07 de julho de 2026
Geral

Marginalidade

Rita de C.Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Idosos são presas fáceis para marginais

Idosos são presas fáceis para marginais

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Os marginais bauruenses descobriram um novo

"filão" para atacar, os idosos. No último ano, eles passaram a ser vítimas fáceis para ladrões, estupradores e estelionatários, que se aproveitam da boa fé e da falta de agilidade deles para aplicar golpes e levar o já minguado dinheiro da aposentaria.

A polícia não tem estatísticas específicas, mas sabe-se que os idosos, especialmente aqueles que já ultrapassaram os 60 anos, estão sofrendo com a situação totalmente adversa a realidade vivida por eles.

A violência urbana é para eles um fato novo, arrisca o delegado titular da Dig/Garra, J.J. Cardia. Segundo ele, os idosos viveram em outra época. "Quando a realidade era outra. Eles não têm malícia e nem maldade. Quando alguém pede informações, eles dão atenção e são facilmente enganados, porque hoje os marginais não respeitam ninguém."

O delegado lembra que é preciso dificultar a ação dos marginais em relação aos idosos. "O melhor trabalho é o preventivo. O idoso que se sentir seguido ou observado deve procurar um policial, antes que o crime aconteça."

Cardia ressalta que o papel da família

é fundamental para a segurança do idoso. "Há muitos idosos que moram sozinhos e que fazem tudo sozinhos. Mesmo assim, os parentes e amigos devem dedicar alguma atenção a eles. Acompanhando-os à agência bancária para fazer retirada de dinheiro. Nas compras que exijam pagamento alto etc."

O reflexo mais lento e a falta de malícia contribuem para a ação delituosa do marginal, na opinião do delegado. Os idosos demoram mais para se deslocar de um lado para outro e são mais lentos para perceber que estão sendo vítimas de um furto, por exemplo. "As famílias devem conversam mais com os idosos e tentar alertá-los para a violência."

Segundo o delegado, em Bauru, os crimes mais graves, dois estupros, cometidos contra duas pessoas idosas foram praticados por marginais doentes mentais. "Os crimes mais cometidos contra idosos são roubos, furtos e estelionatos."

Golpes

As vítimas preferidas dos golpistas são os idosos do sexo feminino, especialmente os de origem nipônica, que têm dificuldades em se comunicar. Os estelionatários se apresentam como pessoas humildes para sensibilizá-los e após convencê-los, levam todo o dinheiro que eles têm.

De acordo com o titular da Dig/Garra há inumeros casos de golpes em que a pessoa idosa retira todo o dinheiro da poupança e entrega para um desconhecido. "É o golpe mais antigo e o mais freqüente. Houve um caso, que a vítima mentiu para o bancário, que percebeu que a retirada era muito grande. Ela alegou que iria comprar um carro e pegou todo o dinheiro guardado durante anos e entregou para o "caipira". Em troca recebeu um bilhete, que não era premiado."

Cardia acha que uma pessoa da família deve estar sempre ao lado do idoso. "Eles têm dificuldades em gravar mentalmente a senha bancária e acabam aceitando ajuda de desconhecidos que, se aproveitam da situação. Fingem que vão ajudar e aplicam o golpe."

Furtos e roubos

A realidade mudou mas os idosos não acreditam muito nisso. Há inúmeros casos de furtos ocorridos em residências de idosos que conservam as portas e janelas abertas, enquanto tiram um cochilo, á tarde.

O delegado frisa que os vizinhos e parentes deve sempre alertar os idosos para o perigo. "Eles não devem atender a porta no período noturno, a não ser que seja para um parente. Devem saber quem é antes de abrir a porta. Não devem dar atenção para qualquer pessoa."

O idoso pode, segundo Cardia, acionar a polícia, sempre que perceber que desconhecidos estão rondando a sua casa, ou que está sendo seguida por alguma pessoa fora de seu convívio. " A polícia vai e verifica quem é aquela pessoa. É preciso prevenir o crime", ressalta.

O uso de bolsas de alça não

é aconselhável para os idosos, pois facilita o furto. Ostentar muitas jóias também não traz benefícios para o idoso, alerta Cardia. "Chama a atenção do marginal e a pessoa passa a ser visada."

Os idosos que moram sozinhos dveem ficar atentos para não abrir a porta para receber flores, por exemplo, se não for uma data comemorativa. Pode ser um marginal se passando por entregador. Nos prédios, os entregadores não devem subir sozinhos para os apartamentos.

Dicas

* não abra a porta, em qualquer horário para desconhecidos

* não abra leve desconhecidos para dentro de casa

* não acredite em histórias recheadas de benefícios

* não entregue documentos nas mãos de desconhecidos

* não dê atenção e nem aceite favores de quem não conhece

* não aceite ajuda em agência bancária e nem entregue o cartão de saque para pessoas que não sejam de sua família

* não ande na rua sozinho

* peça ajuda sempre a um policial