Professor contesta manual de normas técnicas de representação gráfica
Professor contesta manual de normas técnicas de representação gráfica
Texto: Luciano Augusto
Em sua tese de doutorado apresentada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o professor doutor Benedicto Francisco Cabral Silva, do Departamento de Representação Gráfica da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação
(Faac) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Bauru, contesta a aplicação do manual NBR 6492, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O docente, a pedido da própria ABNT está compilando material para ser feita uma revisão ou, até mesmo, uma nova norma para representação gráfica do desenho.
Cabral Silva conta que iniciou a pesquisa a partir de entrevistas com os profissionais de arquitetura e engenharia civil, para comprovar o desconhecimento da norma e a sua quase nula aplicação no desenho. Neste estágio, segundo ele, já foi tirada pelo menos uma conclusão: o profissional reconhece a importância da norma, mas não valoriza o desenho. "Os profissionais reconhecem que a representação é importante na comunicação do projeto, mas o valor dado ao desenho
é relativo e sentimos isso na formação, não só do arquiteto e engenheiro, mas também do desenhista, do projetista e do próprio pedreiro e mestre de obra", complementa o arquiteto.
De acordo com Cabral Silva, é grande a falta de divulgação da norma entre os profissionais e também dentro da universidade. A norma que define a representação gráfica do projeto arquitetônico foi aprovada em 1994 e, passados cinco anos, ela ainda continua no anonimato.
Além disso, o professor também destaca, por outro lado, que dúvidas existem bastantes, "porque a norma surgiu no período industrial, padronizando a linguagem e o objeto padronizado é diferente da arquitetura". Mas, segundo ele, a arquitetura, "pelo menos eu percebia isso", não era entendida como um objeto. "Mas ela é um objeto bastante complexo". Sendo assim, na representação, ela segue os mesmos procedimentos do objeto.
Portanto, a norma específica da representação gráfica da arquitetura apenas adapta as normas gerais do desenho técnico, indo um pouco mais além da "rigidez" do desenho técnico industrial.
Um dos efeitos, e talvez o mais grave deles, do desconhecimento da norma e da má representação gráfica, são os erros de interpretação do desenho. Essa falha na interpretação pode acarretar, por exemplo, atrasos na construção da obra e gastos adicionais. Mas a culpa, diz, não é do profissional e sim, justamente, da falta de contato com a norma ainda na sua formação dentro da faculdade.
Entretanto, embora a norma seja uma evolução, o arquiteto explica que ela ainda não é a ideal. "Ela contém muitas falhas e é repetitiva", aponta Cabral Silva. "O que colocamos para o profissional é que ele precisa tornar o mais objetivo possível o projeto, de forma clara, simples e ter uma linguagem comum", completa.
O professor, em sua tese, propõe justamente a correção da norma e a elaboração de um novo modelo para os profissionais. "Eu coloco nessa nova norma diversos conceitos que não existem na atual e a representação correta de certas aplicações", finaliza.