente prorrogadas.
(PT)