Eletricitário criticam venda da companhia do Tietê
Eletricitários criticam venda da companhia do Tietê
Texto: Luciano Augusto
O Sindicato dos Eletricitários de Bauru (futuro Sinergia pró-CUT) criticou a privatização da Companhia de Geração de Energia Elétrica do Tietê, que compreende 28 usinas (entre elas Barra Bonita e Ibitinga). A companhia foi arrematada, ontem, pelo consórcio norte-americano AES por R$ 938 milhões, com um ágio de 29,6%.
De acordo com o diretor do Sinergia pró-CUT em Bauru, Jesus Francisco Garcia, 44 anos, o grupo AES já tem participação no setor elétrico brasileiro através da antiga Eletropaulo
(atual Metropolitana) e da Gerasul (empresa de energia elétrica do Rio Grande do Sul).
Nestas empresas, Garcia aponta que "os processos de reestruturação" incrementados pelos americanos significou "demissões e desemprego". "Em São Paulo, por exemplo, eles demitiram imediatamente", argumenta.
O sindicalista garante que não será aceito pelo sindicato nenhum tipo de descumprimento do acordo coletivo dos trabalhadores, válido até maio de 2001. Caso a empresa infrinja o que está determinado no acordo, "os eletricitários usarão a greve contra a demissão", adianta Garcia.
Outra crítica do sindicato diz respeito ao subsídio de 50% para viabilizar a participação do grupo AES no leilão da companhia, dado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
O clima entre os trabalhadores, segundo Garcia, é de indignação e revolta.
Uma segunda ação do sindicato é o que Garcia chama de "sindicato para fora", que são as ações externas do sindicato. O sindicalista avisa que os eletricitários irão buscar apoio junto à sociedade através do controle social sobre a prestação do serviço público. "Apesar das empresas estarem sendo privatizadas o serviço continua público", esclarece. Uma proposta do sindicato é a constituição dos conselhos municipais de energia elétrica como um meio fiscalizador na prestação do serviço.
Sem um controle mais rígido da prestação do serviço, na opinião do sindicato, o consumidor, principalmente o de baixa renda, poderá ser o maior prejudicado, principalmente pelo aumento da tarifa elétrica.