08 de julho de 2026
Geral

Depressão

Redação
| Tempo de leitura: 7 min

A depressãonos idosos

A depressão nos idosos

No Brasil, cerca de 50% dos idosos internados em instituições hospitalares apresentam algum tipo de depressão; nos asilos, o índice reflete uma sensível diferença, 40%; e na comunidade, de uma forma geral, entre 30% e 40% das pessoas na terceira idade sofrem com o mal. A primeira grande barreira para o diagnóstico da depressão em idosos

é imposta pela própria família que, por falta de informações sobre o assunto, sequer leva o parente ao médico. "É um grande erro acreditar que o idoso é triste e afastado da realidade por causa da idade, atribuindo muitos sintomas ao processo normal de envelhecimento", verifica João Toniolo Neto, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Segundo ele, outro grande problema, e mais preocupante, é a falta de especialistas habilitados para o diagnóstico da doença. "Do ponto de vista clínico, a doença tem sido tratada de forma inadequada."

Conforme o geriatra, há uma necessidade latente de maior orientação para a classe médica sobre este tema. "Em primeiro lugar, o médico, especialmente o clínico geral, deve pensar na possibilidade da doença. O que dificilmente é cogitado. O segundo passo seria a aplicação de screannings, questionários que indicam o nível de

alterações relativas à memória e ao humor.

O tipo mais comum de depressão em idosos é a moderada, que apresenta um aspecto mais crônico. Ela pode ser desencadeada por problemas neuroquímicos ou em decorrência de doenças como o câncer, diabete, dor crônica, hipertensão arterial, derrame e outros problemas que imponham limitação nas atividades do cotidiano.

Entretanto, há diversos exames laboratoriais que podem ser realizados, como a contagem hormonal. "E só com os resultados negativos destes exames é que se pode desconsiderar a depressão", explica. Uma vez que os exames clínicos descartem qualquer problema, deve-se cogitar a depressão orgânica. "Na terceira idade, as queixas do cotidiano são bem comuns. A questão financeira, relacionamentos familiares abalados, a perda do cônjuge, mágoas, etc, também podem levar a este tipo de depressão", alerta Toniolo Neto.

No caso específico das mulheres, as maiores vítimas da depressão (70% dos casos), a falta de reposição hormonal no período da menopausa age como aspecto facilitador da doença, pela falta do hormônio chamado estrógeno.

"A reposição hormonal não só melhora a parte sexual, aumentando a libido das mulheres, como também a depressão", indica.

A predisposição genética é considerada em adultos jovens. "No

idoso, esta característica não é relacionada diretamente. Uma pessoa que nunca teve depressão quando jovem, na terceira idade só desenvolverá a doença por uma somatória de fatores e não por herança genética", conclui.

Sintomas atípicos

Os sintomas, lembra o especialista, são normalmente atípicos. Muitas vezes, ao invés do indivíduo ficar apático, pode apresentar muita irritabilidade e agressividade. Ou, ainda, a sintomatologia pode incluir um misto destes dois pólos, melancolia e ansiedade, por exemplo", alerta.

De acordo com Toniolo Neto, também vale destacar que os sintomas da depressão são facilmente confundidos com as queixas normais de outras doenças. "Falta de ar, dor no peito, tontura, dor de cabeça, distúrbios do sono, alteração no funcionamento intestinal, sintomas típicos da depressão, também são verificados em pacientes com problemas cardíacos", salienta.

Tratamentos

Independente da idade, a depressão é tratada com antidepressivos, que normalmente começam a apresentar seus efeitos no organismo após três semanas. Toniolo Neto diz que os primeiros antidepressivos surgiram na década de 40, por acaso.

"Os antidepressivos mais eficazes foram lançados a partir dos anos 50. Hoje, temos bons medicamentos disponíveis no mercado, mais sofisticados e com menos efeitos colaterais", anuncia. O que significa muito no tratamento de idosos. Isso porque, um dos efeitos adversos era o ganho de peso, que resultava em alterações nos sistemas cardíaco e respiratório, especialmente.

Serviço

João Toniolo Neto Unifesp (antiga Escola Paulista de Medicina) Informações: (11) 576-4432.

Brasil tem cerca de 10 milhões de vítimas

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que 340 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que o universo de deprimidos some algo em torno de 10 milhões de pessoas. Talvez isso explique o fato do suicídio estar entre as principais causas de morte na América Latina. E, segundo especialistas, a depressão deverá ser, até o ano 2020, a segunda maior causa de doenças ou lesões - ficando atrás somente da doença cardíaca isquêmica.

Um estudo realizado pela OMS em convênio com a Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard prevê que a depressão pode ser a segunda causa de ônus entre todas as doenças até o ano de 2020. Só para se ter uma idéia, 70% dos cerca de 30.000 suicídios cometidos anualmente nos Estados Unidos estão relacionados ao mal. É uma doença psiquiátrica que vitima aproximadamente 70% das mulheres, 23% dos homens, 5% de adolescentes e 2% de crianças no mundo.

"As pessoas com depressão costumam, com muita freqüência, sentir que são vítimas indefesas. Em seu íntimo, elas acreditam que não podem mudar suas vidas e não adianta nem tentar, porque forças fora de seu controle subjugarão a qualquer momento e sem nenhum aviso prévio", comenta Xandria Williams, especialista em terapias naturais, homeoterapia, medicina botânica e Programação Neurololingüística.

"Podem achar que, não importam o que façam, algo dará errado. E, quando se consideram responsáveis por esses 'erros', acrescentam a culpa ao estado depressivo. Escolheram ser vítimas, às vezes de

forma consciente, mas na maior parte das ocasiões é uma escolha inconsciente." Segundo Xandria, autora de "Combatendo a Depressão" (Editora Best Seller), assumir o controle de sua própria vida é parte da solução do problema.

Nova droga reduz efeitos colaterais

Entre as novas drogas apresentadas pela medicina está o Iperisan, um antidepressivo à base de Hypericum perforatum, cuja ação foi estudada durante dez anos em vários países. O laboratório Marjan Farma responsável pela produção do produto informa que o Iperisan

é um antidepressivo natural, ou seja, com base fitoterápica, que atua da mesma forma que os antidepressivos

sintéticos, entretanto, com menos efeitos colaterais.

"Este remédio, provavelmente, terá uma boa indicação para pacientes com depressão moderada e crônica. Ou seja, será mais um grande recurso para casos de depressão, principalmente em pacientes que não podem usar antidepressivos de outras classes", define o geriatra João Toniolo Neto.

A diretora médica do laboratório Marjan Farma, Rita de Cássia Salhani Ferrari, comenta que a grande vantagem do Hypericum perforatum é sua tolerabilidade. Ela cita como exemplo estudos de monitorização da droga realizados na Alemanha com 3.250 pessoas, destas apenas 2,4% apresentaram efeitos adversos relevantes. "Em contrapartida, pesquisas similares com drogas sintéticas indicaram que esta freqüência varia entre 17% a 19% dos pacientes".

Para Rita, o Iperisan representa um grande benefício para pacientes idosos, justamente pela redução de efeitos colaterais. "Em idosos é comum problemas na próstata, e os antidepressivos sintéticos, normalmente, causam problemas urinários. Os sintéticos também não são recomendados para pacientes portadores de glaucoma", anuncia.

Ela esclarece que essas drogas levam três semanas para começarem a melhorar o quadro do paciente pois este é o tempo necessário para que haja um reequilíbrio dos neurotransmissores junto aos receptores do cérebro. "E a duração do tratamento varia de acordo com o estágio da doença".

Toniolo Neto lembra ainda que o tratamento da depressão alcança resultados ainda mais positivos quando há o acompanhamento psicoterapeutico. "Temos um grupo de idosos na Unifesp que já demonstrou resultados ótimos aliando a terapia com o tratamento medicamentoso", conclui. Os especialistas alertam que o não tratamento da depressão pode levar o doente ao suicídio.

Prolift: recaptação de noradrenalina

Também lançado recentemente no mercado brasileiro, o Prolift (Pharmacia & Upjohn) é pertencente à classe dos inibidores seletivos de recaptação de noradrenalina (ISRN). Seu princípio ativo é a reboxetina, já comercializado na Europa há alguns anos como Edronax.

Atuando diretamente na noradrenalina - neurotransmissor que leva mensagens de um neurônio a outro -, o Prolift promete melhorar aspectos como a motivação, energia, atividade psicomotora e atenção. A reboxetina pode ser prescrita para todos os tipos de depressão, podendo, inclusive, segundo o laboratório, prevenir estados depressivos crônicos.

Serviço

Rita de Cássia Salhani Ferrari

Tel: (11) 3159-0593

Pharmacia & Upjohn

Tel: (11) 829-0002