07 de julho de 2026
Geral

Violência

Andréia A. Ascari
| Tempo de leitura: 3 min

Agressividade faz parte da natureza humana, diz psicóloga

Agressividade faz parte da natureza humana, diz psicóloga

Texto: Andréia Alevato Ascari

O que levaria alguém a ir ao cinema para metralhar pessoas que nunca viu antes, como fez o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, 24 anos, anteontem à noite em São Paulo? Usando uma submetralhadora, ele atirou a esmo em uma das salas de cinema do Shopping Morumbi, onde era exibido o filme "Clube da Luta", que tem como um dos temas a violência. Duas pessoas morreram e quatro ficaram feridas.

A psicóloga Regina Furigo disse que vários aspectos podem levar a pessoa a ter comportamento como o de Meira. O primeiro, também apontado pelo psiquiatra do estudante, José Cássio Pitta, é uma falha no desenvolvimento na personalidade da pessoa.

Outro aspecto é o núcleo coletivo de agressividade na personalidade humana. A psicóloga explicou que todo ser humano tem um potencial agressivo e sombrio dentro de si e que, dependendo da situação, pode vir à tona com força total.

As aparições constantes na mídia de casos de pessoas que atiram em outras sem motivo e os filmes violentos podem ativar o comportamento imitativo que não se desenvolveu na infância e despertar a agressividade, que faz parte da natureza humana. "Existe um núcleo coletivo de agressividade na personalidade humana que se presta a contágio. Tem ocorrido muita exposição na mídia de casos parecidos com o do shopping em São Paulo, principalmente nos Estados Unidos e isso pode despertar na pessoa o potencial agressivo e sombrio, que pode ou não vir à tona com força total", disse Regina Furigo.

A psicóloga completa lembrando das guerras. "O sentimento de ódio, rancor e destruição faz parte da natureza humana. Basta olhar para a história da humanidade, lembrar das duas grandes guerras que já aconteceram", disse. Regina ressaltou que para que o comportamento imitativo seja despertado na pessoa, depois de ela conhecer situações reais ou fictícias de extrema violência, é preciso que já tenha uma predisposição, já que milhares de pessoas assistem a filmes violentos ou têm acesso a informação de situações violentas e só algumas tentam copiar.

Segundo a psicóloga, o comportamento imitativo começa na criança, a partir dos 3 anos de idade. "Temos primeiro o aspecto técnico que sugere uma falha no desenvolvimento da personalidade. Depois, temos a possibilidade de que um comportamento imitativo tenha despertado porque a pessoa em questão copiou situações parecidas reais ou fictícias. Mas, para que isso tenha acontecido, ela já tinha dentro de si uma predisposição. Para que a agressividade se desperte em um adulto, como ocorreu com o estudante de medicina em São Paulo, pode ser que o desenvolvimento da personalidade desse rapaz tenha ficado parado aos 3 anos de idade. Ele pode não ter amadurecido em todos os aspectos de sua personalidade", explicou a psicóloga.

Outro aspecto apontado pela psicóloga e que pode ter despertado essa agressividade sombria no estudante foi o de ter sofrido violência em sua infância. "Não sabemos que tipos de violência ele sofreu quando criança. Não é porque ele pertencia a uma família de classe média que está afastada a possibilidade de ter sofrido algum tipo de violência. E não é só violência física, porque há vários tipos de violência. Uma delas

é a verbal, que não deixa marcas. Até a superproteção dos pais também é uma forma de violência. Não se pode descartar nenhuma possibilidade porque esse rapaz pode ter sido criado num lar sadio e ter ficado agressivo assim depois de adulto, porque o potencial agressivo do ser humano independe da criação", concluiu Regina Furigo.