07 de julho de 2026
Geral

Socorro

Rita de C. Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

Veículos de atendimento de urgências têm prioridade no trânsito

Veículos de atendimento de urgências têm prioridade no trânsito

Texto: Rita de Cássia Cornélio

Muitos condutores se apavoram, outros tomam atitudes inesperadas e erradas e há ainda, aqueles que atrapalham a passagem de um veículo destinado a socorro. O Código Nacional de Trânsito disciplina o trânsito desse tipo de veículo e adverte que mesmo com sinal sonoro, o motorista deve tomar os devidos cuidados de segurança.

O uso de dispositivo de alarme sonoro e iluminação só poderá ocorrer quando há efetiva prestação de serviço de urgência. Em casos de extrema necessidade, adverte o comandante do pelotão de trânsito, tenente Jorge Luis Dias. Segundo ele, nessas situações as viaturas policiais, ambulâncias, bombeiros têm prioridade de passagem, nas vias e cruzamentos.

O tenente entende que o condutor da viatura de atendimento deve, no entanto, manter os cuidados com a segurança. "A prioridade de passagem deve acontecer com a velocidade reduzida, especialmente se o cruzamento for dotado de semáforo. O motorista deve observar a situação, antes de cruzar a via, a fim de evitar um acidente."

Acidentes com viaturas policiais e veículos de atendimentos de socorro não são muito comuns, segundo Dias, mas quando acontece é instaurado uma sindicância para apurar se houve falta do condutor. "Na polícia nós instauramos uma sindicância. Se ficar provado que o motorista da viatura faltou com os devidos cuidados de segurança, ele assume os danos."

Estes procedimentos, de acordo com o tenente, visam prevenir acidentes.

"Há muitos condutores civis que trafegam com os vidros dos carros fechados e com o ar-condicionado e o som ligados, sem condições de ouvir a sirene."

Quando ocorre um acidente envolvendo uma ambulância, por exemplo, cabe a polícia colher dados que possibilitem a vítima de ser ressarcida dos danos. "Nós verificamos se no interior do veículo há passageiros doentes, em situação que justifiquem os sinais de alarmes, porque só nestas situações eles teriam prioridades nas vias."

O que fazer

Quando uma viatura policial ou um ambulância tenta trafegar pela via de trânsito normal, tendo em seu interior um doente, usa o alarme sonoro e de iluminação. Muitos condutores que estão na via não sabem como agir, até porque ficam apavorados com o barulho e com a situação. Para o tenente, a situação requer atenção.

"É preciso que o motorista mantenha a calma para não tomar atitude errada."

A atitude mais adequada, de acordo com o comandante do pelotão de trânsito, é o motorista, dentro das possibilidades dar sinal e entrar a direita, deixando a faixa da esquerda livre para a passagem do veículo de emergência. "Deve dar passagem, mas com segurança. O condutor pode, até, passar no sinal fechado, caso esteja a frente da viatura, mas tem que observar se não há perigo de acidente."

Se o motorista não deixa passagem livre para o veículo de atendimento de socorro, poderá estar prejudicando o socorro, frisa o tenente. "Na maioria dos casos, há perigo de morte. O atraso no atendimento pode ser fatal."

Adrenalina a mil

A adrenalina vai a mil quando os componentes do Corpo de Bombeiros ocupam uma viatura e partem para um atendimento de urgência. O sinal de alarme sonoro é o start para que o bombeiro fique atento. "Eles são treinados para não entrar em pânico. Os motoristas são treinados para manter a situação sob controle. Trabalhamos o psicológico deles, para que eles controlem o nervoso", explica o comandante do 1º sub-grupamento de incêndio, capitão Rúbio Galharim.

De acordo com ele as orientações de comando são para que o condutor da viatura, seja de incêndio ou de Unidade Resgate, consiga computar os benefícios. "Mostramos a eles que o ganho, em tempo, é muito pequeno, para que ele coloca a vida de terceiros em risco. Não compensa o risco."

Galharim acha que em Bauru o número de acidentes envolvendo viaturas é pequeno. "Fazemos 8 atendimentos diários, só com a Unidade Resgate. Calculo que se os condutores não tomassem os devidos cuidados, diariamente teríamos, pelo menos um acidente com eles."

O capitão ressalta que faz parte do treinamento e das orientações, conscientizar a equipe. "Eles são treinados para dirigir por eles e pelos outros. Imagine uma viatura de bombeiros, que pesa 20 toneladas, atropelando uma moto, em um cruzamento?"

O que diz a Lei

O capítulo III que disciplina a circulação e conduta dos condutores, prevê, em seu artigo 29, a circulação dos veículos destinados a socorro. Veja alguns incisos.

Inciso VII - os veículos destinados a socorro de incêndio e salvamento, os de polícia, os de fiscalização e operação de trânsito e as ambulâncias, além de prioridade de trânsito, gozam de livre circulação, estacionamento e parada quando em serviço de urgência e devidamente identificados por dispositivos regulamentares de alarme sonoro e iluminação vermelha intermitente, observadas as seguintes disposições:

A - Quando os dispositivos estiverem acionados, indicados a proximidade de veículo, todos os condutores deverão deixar livre a passagem pela faixa da esquerda, indo para a direita da via e parando, se necessário.

B - Os pedestres, ao ouvir o alarme sonoro, deverão aguardar no passeio, só atravessando a via quando o veículo já tiver passado pelo local.

C - O uso de dispositivos de alarme sonoro e de iluminação vermelha intermitente só poderá ocorrer quando da efetiva prestação de serviço de urgência.

D - A prioridade de passagem na via e no cruzamento deverá se dar com velocidade reduzida e com os devidos cuidados de segurança, obedecidas as demais normas do código.