07 de julho de 2026
Geral

Exportação

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 5 min

Abracex cobra apoio à exportação

Abracex cobra apoio à exportação

Texto: Paulo Toledo

Para a associação, ministro Alcides Tapias foi boa escolha, mas governo não está dando condições para que ele trabalhe

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Exterior, Alcides Tápias, deve ser fortalecido pelo governo para que o País possa encontrar seu caminho para as exportações, que não são suficientes e vêm desequilibrando a balança comercial do País. O posicionamento é do presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Primo Roberto Segatto, para quem Tápias foi uma boa escolha para o cargo, mas o governo não está dando condições para que ele trabalhe. Para ele, falta uma decisão política do governo de ter a vontade de exportar.

Segatto afirma que a exportação é a "tábua de salvação do País, pois se a performance não for boa, sem dúvida, tudo irá fracassar". Para ele, isso já vem ocorrendo há mais de 30 anos e o Brasil não encontra o caminho da exportação e a maior culpa desta situação cabe ao governo e, depois, os empresários. Porém, acusa que o governo não motivar os empresários para que possam atingir o mercado externo. "Precisa, até, de certos incentivos. Se for examinar 30 anos atrás, quando o Brasil fez um programa de exportação, o "Exportar é o que Importa", e havia um plano que dizia que a salvação do Brasil

é a exportação, entre outras coisa, a situação não mudou. Isso vem de outras épocas, quando o País deu um salto grande nas exportações", afirmou.

Segatto afirma que a questão das exportações

é muito importante, pois, por exemplo, se examinar as últimas crises econômicas, o Brasil teria uma posição muito mais sólida, se tivesse mais dólares em caixa. Ele lembra que na última "corrida" o País tinha US$ 70 bilhões em caixa e, agora, só tem US$ 30 bilhões. "US$ 40 bilhões sumiram, do dia para a noite. Porque é um dinheiro volátil. O capital tem que entrar no País em investimentos fixos. Não digo que não entre o capital volátil para jogar nas Bolsas de Valores, para se aplicar, já que o Brasil apresenta juros acima do mercado internacional. Mas, precisamos de recursos externos oriundos da exportação, que

é dinheiro que vem e fica", disse.

O presidente da Abracex destaca que há países que dão incentivos para instalação de indústrias, mas determinam que parte da produção seja destinada

à exportação. Ele lembra que, no Brasil, isso já aconteceu nas décadas de 70 e 80, quando existia um programa chamado Befiex. Havia uma relação obrigatória entre importação e exportação, como, por exemplo, se importava US$ 1,00, era obrigado a exportar US$ 5,00. Dependendo da potencialidade do setor, esse valor crescia.

Essa "ferramenta" terminou em 1990. Porém, até hoje, existem exportações desse programa, que está deixando um saldo positivo de aproximadamente US$ 120 bilhões.

"É uma ferramenta muito hábil. Levou muitas pequenas e médias empresas a conhecerem o mercado externo. De repente, o governo corta tudo e fica somente na mão dos empresários que, sem um incentivo e uma estrutura de exportação. Isso complicou a situação", afirmou.

O presidente da Abracex destaca que os órgãos do governo, como Apex, Cecex, ministérios, entre outros, como o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico-Social

(BNDES) não estão funcionando como deveriam nesta

área. Ele diz que quando é anunciada uma linha de crédito, o empresário a encontra acima das taxas que seriam necessárias para exportação e as exigências são muito grandes.

Segatto afirma que os erros do governo na área de exportação estão na falta das políticas industrial e de comércio exterior, além da ausência de um coordenador para essas políticas. Para ele, é preciso ter um homem forte para assumir esse papel e diz que o ministro Alcides Tápias tem o perfil ideal para isso, porém sofre com a falta de espaço no governo. "É preciso aglutinar tudo isso. Não partir uma portaria de cada ministério, senão a coisa fica muito dispersa, ninguém sabe o que vai acontecer", afirmou.

O presidente da Abracex defende que, já que a reforma tributária não sai, o governo deveria buscar a desoneração das exportações por meio de emendas constitucionais. Segatto destaca que essa operação carrega em seu bojo cerca de 20% de tributos, o que é considerado alto e ainda não está incluído o chamado Custo Brasil que, segundo ele, inviabilizam as exportações.

Além disso, acredita que os bancos comerciais poderiam ajudar na abertura das exportações. Por outro lado, critica o Itamarati pelo se "desempenho fraco na parte promocional", já que não existe o hábito de promover feiras ou incentivar os empresários a participarem de feiras no exterior, colocando os produtos brasileiros. "Então, o Brasil é um ilustre desconhecido lá fora. O que se conhece do País é o futebol, Carnaval e o turismo sexual. Como pode desenvolver um País desta forma", reclamou.

Segatto afirma que o Brasil tem um parque industrial muito diversificado, muito acima da média de países que exportam muito mais. Ele cita como exemplo México, Coréia e China, que exportam, em média, 20% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto que o Brasil exporta 5% do PIB. Para quem argumenta que o México está no "quintal dos Estados Unidos" o presidente da Abracex diz que é possível reverter essa distância com custos baixos e com fretes baixos. "Porque temos uma riqueza de produtos naturais e tudo o que for necessário em matérias-primas que o México não tem", afirmou.

Para Segatto, a Abracex vem apontando para o governo os problemas e caminhos para o incentivo às exportações, porém nem sempre isso tem dado resultado, tanto que a entidade tem assumido posturas críticas em relação

à administração Fernando Henrique Cardoso.