04 de março de 2026
Geral

Correntes partidárias

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

PT vice um"trilema" em Bauru

PT vive um "trilema" em Bauru

Sempre cobiçado pelos partidos e candidatos situados no campo ainda chamado de centro-esquerda, o PT vive um trilema em Bauru. Três grupos, com três teses diferentes, disputam a primazia de fazer valer suas idéias sobre a participação do partido na eleição de 2000. Há uma corrente que defende a aproximação com o PSB e, consequentemente, o apoio à candidatura do ex-deputado Tuga Angerami; outra que busca a aproximação com o PPS, do prefeito Nilson Costa, e a terceira que não abre mão da candidatura própria.

Não é novidade, em se tratando de PT, a existência de várias correntes e teses diferentes. O partido se orgulha de exercer sua democracia interna desta forma, com a pluralidade de idéias, tanto é que até a composição suas direções municipais, estaduais e federal são proporcionais ao peso de cada grupo. Portanto, o que quase sempre se transforma em crise em outras legendas, o PT digere como se fosse um banquete.

A corrente que já põe à mesa a proposta de apoio à candidatura de Tuga a prefeito é a aquela formada por vários sindicalistas, como Jesus Garcia (eletricitários) e Duílio Duka (Apeoesp), alguns núcleos da igreja Católica, associações de moradores e professores da Unesp - a chamada ala intelectual do partido. No último sábado, este grupo esteve reunido com o ex-deputado.

Para os "ideólogos" da proposta pró-Tuga, o ex-deputado é um político que tem posições firmes em defesa da soberania nacional, contra a política neoliberal do atual Governo Federal, é honesto e que, enfim, tem um perfil que se assemelha muito ao de um militante petista moderado. O diferencial é sua popularidade e o fato de ser cotado, desde já, como um dos favoritos ao Palácio das Cerejeiras.

A ala dos sindicalistas e intelectuais, de qualquer forma, diz que não se furta ao diálogo com outras forças com características semelhantes, como o PDT. "Mas nada além disso", afirmou, categórico, ontem, Jesus Garcia, excluindo qualquer possibilidade de negociações com o PSDB, PPS, PTB e PMDB, partidos considerados "ao centro e à direita em demasia".

Aliás, é com o PPS que o grupo do vereador José Carlos Batata estaria "namorando". Segundo informações dos bastidores petistas, o vereador defende uma aproximação com o governo municipal, o que já ocorre, por sinal, com sua atuação enquanto parlamentar. Ontem mesmo, Batata prestigiou a posse do novo titular da secretaria de Obras, Edmilson Dias.

O argumento político de Batata é o de que o PPS

é da esquerda, no espectro partidário brasileiro.

Os grupos dos sindicalistas e de Roque Ferreira não concordam e alegam que o PPS de Bauru tem muita gente que até há pouco tempo era malufista e integrante de grupos com posições conservadoras. Neste caso, há união entre ambas as alas. Somente o encontro municipal do PT, ainda sem data definida pela comissão interventora, definirá que posição prevalecerá.

Por sinal, o grupo dos sindicalistas está pedindo uma reunião com a comissão interventora do diretório local para discutir a situação jurídica e política do partido e marcar a data do encontro municipal (espécie de convenção do PT) o mais rápido possível.

A outra alternativa em debate no PT é uma nova candidatura a prefeito do dirigente do Sindicato dos Ferroviários, Roque Ferreira. Ele insiste na tese da campanha própria, que em outras eleições não obteve sucesso e soou como uma espécie de "posição marcada" do partido que tem uma visão político mais radical do que os demais. Esta tese admite aliança com alguns partidos como o próprio PSB, mas sem abrir mão da cabeça-de-chapa.

Em muitos embates, os grupos de Roque e dos sindicalistas têm se unido contra posições do grupo de Batata, que vem sendo considerado a "direita" do PT local pelos colegas, que se dizem "abismados" com as posições que eles consideram "muito pragmáticas" do vereador. Uma das divergências é sobre a intervenção estadual, que ainda vigora.

É assim, em linhas gerais, que o PT fará, qualquer dia destes, o encontro municipal para definir quem vai comandar os destinos do partido que tem à frente Luiz Inácio Lula da Silva.