08 de julho de 2026
Geral

Pesquisa agrícola

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Agricultura pede epsquisa na região

Agricultura pede pesquisa na região

Texto: Marcos Zibordi

Prefeitos vão levantar necessidades e potencialidades agrícolas nos municípios para tentar encontrar saída para crise

Bauru - Com a certeza de que nenhum milagre ou ação dos órgãos governamentais irá resolver o problema da agricultura na região, prefeitos de 26 cidades estão articulando uma pauta de necessidades agrícolas dos municípios pedindo, principalmente, apoio em pesquisas que possam melhorar a produção com desenvolvimento e aplicação de tecnologias.

Na semana passada, em Bauru, alguns prefeitos e vários representantes debateram preliminarmente a estratégia. Como o anseio principal é a pesquisa, várias entidades já estão engajadas no projeto. Segundo Cynise Pereira Leite, 66 anos, secretário de Agricultura de Bauru, o projeto

é da sua secretaria, que procura parceria de todos os órgãos que possam dar subsídio a um programa de agricultura para região. "Um programa que atendesse com maior ênfase o pequeno produtor rural, que é meio desassistido". Universidade do Sagrado Coração (USC), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Cati, Sebrae, Senar e Sindicatos Rurais são as entidades envolvidas até agora. "Não só quando parte da gente, mas também quando parte desses órgãos, quando tem alguma atividade, nós estamos sempre colaborando e recebendo colaboração".

Para o secretário, a meta é que a pesquisa mostre ao produtor rural que seu produto também tenha qualidade, além de produção. "E naturalmente temos também que diferenciar o nosso produto para ganhar mercado".

As pretensões e necessidades dos municípios num plano regional foi um pedido do próprio secretário de Agricultura do Estado, João Carlos Meireles.

Com isso, estes municípios operam uma inversão na política agrícola, fazendo com que ela parta dos municípios para o Estado e para a União, e não o contrário. "Vamos historiar tudo aquilo que é disponível na nossa região para se traçar uma política mais real".

O documento deve chegar ao governo estadual e ao Ministro da Agricultura até o final do ano. Os municípios envolvidos são os abrangidos pela Delegacia Regional de Agricultura. "E nós incluímos mais alguns que tenham as mesmas condições de clima e de solo como o nosso. Isso nada impede que outros possam participar. Se outros quiserem vir, nós vamos somar, acatar sugestões".

Borebi x Duartina

Estas duas cidades estão vivendo diferentes momentos agrícolas que provam a necessidade de pesquisas para o setor e, de outro lado, como ela dá resultados. Em Borebi, uma multinacional vai produzir croquetes de mandioca para exportar. Será pesquisada a melhor variedade do produto para as características da região e a empresa vai comprar toda a produção. Em Duartina, a cultura do bicho-da-seda tenta recuperar seu lugar na economia, para o que necessita de pesquisa, apoio técnico e união dos produtores.

A chefe da Casa da Agricultura de Borebi, Adréia Saraia, esteve no Instituto Agronômico de Campinas (IA) para pesquisar variedades de mandioca compatíveis com o solo e o clima da cidade. O Instituto se interessou tanto que seus técnicos passaram a desenvolver um projeto sobre mandioca na cidade com seis variedades de mesa (mansa) e duas para farinha (brava).

O projeto envolve 20 agricultores que formarão uma cooperativa para comercializar o produto. As manivas (talo) serão vendidas e a parte aérea será destinada à produção de ração para gado (com alto índice de proteína).

A partir de janeiro, será montada uma fábrica de croquetes de mandioca, que exportará o produto para França.

"Borebi será um centro de pesquisa modelo mostrando que plantando a mandioca de forma correta e com tecnologia, ela pode cozinhar o ano inteiro".

As espécies serão cultivadas em maio e outubro e, após um ciclo de dez meses, será feito um dia de campo para os agricultores saberem qual foi a melhor variedade que se adaptou à região.

A indústria de croquetes francesa utiliza 50 toneladas de mandioca por mês para a fabricação do croquete, além de toletes de mandioca pré-cozida para ser vendida em restaurantes e supermercados da Europa.

Serão plantados inicialmente 100 alqueires de mandioca e 20 toneladas serão utilizados por mês, até chegar ao "top" de produção de 100 toneladas mês. A fábrica só vai se instalar em Borebi por causa do projeto. Estuda-se, também, uma nova tecnologia que possibilite o cozimento da mandioca em qualquer época do ano.

Enquanto Borebi une produtores, forma cooperativa e vai exportar seu produto fomentando a economia, Duartina e as cidades que dependiam da produção do bicho-da-seda estão buscando recuperar o tempo e o espaço perdidos.

Há 15 anos, Duartina tinha 600 produtores do bicho-da-seda. Hoje tem 50 que lutam para recuperar a economia do município com a sericicultura. Além do suporte técnico, que implica pesquisa e utilização de novas tecnologias, os produtores unidos terão maior força para competir neste mercado.

Caso o projeto dos prefeitos tenha continuidade e elabore um plano sério e competente, as chances são grandes. A agricultura diversificada, com qualidade e produzida com tecnologia no interior de São Paulo é uma das únicas chances de sobrevivência econômica da maioria das pequenas cidades.