08 de julho de 2026
Geral

Combate a violência

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Juventude contra o Crime pode servir de modelo para SP

Juventude Contra o Crime de Bauru pode servir de modelo para SP

Texto: Ieda Rodrigues

O projeto Juventude Contra o Crime, implantado no início deste ano em várias escolas públicas de Bauru e de Pirajuí e que já conseguiu reduzir a violência escolar, poderá servir de modelo para outras cidades do Estado de São Paulo. O projeto foi apresentado durante o 4.º Fórum Internacional de Polícia Comunitária e Direitos Humanos, realizado na semana passada em São Paulo, e despertou interesse no comandante geral da Polícia Militar.

O tenente Geraldo Rudoff, expert em Polícia Comunitária de Miami (Estados Unidos), indicou o Juventude Contra o Crime desenvolvido em Bauru para servir de modelo no Brasil. No início do ano, ele veio a Bauru a convite do Comando de Policiamento de Área Interior-9 (CPA/I-9) para discutir a Polícia Comunitária e orientou a implantação do projeto, que nos Estados Unidos conseguiu reduzir drasticamente a violência escolar.

Em Bauru, menos de um ano após o projeto iniciar, os resultados já são visíveis, segundo o comandante da 1.ª Cia, capitão Benedito Roberto Meira. O número de agressões, furtos, danos e ameaça de bombas nas escolas caiu consideravelmente. Em Pirajuí, devido a rixas entre alunos de escolas diferentes, as brigas nos horários de saída de aula eram freqüentes. Após a implantação do projeto, o problema acabou.

O Juventude Contra o Crime forma estudantes multiplicadores de informações para agir como "policiais" na escola. O tenente Rudoff disse que o projeto dá certo porque são os próprios alunos, com base na análise de seus problemas, é que acham a solução. Ele ressaltou que o Juventude Contra o Crime envolve todos os alunos, os considerados bons e os não tão bons assim.

Um policial, preparado para desenvolver o Juventude Contra o Crime, vai até as escolas e passa as orientações aos estudantes, para que eles se tornem multiplicadores de informações, uma espécie de líder. Seis escolas de Bauru e três de Pirajuí estão desenvolvendo o projeto já numa fase mais avançada. De acordo com o tenente Jorge Duarte Miguel, cerca de outras 20 escolas também estão iniciando o projeto.

O comandante do CPA/I-9, coronel Cid Monteiro de Barros, disse que Lins e Jaú, depois de ter conhecido a experiência em Bauru, estão interessados em implantar o Juventude Contra o Crime. Ele disse que a prioridade é implantar o projeto em escolas da periferia, onde o número de brigas e outras ocorrências como furto e pichações, é maior.

Recentemente, os policiais do CPA/I-9 responsáveis pelo Juventude Contra o Crime foram convidados pela Polícia Militar de Andradina e de Mato Grosso do Sul para explicar o projeto. O tenente Rudoff contou que o projeto, que começou nos Estados Unidos em 1970, já está sendo desenvolvido em todo o mundo.

Ruddof ressaltou que o projeto traz resultados porque dá oportunidade aos alunos. Muitas vezes, a violência escolar

é fruto da baixa auto-estima dos alunos, porque eles não recebem atenção. Ele citou que ninguém melhor que os próprios alunos para saber os problemas que mais lhe atingem e encontrar as soluções.

Para o tenente Rudoff, Bauru tem tudo para servir de modelo a outras cidades que queiram implantar o Juventude Contra o Crime. Ele elogiou os policiais do CPA/I-9 pelo trabalho desenvolvido e pela iniciativa de ir buscar meios para reduzir a violência escolar que, conforme ressaltou, não é um problema da escola ou da polícia, mas sim da comunidade.

Violência escolar em Bauru

1998 1999*

agressões 9 2

danos 29 16

ameaça de bomba 19 6

furto 38 28

* Números de janeiro a outubro