Falta de consenso impede reunião entre mototaxis e Emdurb
Falta de consenso impede reunião de mototaxistas e Emdurb
Texto: Andréia Alevato Ascari
Uma reunião entre mototaxistas e Emdurb para tentar prorrogar o prazo da lei municipal, que começa a vigorar no dia 5 de novembro e que regulamenta a situação da categoria deveria ter sido realizada ontem. Nessa reunião seria discutida uma possível prorrogação, por seis meses no prazo. A falta de consenso entre mototaxitas, que estavam divididos entre Sindicato dos Mototaxistas, Associação dos Mototaxistas de Bauru e Comissão dos 10 (formada por cinco proprietários de base de mototaxis e cinco motoqueiros eleitos pela classe), Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas de Bauru e Região (SindBru), Sindicato dos Taxistas e Emdurb prejudicou a reunião, que não acabou e não decidiu nada.
Hoje às 16 horas está agendada uma reunião com o prefeito Nilson Costa (PPS), na qual será discutido o futuro da regulamentação e os prazos (veja matéria nesta página).
A reunião de ontem estava marcada para as 10 horas, no escritório da Emdurb, que está mediando as negociações entre os mototaxistas e demais setores envolvidos no transporte de Bauru. Mas, não foi realizada porque a Comissão dos 10 levou mais de 100 mototaxistas, que ficaram na frente da Rodoviária esperando o resultado do encontro. Por esse motivo, alguns dos participantes, entre eles Aparecido Fraile, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas de Bauru e Região (SindBru), se retiraram da sala, provocando tumulto entre os mototaxistas já inscritos na Emdurb, os não inscritos e o presidente do Sindicato dos Mototaxistas, Péricles Antônio de Matos.
"Saí da reunião porque até então, o transporte de mototaxi em Bauru estava regulamentado. Todas as discussões estavam sendo feitas por líderes dos setores envolvidos e agora passa a ser político. Eu não participo de política. Eu participo de movimentos para se achar soluções para os problemas em Bauru", disse Fraile.
Matos também saiu da reunião. Os motoqueiros que estavam do lado de fora tentaram cercar o presidente do Sindicato dos mototaxistas, mas a polícia impediu. "Eu não estava sabendo que tinha política no meio dessa reunião. Pensei que só estariam presentes pessoas interessadas no transporte público de Bauru. Eu sou do Sindicato dos Mototaxistas e tudo já está regulamentado, não sei porque tanto barulho agora. E quem já é mototaxista a mais tempo sabe que eu falei com eles antes da lei ser aprovada", disse Matos.
Uma lata foi atirada e acertou a cabeça do sindicalista. Os motoqueiros dizem estar mais revoltados ainda com o presidente da categoria porque não se sentem representados por ele, que declarou, na semana passada numa emissora de televisão, que os "alguns mototaxistas roubam cestas básicas e troco".
"O Péricles de Matos não representa a categoria. Ele aceita tudo o que é imposto sem falar com os mais interessados, que somos nós", disse o mototaxista Ismael Cirino.
Para Patrícia Aparecida Lopes, da Comissão dos 10, com a prorrogação do prazo, a situação dos motoqueiros poderá mudar, já que haverá mais tempo para novas negociações, como a da pintura do tanque das motocicletas, uma das exigências da Emdurb para inscrever o motoqueiro.
"Se o prazo for prorrogado, teremos tempo de acertar nossa situação e atender as exigências da Emdurb. Nesse tempo também podemos estudar a possibilidade da Emdurb aumentar o número de mototaxistas regularizados de 400 para 600", afirmou Patrícia.
O presidente da Emdurb, Joaquim Madureira, disse que se não houver um consenso entre todos os envolvidos no transporte bauruense, principalmente entre os mototaxistas, será difícil atender os pedidos da categoria, como o de prorrogar o prazo da lei para regulamentação dos motoqueiros, mas garantiu que vai propor, separadamente, para todos os sindicatos, Associação de Mototaxistas e Comissão dos 10, uma solução para os mototaxistas que seja de acordo para todos.
"Tem que haver um consenso entre todos. Nós da Emdurb estamos à disposição para intermediar as negociações para levar ao prefeito. Vamos agora propor uma solução que atende a categoria, mas separadamente para cada grupo", concluiu Madureira.
Após a reunião fracassada, um grupo foi em passeata até a Prefeitura que conseguiu agendar a reunião para hoje com Nilson Costa.
Prefeito admite ampliação de prazo
O prefeito Nilson Costa admitiu, ontem, a possibilidade de ampliar o prazo, "por pelo menos mais 60 dias", para que os mototaxistas aprovados no processo seletivo da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) consigam se adequar às normas estabelecidas no decreto que regulamenta o serviço na cidade. O prazo final estabelecido pelo decreto
é 15 de novembro. Disse também que "se houver necessidade de aumentar o número de vagas, nós (Prefeitura e Emdurb) consideraremos".
O chefe do executivo comentou que a sua administração
"está predisposta a facilitar a vida dos profissionais de mototaxi", mas que, para isso, é preciso que haja consenso entre as diversas partes envolvidas. "O intuito do prefeito e da Emdurb não é absolutamente criar embaraço a quem quer que seja, mas nós temos que fazer imperar este decreto e regulamentar o serviço em Bauru".
Nilson Costa criticou a existência dos três grupos de mototaxistas que estão se "degladiando e divergindo". Na opinião do prefeito, isso "certamente irá inviabilizar a regulamentação do mototáxi em Bauru". De acordo com ele, os profissionais precisam se unir para poder dialogar com o Executivo.
Aproveitou também para criticar o que classificou de espetáculos muito tristes, "que compromete a categoria de profissionais honestos". "Queremos ajudar, mas queremos uma regulamentação. Caso contrário, nós continuaremos assistindo a esses espetáculos muito tristes de malfeitores que colocam capacetes, jaleco e pegam uma moto qualquer e saem por ai, pegando passageiros e praticando crimes".