Meninos ganham para sair da rua
Meninos ganham para sair da rua
Vinte e seis meninos entre 12 e 16 anos de idade que garantiam o sustento de suas famílias trabalhando como guardadores de carro em frente à Instituição Toledo de Ensino (ITE) agora recebem bolsa-escola para sair da rua, voltar para a sala de aula e ainda receber instruções adicionais oferecidas pela faculdade. Há um mês, eles deixaram a tarefa diária para integrar o projeto "Garoto Cidadão", uma iniciativa da ITE.
Cerca de 1.600 estudantes e 250 professores participam do projeto. O dinheiro que eles entregavam aos garotos que ficavam no estacionamento agora é destinado ao projeto e ao pagamento da bolsa-escolas. Eles colaboram com quantias fixas todo mês para que seja possível fazer a entrega dos R$ 150,00 mensais para cada garoto. Além deles, o projeto conta com a colaboração do empresário Jad Zogheib, que oferece bolsas-escolas para cinco garotos.
"Como existe uma boa proximidade com a ITE e o estabelecimento comercial do empresário, os meninos acabavam trabalhando no estacionamento dele, o que o motivou a nos ajudar", explica a assistente social do Centro Iteano de Ação Sócio-Educativa
(Cite), Lúcia Helena Oller. Ontem, o empresário firmou o contrato que prevê a colaboração por um ano.
Lúcia diz que os garotos não voltaram a trabalhar no estacionamento da ITE e que já foi possível constatar os benefícios do projeto. Um deles é que os garotos estão voltando a ter assiduidade na escola, uma das exigências para o recebimento do auxílio financeiro.
Mas não foi apenas por esse motivo que a coordenação do projeto afirma que as expectativas foram superaradas. O desempenho dos garotos nas aulas de inglês e informática oferecidas pela faculdade, por exemplo, foi além do esperado. Eles participam também de oficinas de paisagismo e urbanismo, instruções sobre higiene e informações sobre drogas com policiais do Proerd.
Ela ressalta que o projeto, além de tirar as crianças da rua e promover a sua reintegração à escola, visa o resgate da auto-estima. Lúcia diz que a aceitação dos garotos foi excelente, tanto que não houve desistência de nenhum deles.
"Acreditamos que estamos trazendo incentivo e esperança, dando a eles o direito de ser crianças", explica.
"Eles têm respondido de forma positiva, impulsionando nosso trabalho rumo ao alcance dos objetivos propostos".
A intenção do Cite é também de tentar inserir os garotos no mercado de trabalho. A entidade ainda estuda uma forma para que isso seja feito. (AA)