13 de março de 2026
Geral

Gostos pessoais

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Você não gosta de quê?

Você não gosta de quê?

Texto: Gustavo Cândido

Você acaba que conhecer uma pessoa formalmente mas, sem que exista alguma razão aparente, já não gosta dela. Simplesmente "não vai com a cara" e pronto e isso irrita. Por que isso acontece? Será o modo como ela estava vestida, a cor do seu cabelo ou seu nome que não lhe agradou? O gosto humano pelas coisas é muito variado e depende de vários fatores que vão das experiências de infância às influencias do ambiente e dos costumes.

"Eu não gosto de flores, mesmo sabendo que o seu perfume não me incomoda e que elas não podem me fazer mal, apenas não gosto. Dentro de casa não há nada verde". A declaração do comerciante Angelo Marinho parece não fazer sentido. afinal, como alguém pode não gostar de flores? Não menos curiosa é a aversão da estudante Andréia Regina Souza, ela não gosta de telefone, "odeio falar ao telefone, atender telefones, ver telefones, celular então, nem me fale", diz já irritada. O detalhe é que nem Angelo, nem Andreia conseguem explicar o porquê da antipatia por coisas tão comuns na vida como flores e telefones.

É até normal que as pessoas não gostem de coisas chatas de se fazer, como passar roupa, não conseguir falar no telefone ou esperar em filas, por exemplo, ou de coisas que possam trazer algum dano físico (por menor que seja), como esportes radicais ou animais. Mas esses são gostos justificados e até lógicos. O que acontece nos outros casos pode ter várias razões.

A psicóloga Elaine Olmo destaca alguns exemplos mais comuns: existem casos em que a pessoa sofre algum trauma logo cedo ou fica com algum conflito mal-resolvido e isso acaba se manifestando no futuro. Tudo o que lembra esse trauma (seja um objeto, uma cor, uma palavra ou situação, acaba remetendo, inconscientemente ao caso do passado e provocando a aversão. O repúdio da água, por causa de algum "quase afogamento" na infância, por exemplo.

Outro caso é quando a pessoa cresce sendo influenciada por outras em relação a alguns assuntos, como aquele indivíduo que não come certa comida, sem sequer tê-la experimentado, porque ouviu falar desde pequeno que aquilo era ruim.

A inveja também pode ser a causadora da aversão por pessoas e coisas, "de repente você pode querer algo que não tem e isso o deixa irritado", diz a psicóloga. A declaração da estudante J.A. é um exemplo:

"não gosto quando estou triste ou de mal-humor e vejo várias pessoas rindo à minha volta", diz, sem se considerar invejosa por isso. O repúdio por certos objetos também, muita gente diz que não acha um modelo de carro bonito, por exemplo, só por que sabe que nunca vai poder possuir um daqueles. Inveja.

Espelhos

Quando o não gostar está relacionado às pessoas, como na situação proposta na abertura da matéria, a maioria dos casos indica que a vítima da aversão está na realidade refletindo os defeitos de quem a odeia.

"Fazemos julgamentos de atos agressivos, do ciúme, da inveja, das antipatias dos outros e não percebemos que estamos fazendo uma projeção de tudo aquilo que nos é desagradável em nós mesmos, principalmente quando estamos frustrados, há uma tendência em jogar a culpa em alguém e o que nos incomoda nos outro é o que menos queremos reconhecer em nós mesmos", diz Elaine Olmo. Ou seja, quando alguém acha que uma pessoa

é intrometida de mais ou qualquer outra característica negativa, muito provavelmente está identificando (inconscientemente,

é claro) essa característica com ela mesma, é uma intrometida que não gosta dessa característica mas não sabe, por isso só vê o defeito nos outros.

Costumes

Elaine Olmo destaca, porém, quem nem sempre o não gostar de alguém ou do comportamento de uma pessoa está relacionado à projeção dos próprios defeitos. "Existem outros fatores que podem nos fazer perceber as pessoas e coisas de acordo com nossos valores, do que consideramos certo ou errado, ou seja a maneira particular de cada um ver o mundo. Influenciamos e somos influenciados o tempo todo e com isso podemos deparar com comportamentos estranhos que podemos aceitar ou não", diz a psicóloga. Segundo ela

é comum encontrar pessoas que nos irritem e incomodem, simplesmente porque não são aquelas com as quais estamos acostumados.

O que você menos gosta?

"Não gosto de esperar em filas"

Vanessa Delfino, 19 anos, estudante

"Odeio ser cobrado sem que antes alguém peça alguma explicação"

Valdir Pereira da Costa, 32 anos, comerciante

"Não suporto fica em fila. O duro é que não há como fugir delas"

Maria de Fátima Ferreira, 35 anos, dona de casa

"Não gosto de políticos desonestos"

Ari H. Facchini, 67 anos, aposentado

"A impunidade no Brasil me irrita"

Sebastião Roberto, 70 anos, aposentado

"Não aceito mentira de jeito nenhum"

Samantha dos Santos Arruda, 24 anos, digitadora

Os campeões do ódio

Veja as dez coisas mais odiadas pelas 40 pessoas entrevistadas nas ruas de Bauru 1- Esperar em fila

2- Telefone ocupado

3- Ganhar pouco

4- Programação de domingo na tevê

5- Entregadores de papel nos semáforos

6- Trânsito no centro da cidade

7- Chuva

8- "Guardadores" de carro

9- Torcedores de futebol fanáticos

10- Programa político obrigatório/Voz do Brasil