Especulações apontam mudanças na Sear e Secretaria de Esportes
Especulações apontam mudanças na Sear e Secretaria de Esportes
Texto: Josefa Cunha
A troca do titular da Secretaria Municipal de Obras, que tem agora o engenheiro Edmilson Queiroz Dias no comando na pasta, foi suficiente para fermentar especulações sobre outras mudanças no primeiro escalão do governo Nilson Costa (PPS). Na mira dos boateiros, já estão o secretário de Esportes, Pedro Macéa, e o titular das Administrações Regionais (Sear), Celso Donizeti, pivô da crise que culminou com a saída de Leandro Joaquim, ex-secretário de Obras.
Oficialmente, tanto o Gabinete da Prefeitura quanto os secretários que estariam na iminência de deixar os cargos negam as informações. Darcy da Luz, chefe de Gabinete do Palácio das Cerejeiras, inclusive, impôs convicção para desmentir os comentários. "O Nilson não está pensando em nada disso. Trata-se, verdadeiramente, de uma especulação. O que se tem é a possibilidade de realizarmos uma sindicância para apurar as denúncias contra o Celso Donizeti, que teria interferido indevidamente numa área pertinente à Secretaria de Obras. Isso, no entanto, ainda não foi feito, razão pela qual não podemos fazer qualquer julgamento por antecipação", firmou.
O secretário citado também diz desconhecer intenções do prefeito no sentido de exonerá-lo. Ele garante que continua com "carta branca" para cumprir os deveres da Sear e acha "ótima" a idéia da sindicância administrativa. "Sou favorável e faço até questão de ver os fatos apurados. É uma forma de darmos transparência ao governo municipal. Estou certo de que não cometi nenhuma irregularidade, mas desconheço até esses boatos sobre a minha saída. Não fui chamado a deixar o cargo e também não tenho intenção de abandoná-lo", disse.
Aproveitando o ensejo, Donizeti não desperdiçou a chance de explicar mais uma vez sua conduta no caso do asfaltamento da via que dá acesso ao Instituto Penal Agrícola
(IPA). "Tinha em mãos, vários pedidos para melhorar as condições daquele local, serviço que, ao contrário do que alguns dizem, está na alçada do Poder Municipal e, mais do isso, dentre as competências da Sear. Nossa conduta foi meramente técnica, sem falar que não executamos obra de pavimentação, mas de salgamento da pista, que é a colocação de uma camada fina de asfalto para melhorar a aderência da via. Isso, de nenhuma maneira, foi irregular ou comprometeu o serviço de tapa-buracos como ventilou o ex-secretário Leandro Joaquim", garantiu.
"Muitos vices"
Sem problemas de ordem administrativa, embora com muitas limitações na pasta, o secretário de Esportes, Pedro Macéa, também desconhece informações a respeito de sua possível saída. "Tenho compromisso assumido com o Nilson Costa e, até onde sei, ele também não tem intenção de me exonerar. Agora, se eu perceber que estão lançando minha fritura, não hesitarei em entregar o cargo. Antes, porém, farei questão de tomar satisfação com o autor do balão de ensaio", avisou.
Apesar de contente com a equipe que o assessora e com o trabalho técnico desenvolvido pela Semel, Macéa não disfarça sua insatisfação com "setores da administração que atuam politicamente".
"Governo sem vice é um problema, porque começa a aparecer uma série de pessoas querendo assumir o cargo. Tem muito vice-prefeito hoje em Bauru, gente que, ao invés de cuidar da sua secretaria e autarquia, fica fazendo política e atrapalhando quem trabalha de fato. O resultado é que o prefeito, sobre quem nada tenho a criticar, tem que ficar apaziguando as animosidades depois. Em relação a esses aspectos, eu realmente estou descontente", desabafou.
Nos bastidores, o comentário é de que o nome de Pedro Macéa subiu à berlinda por conta de sua proximidade com o ex-secretário Leandro Joaquim. Após deixar o cargo, na última segunda-feira, Joaquim teria almoçado com Macéa e um terceiro secretário de Nilson Costa. O encontro informal teria bastado para o início das especulações sobre a "fritura" do titular dos Esportes. "Não escondi e reafirmo: senti a saída do Leandro, porque, mesmo sem poder avaliar o desempenho, sabia que o trabalho dele era técnico e sério. Da mesma forma que o meu trabalho também é técnico. Fui convidado a assumir este cargo por conta do meu currículo, não por política", disparou.