11 de março de 2026
Geral

Crise da saúde

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Hospital de Lençóis fecha única UTI

Hospital de Lençóis fecha única UTI

Associação Beneficente Hospital Nossa Senhora da Piedade alega que convênio alega escassez de recurso para manter unidade

Lençóis Paulista - A Unidade de Terapia Intensiva

(UTI) do único hospital de Lençóis Paulista está fechada há cerca de 15 dias e o motivo, seriam recursos insuficientes para sua manutenção. A UTI que já havia sido fechada anteriormente, foi reativada em julho último após uma parceria com a Unimed que pagava os médicos do plantão.

A direção do Hospital Nossa Senhora da Piedade não quis falar sobre o assunto com a reportagem do Jornal da Cidade ontem, mas de acordo com comunicado assinado pelo provedor Daniel Jesus Zillo, e encaminhado à Câmara Municipal de Lençóis Paulista, no último dia 20, este justifica o fechamento alegando que não está havendo reajuste nos repasses de recurso recebidos pelo hospital através de convênios.

O hospital Nossa Senhora da Piedade mantém convênio com a Prefeitura Municipal para atendimento de urgências e emergências com plantões de cobertura de 24 horas. Mas, de acordo com o comunicado assinado pelo provedor, "Os valores praticados não receberam, desde o início do convênio (não foi especificado desde quando vigora esse convênio), qualquer tipo de reajuste, tornando-se impossível a manutenção dos serviços tendo em vista as alterrações dos custos que houve nesse período". No comunicado enviado à Câmara, a provedoria destaca ainda que "Há de se considerar também que todas as internações pelo Sistema Único de Saúde têm a sua origem no Pronto-Socorro e que também nos proporciona enormes prejuízos. A situação

é delicada e só teria solução se houvesse um repasse de recursos financeiros na ordem de R$ 75 mil mensais".

Após fazer essas considerações, a provedoria ressalta no comunicado que a diretoria da Associação Beneficente Nossa Senhora da Piedade de Lençóis Paulista decidiu denunciar o convênio que mantém com a Prefeitura Municipal, concedendo-lhe o prazo de 90 dias, conforme determina cláusula do convênio. "Caso não houver solução no tempo estipulado o hospital irá solicitar o descredenciamento do convênio com o Sistema Único de Saúde".

Unimed

O diretor de Marketing da Unimed-Lençóis Paulista, Carlos Orlando Carraro, esclareceu ontem que a Unimed não tem participação nenhuma na decisão do hospital em desativar a UTI. Disse inclusive que a empresa está disposta a continuar com a parceria que vinha mantendo com o hospital, desde que haja interesse por parte da diretoria da Associação.

Carraro explicou ainda que a parceria para reativar a UTI foi firmada entre a Unimed e o hospital em 12 de julho passado, ficando a Unimed incumbida de pagar os médicos plantonistas da UTI, o que vinha sendo cumprido rigorosamente.

Prefeito não vê motivo para hospital denunciar convênio do PS

Lençóis Paulista - O prefeito de Lençóis Paulista, José Prado de Lima, mostrou-se surpreso com a informação, veiculada na semana passada, dando conta da denúncia (rescisão) do convênio pelo qual o Hospital Nossa Senhora da Piedade presta atendimento de pronto-socorro. Segundo o prefeito, a notícia chegou à imprensa antes mesmo de qualquer tentativa, por parte da provedoria e administração do hospital, no sentido de discutir a questão, pois alegam um déficit que estaria inviabilizando o cumprimento do convênio. "Estranhamos este fato", respondeu.

O que a administração municipal faz questão de deixar claro, segundo o prefeito, é que não lhe compete discutir a manutenção da UTI - que foi fechada uma semana antes da decisão relativa ao pronto-socorro

-, já que o atendimento ali oferecido tem remuneração vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), convênios e internações particulares. "A Prefeitura cumpre com a sua parte (subsidiar o pronto-socorro), de vez que o hospital não é parte da administração pública", afirmou Pradinho. Além da destinação de uma dotação mensal de R$ 55 mil, liberados com regularidade, ele lembra que recentemente foram doados aparelhos de raios-X e um arco cirúrgico para o hospital, em convênios que totalizam o valor de R$ 150 mil.

Sobre a alegação de que nos dois últimos anos não foram feitos repasses de recursos da municipalidade, a não ser pelas subvenções destinadas ao pronto-socorro, o prefeito fez um comparativo, pelos quais mostra que só este ano, as verbas liberadas já chegam a R$ 526 mil até setembro, enquanto no governo anterior esse foi o valor aproximado da soma de todos repasses feitos, entre 93 e 96.

Na comparação dos valores repassados pela Prefeitura na administração passada e na atual, Pradinho lembrou que, em 94, a ajuda da Prefeitura foi de R$ 25 mil, enquanto em 98 os recursos para o PS foram de R$ 634 mil. O prefeito garante que nos três primeiros anos de sua gestão a Prefeitura já contribuiu para o hospital com uma importância quatro vezes maior do que os R$ 500 mil oferecidos pela administração anterior. "Já entregamos ao nosso hospital, em três anos, mais de R$ 2 milhões e hoje a Prefeitura praticamente assumiu as despesas do pronto-socorro, depois de ouvir reivindicações dos responsáveis dessa nossa casa de saúde", argumentou.

Seriedade

A Prefeitura, de acordo com o prefeito, dispõe de levantamento que mostra que a saúde vem sendo conduzida com seriedade e eficiência, principalmente nos bairros onde atuam os médicos de família. As unidades de saúde, instaladas nos bairros mais populosos têm atendido à população satisfatoriamente e desafogam o pronto-socorro, exceto nos finais de semana e feriados prolongados, quando pode ocorrer eventual sobrecarga no pronto-socorro, esclareceu. Mesmo assim, a Coordenadoria de Saúde deverá, por determinação do chefe do Executivo, instalar urnas para que os usuários do sistema municipal de saúde apresentem suas reclamações e sugestões, como forma de assegurar um bom atendimento por parte dos funcionários públicos do setor.

Hoje, prosseguiu Pradinho, há grande capacidade de atendimento

à procura de remédios por pessoas carentes e a distribuição

é feita com critérios sociais. "Acabou aquele famoso auxílio político, que o prefeito manda um bilhete determinando que o usuário seja atendido", avisou. O remédio é fornecido depois de triagem da Assistência Social e, se for constatado qualquer favorecimento indevido ou o não cumprimento de normas, o funcionário será punido e poderá até ser demitido.