Aeroporto passa por simulação de acidente
Aeroporto passa por uma simulação de acidente
Texto: Patrícia Zamboni
O aeroporto de Bauru viveu momentos de intensa agitação na manhã de ontem. Às 8 horas foi iniciada a simulação de um acidente com um avião que transportava cerca de 25 pessoas, que envolveu todo o efetivo do Corpo de Bombeiros, pelotão do Tiro de Guerra, funcionários do aeroporto, unidades do Resgate, ambulâncias, médicos e enfermeiros do Hospital Beneficência Portuguesa, Hospital de Base e Pronto Socorro, e atores amadores, que fizeram o papel das vítimas do acidente. A atividade, denominada de Simulado de Ocorrência de Grande Vulto, terminou por volta de 9h20. No total, mais de 200 pessoas participaram da simulação. A coordenação esteve a cargo do Corpo de Bombeiros, Beneficência Portuguesa, Infraero-Bauru - com a participação da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) da Infraero -, e Daesp (Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo).
De acordo com Eduardo Ferreira de Toledo, assessor da superintendência do Daesp, o Corpo de Bombeiros de várias cidades está desenvolvendo diversas atividades relacionadas à Semana do Trauma. Essa simulação de acidente foi realizada em três aeroportos: Bauru, Araçatuba e Presidente Prudente. "É um exercício que envolve toda a comunidade, já que a idéia do acidente de massa
é essa mesmo, de que toda a comunidade participe. Os atores recebem um tipo de ferimento falso e cada um tem que simular da maneira mais real possível aquele ferimento que tem. Isso ajuda a treinar os socorristas e o pessoal da área de sinistro", orienta Toledo.
A movimentação de médicos, enfermeiros e bombeiros chegando a todo instante trazendo macas com as pessoas feridas, gemidos de dor e muito sangue artificial passam uma impressão marcante do que seria a situação real. Lonas de cores diferentes colocadas no chão indicam a "classificação" das vítimas para o atendimento. Setor preto significa óbito, setor vermelho é o de vítimas que precisam ser socorridas rapidamente e o setor amarelo indica as vítimas com ferimentos de menor gravidade, que podem esperar um pouco mais pela remoção a um hospital. "O que pretendemos com isso é implantar a cultura de que não adianta colocar a vítima numa ambulância e sair correndo para o hospital. Primeiro ela tem que ser estabilizada no local do acidente", informa Toledo, que é especialista em segurança portuária. Funcionários do Aeroclube de Bauru fizeram um curso de primeiros socorros na Beneficência para prestar atendimento
às vítimas, já que eles são os primeiros a chegar ao local do acidente.
Na avaliação de Eduardo de Toledo, o desempenho das equipes que participaram da simulação realizada ontem foi satisfatório. "Eles estão se saindo bem. Estão estabilizando e identificando as vítimas corretamente. Eles sabem para onde as pessoas foram removidas para depois poder informar às famílias. Mesmo aqui no aeroporto os familiares já poderiam saber para qual hospital seu parente está sendo levado", explica Toledo. Segundo ele, o procedimento da simulação de ontem
é o mesmo utilizado em acidentes em massa no mundo inteiro.
"É claro que nós não queremos que nenhum acidente aconteça, mas se um dia acontecer, nós do Daesp esperamos que todo esse apoio da cidade compareça. Preparados para isso eles estão", conclui Toledo.
Participação da sociedade
O diretor da Infraero de Bauru, Genivaldo Menezes, diz que em alguns pontos as equipes se saíram muito bem, e em outros
é preciso aperfeiçoamento. "Eu fiz todas as anotações porque posteriormente teremos uma reunião onde vai ser discutido tudo o que aconteceu e nós vamos esclarecer as falhas", afirma Menezes. Segundo ele, no momento de fazer o isolamento da área houve dificuldades. "Vamos precisar contar com mais pessoas, pode ser da Polícia Militar, do Exército ou voluntários treinados para isso. Pretendo convidar pessoas de academias para serem treinadas e ajudarem a fazer o isolamento da área no caso de acidentes reais. Precisamos contar com mais entidades que queiram participar, porque o aeroporto é pequeno e não podemos contar só com os funcionários do aeroporto para isso. Toda comunidade precisa colaborar. Em aviação tem que se estar sempre buscando a perfeição e eliminar ao máximo as deficiências", avalia Menezes, que até o ano passado trabalhava no aeroporto de Congonhas, com investigação de acidentes aeronáuticos.
"O aeroporto é um bem da cidade, e a comunidade não pode se isolar dele", conclui.
Empresas da iniciativa privada participaram com a compra de materiais e equipamentos que foram utilizados na simulação. Posteriormente esses materiais foram cedidos ao Corpo de Bombeiros. Participaram: Wal-Mart, Bauruense Vigilância, Plasútil, Sukest, Aeroclube de Bauru e Jalil Shayeb.
Fokker-100 chega a Bauru amanhã
A partir desta segunda-feira os moradores de Bauru poderão ver o Fokker-100 da TAM pousando e decolando da pista do aeroporto local. De acordo com Marinaldo Francisco Nunes, representante da TAM em Bauru, a aeronave irá fazer quatro operações na cidade. Sairá de São Paulo às 8h30, devendo chegar aqui por volta de 9h10, segue para Araçatuba e volta a São Paulo. Às 13h12 decola da capital paulista, vem para Bauru com destino a Araçatuba, e faz o caminho de volta a São Paulo no final da tarde. O vôo da manhã (6h52) e o retorno São Paulo-Bauru às 20h14 continuarão sendo feitos pelo Fokker 50.
Segundo Nunes, o aeroporto de Bauru está totalmente preparado e operando de acordo com as normas exigidas pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) para poder trabalhar com uma aeronave desse porte. Entre as normas exigidas está a presença de uma equipe do Corpo de Bombeiros no aeroporto. Por isso, os bombeiros estarão acompanhando os pousos e decolagens do Fokker-100. Essa determinação existe há quatro anos, mas a presença dos bombeiros no aeroporto passará a ser obrigatória a partir de dezembro. "Essa norma não é colocada por causa do Fokker-100. Nos grandes aeroportos existe uma equipe fixa do Corpo de Bombeiros para atender qualquer ocorrência, porque qualquer aeronave pode ter problemas. Isso é uma exigência em termos de aviação que já existia, e agora essa norma está sendo aplicada nas cidades do Interior", explica Nunes.