07 de julho de 2026
Geral

Colesterol

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Colesterol é alto em 70% dos bauruenses

Colesterol é alto em 70% dos bauruenses

Texto: Sabrina Magalhães

Pessoas que têm qualquer fator de risco para problemas cardíacos devem vigiar os níveis de colesterol rigorosamente

Uma campanha realizada pelo Centrocard em Bauru, no último mês, mostrou que 70% da população bauruense acima de 35 anos apresenta níveis altos de colesterol no sangue. Segundo os dados, das 323 pessoas examinadas, apenas 28,79% tinham valores normais de gordura. Outros 30,96% dos voluntários tinham taxa de gordura no limite máximo aceitável. E a grande maioria, 40,25%, apresentou mais de 240mg de gordura por decilitro de sangue. Um dado preocupante, mas que merece uma análise mais profunda.

De acordo com o cardiologista Vilson Zorzetto, o resultado da pesquisa pode ter sido prejudicado em função de um erro metodológico: "Porque nós avisamos, através da imprensa, que faríamos a medição gratuitamente naqueles postos e horários determinados. Então, muitas das pessoas que participaram da campanha provavelmente tinham colesterol sabidamente elevado ou desconfiavam que tinham e foram fazer o exame. Para obtermos um resultado mais fiel, teríamos que fazer a medição aleatoriamente, em locais de grande concentração de pessoas, mas sem convite. O convite pode ter distorcido nossos dados".

Mesmo assim, os resultados da campanha em Bauru se aproximaram muito das estatísticas de várias capitais brasileiras, onde 27% das pessoas apresentaram taxa limite de colesterol e 23% ultrapassaram os 240mg/dl. Já está provado que as pessoas que estão na chamada faixa limítrofe podem ser facilmente tratadas.

Tipos e níveis

Ao contrário do que se pensa, colesterol não é uma gordura, mas um álcool, que é transportado por lipoproteínas (lipo = gordura). Quando esta lipoproteína

é de baixa densidade (LDL - Low Density Lipoprotein), o colesterol é considerado ruim, porque tem a propriedade de "grudar" na parede das artérias. E quando a lipoproteína é de alta densidade (HDL - High Density Lipoprotein), o colesterol é considerado bom, porque ele atrai o LDL e leva para o fígado, onde a gordura é metabolizada e eliminada do organismo.

Portanto, o ideal é que as pessoas tenham uma taxa alta de HDL (colesterol bom) e uma taxa bem baixa de LDL (colesterol ruim). Ou seja, o HDL deve ser maior que 35 e o LDL, menor que 140.

A soma dessas duas lipoproteínas resulta no chamado colesterol total, que deve ser mantido abaixo dos 200mg/dl. Quando esta taxa está entre 200-240mg/dl, diz-se que o indivíduo atingiu os valores limítrofes. Quer dizer, ele já tem uma concentração excessiva de colesterol no sangue, mas que pode ser revertida com controle alimentar e um programa regular de exercícios físicos. Porém, se os exames apontarem colesterol total acima de 240mg/dl, este indivíduo precisa de um tratamento mais urgente e agressivo, com uso de medicação, além da dieta e atividade física.

"A dieta representa 20% do tratamento. Os outros 80% nós costumamos dizer que é problema do próprio metabolismo. Então, por exemplo, um indivíduo que leva uma vida desregrada e tem 300mg/dl de colesterol, se ele fizer a dieta

(cortando radicalmente a gordura), essa taxa cai para 240, no máximo. Isso ainda é muito. O restante só se consegue reduzir com medicação."

Prevenção

Por ser um inimigo silencioso, a hipercolesterolemia precisa ser investigada periodicamente. Segundo o cardiologista Vilson Zorzetto, via de regra, todos os homens acima de 20 anos e mulheres acima de 40 anos devem fazer o exame de dosagem de colesterol. "Se o resultado for normal, este exame só deverá ser repetido em cinco anos. Conforme a idade, a cada dois anos. Mas se as taxas estiveram alteradas, o controle passa a ser semestral."

Mas estas indicações mudam completamente se a pessoa apresenta qualquer fator de risco, seja para hipercolesterolemia ou para problemas cardíacos. Por exemplo, quando há casos na família, o indivíduo deve ser examinado ainda na infância, para saber se o acúmulo de colesterol está naquele código genético.

Se a pessoa estiver acima do peso, o exame deve ser feito, mesmo não havendo casos da família. E isso vale para qualquer idade. A obesidade é um fator de risco tanto para o acúmulo de colesterol, quanto para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Na lista dos fatores de risco, entram ainda: hipertensão, diabetes, estresse, sedentarismo e tabagismo.

Síndrome X

Zorzetto chama a atenção para o efeito dominó dos fatores de risco. Ele destaca que quando há dois destes fatores, seu potencial para desencadear a doença cardíaca

é potencializado. "Por exemplo, Vamos dizer que quem tem colesterol alto tem um fator 3 e que a pessoa que fuma tem fator 3. Se o indivíduo fuma e tem colesterol alto, ele passa a ter um fator 90, é uma potencialização dos efeitos (...) Então, se você tem colesterol alto e é obeso, provavelmente vai ter pressão alta. Com pressão alta, provavelmente vai ficar diabético logo, então forma-se uma síndrome (conjunto de sintomas) chamada síndrome X, que é um problema bastante sério."

Ateriosclerose

Quando os níveis de colesterol estão muito altos, o LDL começa a se depositar na parede das artérias, num processo chamado ateriosclerose. Conforme o sangue passa por ali, algumas células e mais colesterol vão se juntando a essa gordura, formando placas. Sem que o indivíduo apresente qualquer sintoma, essas placas vão crescendo, até que as artérias fiquem "entupidas", dificultando a passagem do sangue. Em determinado momento, o indivíduo pode apresentar insuficiência renal, angina, derrame, aneurisma ou infarto. A única forma de evitar a ateriosclerose é manter sob controle as taxas de LDL e HDL.